Sobrevivente, Renan Dal Zotto comanda o vôlei masculino do Brasil em Tóquio 2020

Durante internação de mais de um mês por Covid-19, treinador da seleção masculina de vôlei se preocupou com presença em Tóquio 2020 em 2021. Porém, os médicos deixaram claro que sua luta naquele momento era pela sobrevivência.

Sheila Vieira
Foto: 2017 FIVB

O vôlei masculino do Brasil buscará o tetracampeonato Olímpico nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 em 2021 com a batalha mais importante já superada. O treinador Renan dal Zotto poderá comandar a equipe no Japão após sobreviver a um quadro gravíssimo de COVID-19 entre abril e maio deste ano. Vice-campeão Olímpico no vôlei como jogador em 1984, Dal Zotto busca sua primeira vitória Olímpica como treinador.

36 dias de angústia

O Brasil se preparava para a Liga das Nações, em abril de 2021, quando o treinador começou a sentir os sintomas da COVID-19, que quase tiraria sua vida.

Em depoimento à Folha de S.Paulo, Dal Zotto afirmou que pediu para ser intubado por não aguentar mais o sofrimento quando seu quadro se agravou. Ele teve uma trombose gravíssima com indicação de amputação da perna, mas os médicos avaliaram que ele não resistiria ao procedimento e realizaram uma cirurgia vascular. Dal Zotto chegou a ser retirado da ventilação mecânica, mas logo foi preciso retomá-la. O treinador chegou a alucinar com a própria morte.

"Tinha medo de dormir, porque não sabia quanto tempo ficaria de novo apagado. Pedi que sempre houvesse alguém da família comigo. Em nenhum minuto fiquei sozinho e quase não dormia, eles sofreram nas minhas mãos".

Renan Dal Zotto, treinador da seleção brasileira masculina de vôlei, à Folha

Recuperação rumo a Tóquio

Em 21 de maio, Dal Zotto deixou o hospital em uma cadeira de rodas, ainda com suporte de oxigênio. Com 20 kg a menos, o treinador precisou reaprender a falar, sentar-se, comer e andar. Um trabalho intenso de fisioterapia permitiu que ele se recuperasse a tempo Tóquio 2020.

Dal Zotto acompanhou pela TV a sua equipe, comandada pelo auxiliar Carlos Schwanke, conquistar o título da Liga das Nações, com vitória sobre a Polônia na final por 3 a 1. Após o maior triunfo de sua vida, é hora de Dal Zotto retomar o sonho Olímpico.

"Estou muito feliz de ter conquistado a vitória pela vida, quando eu acordei e me dei conta de que estava de volta - eu achava que tinha ficado 2/3 dias, mas foram 30 - já comecei a fazer uma contagem regressiva para os Jogos. Continuo fazendo fisioterapia aqui, mas me sinto bem para estar à beira da quadra para desempenhar o meu papel", afirmou Dal Zotto ao UOL.

A apreensão da espera por notícias sobre o treinador enquanto disputavam a Liga das Nações uniu ainda mais a seleção brasileira.

"Foi uma situação complicada, ver nosso comandante naquela situação foi difícil, ficamos tensos e apreensivos, foi angustiante. Ficávamos muito felizes quando sabíamos que ele estava melhorando. O Renan fez muita falta e é muito bom ter ele de volta nas quadras."

- O ponteiro Lucarelli ao UOL

Convocados da seleção brasileira masculina de vôlei

Dal Zotto convocou os seguintes 12 jogadores para Tóquio 2020: os levantadores Bruno Rezende - um dos porta-bandeiras do Brasil na Cerimônia de Abertura - e Fernando Cachopa, os opostos Wallace e Alan, os centrais Lucas "Lucão" Saatkamp, Maurício Souza e Isac, os ponteiros Lucarelli, Leal, Maurício Borges e Douglas Souza e o líbero Thales.

Jogos da seleção masculina de vôlei do Brasil

Os tricampeões Olímpicos estão no duro Grupo B do torneio de vôlei, junto a ROC, Argentina, Tunísia, Estados Unidos e França. Já o Grupo A conta com Itália, Canadá, Japão, Venezuela, Polônia e República Islâmica do Irã. Confira os jogos da seleção masculina:

  • 24 de julho - Brasil x Tunísia - 11:05 JST/ 23:05 horário de Brasília
  • 26 de julho - Argentina x Brasil - 21:45 JST/ 9:45 horário de Brasília
  • 28 de julho - Brasil x ROC - 21:45 JST/ 9:45 horário de Brasília
  • 30 de julho - Brasil x EUA - 11:05 JST/ 23:05 horário de Brasília
  • 1 de agosto - Brasil x França 11:05 JST/ 23:05 horário de Brasília