Os brasileiros que disputaram os Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno

Você se lembra qual medalhista Olímpico do Brasil se arriscou no bobsled? Sabe quem é a atleta que pode quebrar o recorde de participações Olímpicas pelo Brasil? Confira nossa lista e prepare-se para Beijing 2022.

Sheila Vieira
Foto: 2014 Getty Images

Em todo o mundo, 128 atletas disputaram as duas versões dos Jogos Olímpicos: Verão e Inverno. Cinco deles alcançaram o pódio em ambas, e dois – Eddie Eagan e Gillis Grafstrom – foram medalhistas de ouro nas duas estações.

O Brasil, que estreou nos Jogos de Inverno apenas em 1992, naturalmente tem uma lista mais curta de atletas que conseguiram ser atletas Olímpicos de verão e inverno. No momento, apenas três brasileiros conquistaram esse feito, com outro buscando o mesmo objetivo em Beijing 2022, de 4 a 20 de fevereiro de 2022.

Chega de suspense! Vamos aos nomes:

Claudinei Quirino da Silva disputa os 200m nos Jogos de Sydney 2000.

Claudinei Quirino da Silva

O que fazer depois de se aposentar de uma carreira brilhante no atletismo, com direito a uma medalha de prata Olímpica no revezamento 4x100m? Para Claudinei Quirino da Silva, a resposta foi se arriscar no bobsled.

Apesar de seu momento de glória ter sido fechar o revezamento que deu uma medalha inédita ao país em uma das provas mais nobres dos Jogos Olímpicos, Quirino fez sua estreia Olímpica em Atlanta 1996, nos 200m. Essa memória não é das melhores: ele se lesionou e não terminou a prova.

Porém, quatro anos depois, Quirino entrou para a história do esporte brasileiro ao receber o bastão de André Domingos e deixar os rivais cubanos para trás no 4x100m. Outro bom resultado dele na Austrália foi o sexto lugar nos 200m.

Equipe Brasil de Ricardo Raschini, Márcio Silva, Claudinei Quirino e Edson Bindilatti durante o evento do bobsled de 4 atletas dos Jogos Olímpicos de Inverno Turim 2006
Foto: 2006 Getty Images

Com as sapatilhas penduradas, Quirino recebeu um convite para entrar na equipe brasileira de bobsled, que fazia sua segunda participação Olímpica. Um dos integrantes foi suspenso, e Quirino acabou sendo o substituto.

“Eu não estava fazendo nada e falei que queria. Mas eu nunca tinha nem esquiado, o gelo era só para geladeira. Para ter ideia de como eu me preparei, na minha cidade tinha um frigorífico e eu ficava dentro. Depois, eu treinei com carrinho de rolimã.” – Claudinei Quirino para o SporTV.

Nas três descidas do 4-man brasileiro em Turim, o trenó brasileiro acabou virando de cabeça para baixo, e a equipe ficou na 25ª posição. Mas tudo bem: Quirino continua sendo um herói Olímpico brasileiro.

Matheus Inocêncio compete nos 110m com barreiras no Mundial de 2003, em Paris, França.
Foto: 2003 Getty Images

Matheus Facho Inocêncio

A transição dos atletas que competem nos dois formatos dos Jogos Olímpicos geralmente é do verão para o inverno. Porém, o primeiro brasileiro a disputar os dois, Matheus Inocêncio, fez o caminho inverso.

Não que ele tenha começado no bobsled. Seu esporte original é o atletismo, especialmente a prova dos 110m com barreiras. Como velocidade é algo muito importante para o pusher (empurrador), é comum que quem faça atletismo tenha um bom preparo para a posição no bobsled. Inocêncio participou da estreia Olímpica das Bananas Congeladas (apelido do time brasileiro) em Salt Lake City 2002. A equipe terminou a competição do 4-man em 27º.

Inocêncio voltou o foco ao atletismo e se classificou para Atenas 2004, terminando na sétima colocação nos 110m. Em alta, o atleta percebeu que seria difícil continuar conciliando os dois esportes.

“O atletismo é, hoje, o meu ramo de vida, e não depende só de mim”, afirmou Inocêncio ao Estadão em 2004. E assim ele seguiu no atletismo até 2016.

Jaqueline Mourão disputa o mountain bike cross-country nos Jogos de Tóquio 2020.
Foto: 2021 Getty Images

Jaqueline Mourão

Se há alguém que pode dar uma aula sobre como é conciliar esportes de verão e inverno, é Jaqueline Mourão. Com sete participações Olímpicas, recorde brasileiro ao lado de Robert Scheidt (vela), Formiga (futebol) e Rodrigo Pessoa (hipismo), a ciclista e esquiadora está no caminho para sua oitava vaga Olímpica, em Beijing 2022.

Poliesportiva desde pequena, Mourão foi a primeira brasileira a se classificar para o mountain bike nos Jogos Olímpicos, em Atenas 2004, terminando no top 20. Não contente, ela pegou os esquis e começou a praticar cross-country, voltando aos Jogos dois anos depois em Turim 2006.

Jaqueline Mourão compete no cross-country nos Jogos Olímpicos de Inverno Sochi 2014.
Foto: 2014 Getty Images

Imparável, Mourão adicionou um terceiro esporte Olímpico ao currículo, participando do biatlo – a combinação do cross-country com tiro - em Sochi 2014. Aos 45 anos, o desafio é ainda maior desta vez, já que os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e Beijing 2022 têm um intervalo de apenas seis meses entre si.

Mourão também foi porta-bandeira do Brasil no encerramento de Vancouver 2010 e na abertura de Sochi 2014. Para ir a Pequim, ela precisa ser uma das duas brasileiras com melhores resultados na temporada de inverno, já que o país já tem duas vagas garantidas no feminino no cross-country.

Jefferson Sabino?

Beijing 2022 também poderá ter o quarto brasileiro a disputar edições de verão e inverno, já que Jefferson Sabino faz parte do time de bobsled. Curiosamente, sua participação prévia também foi na capital chinesa, em Beijing 2008, no salto triplo.

“É incrível como o mundo dá voltas. Depois de Pequim e de não conseguir as vagas para Londres e Rio, pensei ‘já era, nunca mais’. E agora estou tendo essa chance de novo”, comentou Sabino à CBDG em julho.

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