Ginástica artística do Brasil conta com equipe madura para Tóquio 2020

Arthur Zanetti, Rebeca Andrade, Arthur Nory e Flávia Saraiva lideram seleção de ginástica artística que tenta conquistar medalhas Olímpicas pela terceira edição seguida dos Jogos Olímpicos.

Sheila Vieira e Virgílio Franceschi Neto
Foto: 2016 Getty Images

Até Beijing 2008, a ginástica artística do Brasil contava mais com desempenhos individuais de Daiane dos Santos e dos irmãos Daniele e Diego Hypolito para conquistar grandes feitos. Porém, nos últimos dois Jogos Olímpicos, e também em Tóquio 2020, disputado em 2021, o legado deles é uma seleção brasileira que se tornou um grupo consistente e maduro.

Em Tóquio 2020, o Brasil terá equipe completa no masculino. Arthur Nory, Chico Barreto, Caio Souza e Diogo Soares disputarão a classificação geral, enquanto o campeão Olímpico Arthur Zanetti focará apenas nas argolas.

No feminino, Rebeca Andrade e Flávia Saraiva estão classificadas nas disputas do individual geral e de aparelhos.

Rebeca Andrade conta com resiliência e ‘Baile de Favela’

Desde 2015, Rebeca Andrade passou por nada menos que três rompimentos do ligamento cruzado do joelho. Na última vez, em 2019, ela ficou fora do Mundial, e o Brasil perdeu sua última chance de classificar a equipe completa feminina para Tóquio 2020.

Andrade conseguiu se recuperar a tempo do Pan-Americano do mesmo ano, aproveitando a derradeira oportunidade de garantir sua vaga individual para os Jogos Olímpicos.

“Acho que eu aprendi muito sobre perseverança, sobre ter fé que você é capaz, que estamos passando por um momento difícil em que você não sabe o que esperar.”

- Rebeca Andrade ao Olympics.com em 2020

Bem fisicamente, a brasileira chega confiante a Tóquio após conquistar o ouro nas barras assimétricas e o bronze na trave na etapa da Copa do Mundo de Doha, em junho. Versátil, Andrade pode surpreender no individual geral.

Depois de levantar o público na Rio 2016 com “Single Ladies”, de Beyoncé, na prova do solo, Andrade levará aos Jogos um som mais brasileiro: “Baile de Favela”, do MC João.

“O funk é nossa cultura, um dos estilos mais escutados no Brasil, e eu sou muito brasileira raiz, gosto de me mostrar. Saber que eu vou levar isso para fora [do país] é ‘mó responsa’, né? Mas assim como gosto de conhecer culturas de outros países, quero que as pessoas também conheçam mais do nosso estilo."

- Rebeca Andrade ao jornal Folha de S.Paulo

Flávia Saraiva, por sua vez, tentará aos 21 anos melhorar o seu desempenho na Rio 2016, com a quinta colocação na trave. Com chances também no individual geral, a ginasta de 1,45m de altura está pronta para mais um duelo com a multicampeã americana Simone Biles.

"Competir com ela [Biles] vai ser incrível, sou fã dela. É o maior fenômeno da ginástica dos últimos tempos. Poder estar em um ciclo com ela é melhor ainda. Estou muito animada e estou voltando de lesão agora, então estou voltando com a faca no dente porque quero representar bem o Brasil e o Flamengo."

- Flávia Saraiva ao UOL

Zanetti busca marca inédita nas argolas

O líder da equipe de ginástica do Brasil em Tóquio 2020 será Arthur Zanetti, campeão nas argolas em Londres 2012 e prata na Rio 2016. Aos 31 anos, ele tentará se tornar o primeiro ginasta a subir ao pódio três vezes nesta prova nos Jogos Olímpicos.

Em 2019, Zanetti ficou fora do pódio no Mundial. A pandemia afastou o ginasta das competições oficiais e dificultou os seus treinos, mas ele teve a alegria de se tornar pai do pequeno Liam em setembro de 2020. O retorno em 2021 foi triunfal, com prata na etapa de Doha da Copa do Mundo de ginástica.

O maior rival de Zanetti continua sendo o grego Eleftherios Petrounias, campeão da Rio 2016, que conquistou a vaga para Tóquio “nos acréscimos”, em Doha.

Medalhista Olímpico de bronze no solo na Rio 2016, campeão mundial na barra fixa em 2019 e prata em Doha na mesma prova, Arthur Nory tentará repetir o sucesso no país de seus ancestrais. Chico Barreto também pode surpreender na barra fixa, como fez nos Jogos Olímpicos disputados no Brasil, quando ficou em quinto. Completam a equipe Caio Souza, que foi como reserva na Rio 2016 e agora está na equipe principal, e a revelação Diogo Soares, que assegurou a vaga com uma ótima apresentação no Pan de ginástica do Rio de 2021.

O adeus a Oleg Ostapenko

Um grande responsável pela evolução da ginástica artística brasileira faleceu na Ucrânia, no sábado dia 3 de julho, por complicações pulmonares e renais: o treinador ucraniano Oleg Ostapenko, aos 76 anos.

Ostapenko chegou ao Brasil em 2001, convencido pela sua esposa, a coreógrafa Nadia Ostapenko, também treinadora, que havia trabalhado no país em 1999. Com o seu trabalho a ginástica feminina brasileira conquistou excelentes resultados, como por exemplo o título mundial de Daiane dos Santos, em 2003. Além disso, formou uma grande geração de ginastas e ajudou a conceber um centro de treinamento em Curitiba que até hoje proporciona grandes resultados esportivos para a modalidade.

"Tudo que a gente faz hoje na ginástica artística brasileira é legado dele. Foi o cara que botou a ginástica feminina na boca do povo. Todo mundo conhecia e falava do duplo twist carpado da Daiane dos Santos".

- Eliane Martins, coordenadora técnica da seleção brasileira de ginástica artística

Programação do Brasil na ginástica artística em Tóquio 2020

24 de julho – A partir de 10:00 (horário de Tóquio) e a partir de 22:00 do dia 23 (horário de Brasília) – Classificação masculina em todos os aparelhos.

25 de julho – A partir de 10:00 (horário de Tóquio) e a partir de 22:00 do dia 24 (horário de Brasília) – Classificação feminina em todos os aparelhos.

26 de julho – A partir das 19:00 (horário de Tóquio) e a partir de 7:00 (horário de Brasília) – Final por equipes masculina.

28 de julho - A partir das 19:15 (horário de Tóquio) e a partir de 7:15 (horário de Brasília) – Final individual geral masculino.

29 de julho - A partir das 19:50 (horário de Tóquio) e a partir de 7:50 (horário de Brasília) – Final individual geral feminino.

1 de agosto - A partir das 17:00 (horário de Tóquio) e a partir de 5:00 (horário de Brasília) – Finais de aparelhos: solo masculino; salto feminino; cavalo com alças masculino; barras assimétricas feminino.

2 de agosto - A partir das 17:00 (horário de Tóquio) e a partir de 5:00 (horário de Brasília) – Finais de aparelhos: argolas masculino; solo feminino; salto masculino.

3 de agosto - A partir das 17:00 (horário de Tóquio) e a partir de 5:00 (horário de Brasília) – Finais de aparelhos: barras paralelas masculino; trave feminino; barra fixa masculino.