Saiba quem são os porta-bandeiras de Brasil e Portugal em Tóquio 2020

Brasileiros Ketleyn Quadros e Bruninho, portugueses Telma Monteiro e Nelson Évora conduzirão os pavilhões de seus países na cerimônia de abertura, dia 23, no Estádio Olímpico da capital japonesa.

Gonçalo Moreira e Virgílio Franceschi Neto
Foto: 2016 Getty Images

Ser o responsável pelo pavilhão nacional do seu país durante o desfile das delegações na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos é sem dúvida alguma um dos pontos mais altos da carreira de um atleta. O cerimonial sugere que o porta-bandeira é o representante do país. Essa função possui origem em uma tradição de séculos no cotidiano militar e era concedida aos combatentes mais modernos e distintos.

Ao longo das edições de Jogos, renomados atletas conduziram as bandeiras dos seus respectivos países. Os medalhistas de ouro Fernanda Ribeiro e Carlos Lopes já fizeram isso por Portugal, em 1996 e 1976, respectivamente. Pelo Brasil, exemplos são Sandra Pires em 2000 e Robert Scheidt em 2008, ambos medalhistas de ouro.

Nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 em 2021 pela primeira vez serão dois os porta-bandeiras de cada país. É uma iniciativa do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a promoção da igualdade de gênero. Saiba aqui no olympics.com quem serão eles por Portugal e pelo Brasil.

João Rodrigues, da vela, com a bandeira de Portugal durante a Cerimônia de Abertura dos Jogos Rio 2016
Foto: 2016 Getty Images

Ketleyn Quadros

Terceira brasileira a ser porta-bandeira em Jogos Olímpicos de Verão - depois de Sandra Pires em 2000 e Yane Marques em 2012 -, é também a terceira judoca em desempenhar esta função - Walter Carmona foi em 1988 e Aurélio Miguel, em 1992. É a primeira mulher do Brasil a conquistar uma medalha de Jogos em uma modalidade individual: Ketleyn Quadros foi bronze em Beijing 2008.

A brasiliense começou no judô após tanto insistir com a mãe, que permitiu que ela praticasse o esporte da "luta suave". Depois dos Jogos de 2008, quando foi terceiro lugar, ficou de fora dos Jogos durante 13 anos, ou seja, dois ciclos Olímpicos. Para um atleta de rendimento, o tempo é importantíssimo. Entretanto ela não deixou cair o nível e retorna com tudo para o evento. Deixa escancarada a satisfação de ser porta-bandeira:

"Eu olho pra minha carreira e vejo que não ter participado dos últimos dois Jogos Olímpicos me ajudou a crescer, a evoluir e a estar aqui. Sou muito grata e me sinto privilegiada por representar cada um dos brasileiros sendo porta-bandeira".

Ketleyn Quadros, para o site do Comitê Olímpico do Brasil

Telma Monteiro

Portugal estará em Tóquio 2020 com a maior representação feminina de sua história: 36 mulheres! Entre as atletas se encontra a carismática Telma Monteiro - também judoca -, medalha de bronze na Rio 2016 na categoria até 57 kg e atleta com presença em quatro edições dos Jogos Olímpicos.

Tal como o compatriota Nuno Delgado, em Atenas 2004, também judoca e medalhista de Sydney 2000, Telma Monteiro terá a honra de carregar a bandeira de Portugal em uma Cerimônia de Abertura. No caso da atleta de 35 anos será a segunda vez na carreira que representa o país como porta-bandeira, após Londres 2012

A atleta do Sport Lisboa e Benfica tem sido garantia de grandes resultados para Portugal: 12ª em Atenas 2004 e 9ª em Beijing 2008, ainda em até 52 kg; posteriormente foi 17ª em Londres 2012 e bronze Olímpico quando trocou de categoria de peso. 

Em Tóquio 2020 Telma Monteiro espera reproduzir a performance do último Campeonato da Europa, do qual saiu campeã pela sexta vez, somando 15 medalhas em Europeus. No Mundial fechou na 7ª colocação, mas imediatamente assumiu que o pensamento estava nos Jogos Olímpicos e que partia para Tóquio 2020 em busca do pódio.

Nelson Évora

A acompanhar Telma Monteiro como porta-bandeira de Portugal em Tóquio 2020 estará o saltador Nelson Évora, o único campeão Olímpico português ainda em atividade, honra que conquistou em Beijing 2008, no salto triplo. 

Serão os quartos Jogos Olímpicos do atleta português, que desta vez não carregará toda a responsabilidade no salto triplo, já que a delegação portuguesa encontrou em Pedro Pichardo uma opção de medalha após o título obtido no Campeonato da Europa.

Atualmente a residir na Espanha onde representa o atletismo do FC Barcelona, Nelson Évora é um dos heróis esportivos de uma nação onde o atletismo tem sido provedor de momentos Olímpicos inesquecíveis. Do primeiro ouro português conquistado por Carlos Lopes, na maratona, em Los Angeles 1984, à primeira mulher campeã Olímpica, Rosa Mota, em Seul 1988, também na maratona; o atletismo nunca falha a Portugal nos Jogos e estará personificado na figura de Nelson Évora durante a Cerimônia de Abertura de Tóquio 2020. 

“É uma grande honra para mim. Estou super feliz com este convite. Estarei de corpo e alma com a bandeira portuguesa e quero desejar boa sorte a todos os portugueses que vão estar nos Jogos Olímpicos. Não há nada melhor do que os Jogos Olímpicos". 

-Nelson Évora, ao Comitê Olímpico de Portugal.

Bruninho

Bruno Mossa de Rezende. Esteve com a equipe brasileira que foi ouro no vôlei no Pan de 2007 e não deixou mais a seleção nacional. Foi três vezes medalhista Olímpico, com duas de prata (Beijing 2008, Londres 2012) e uma de ouro (Rio 2016). Um dos brasileiros com mais títulos na modalidade, filho dos ex-atletas das seleções brasileiras, Vera Mossa e Bernardo Rezende, o "Bernardinho", tendo sido o seu pai treinador da equipe bicampeã Olímpica em 2004 e 2016.

"Sou um mero representante do que o vôlei significa não só pro esporte, como para o povo brasileiro. Os valores que gerações anteriores deixaram de dedicação, de luta, de garra, de superação é o que levo e me sinto muito honrado".

-Bruninho, para o site do Comitê Olímpico do Brasil

Atualmente no Taubaté. o levantador de 35 anos de idade já teve passagens pelo torneio de clubes do forte campeonato italiano. Apesar de ele ser de uma modalidade que tanto dá resultados para o Brasil em Jogos, ele será o primeiro representante do vôlei como porta-bandeira do país em cerimônia de abertura de Jogos Olímpicos. Sobre o seu par nesta função, ele complementa em uma analogia a algo bem brasileiro, a escola de samba:

“Seremos a porta-bandeira e o mestre-sala”.

-Bruninho, sobre seu par como porta-bandeira na Cerimônia de Abertura dos Jogos Tóquio 2020 em 2021, Ketleyn Quadros para o site do Comitê Olímpico do Brasil