Conheça as Yaras que representam o Brasil no rugby sevens em Tóquio 2020

Seleção feminina de rugby sevens foi convocada na última segunda-feira, dia 28. As Yaras são 18 vezes campeãs da América do Sul.

Virgílio Franceschi Neto
Foto: 2021 Getty Images

A seleção brasileira feminina de rugby sevens - as Yaras (como são conhecidas) - já tem os seus 12 nomes para representar o país nos Jogos de Tóquio 2020 em 2021. Estarão pela segunda vez nos Jogos Olímpicos, uma vez que estiveram na Rio 2016, quando a modalidade voltou ao programa Olímpico após quase 100 anos de ausência.

A classificação aconteceu há algum tempo, em junho de 2019, quando venceram o pré-Olímpico realizado em Lima (Peru), em torneio que serviu de evento-teste para os Jogos Pan-americanos daquele ano, cuja medalha de bronze escapou no tempo extra da disputa pelo 3º lugar.

Sob o comando do treinador, Will Broderick, as 12 convocadas para os Jogos de Toquio 2020 em 2021 (posição de cada uma e respectivo clube) são:

  • Aline Furtado (pilar, hooker) - Rugby USP
  • Bianca Silva (ponta) - Rugby para Todos
  • Haline Scatrut (pilar e centro) - Melina Rugby
  • Isadora Cerullo (scrum-half e abertura) - Niterói RFC
  • Leila Cássia (scrum-half) - Rugby para Todos
  • Luiza Campos (hooker) - Charrua RC
  • Mariana Nicolau (pilar e centro) - São José RC
  • Marina Fioravanti (centro) - SP Bandeirantes Saracens Rugby
  • Rafaela Zanellato (centro e pilar) - Curitiba RC
  • Raquel Kochhann (Capitã) (pilar e abertura) - Charrua RC
  • Thalia Costa (ponta) - Delta Rugby
  • Thalita Costa (hooker e ponta) - Delta Rugby

Atletas reservas:

  • Eshy Coimbra (pilar) - Guanabara RFC
  • Gabriela Lima (ponta e hooker) - Charrua RC

Em relação às atletas que estiveram na Rio 2016, algumas estarão em Jogos Olímpicos pela segunda vez, como é o caso de Luíza Campos, Haline Scatrut, Isadora Cerullo, a Izzy e a Capitã, Raquel Kochhann.

É um privilégio. Não é responsabilidade. É um lugar que se conquista, vou ter apenas a atribuição de falar com o Árbitro porque o grupo está unido, sabemos o que fazer, cada uma está na mesma página e trabalhamos todas juntas. É leve, nos apoiamos e jogamos com alegria.

Raquel Kochhann, em coletiva de imprensa da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), quando perguntada da responsabilidade de ser a Capitã da equipe durante os Jogos Olímpicos.

No Rio de Janeiro em 2016, as Yaras terminaram na 9ª posição com 3 vitórias: 2 sobre a Colômbia e 1 sobre o Japão.

Yaras comemoram vitória sobre o Japão nos Jogos Rio 2016
Foto: 2016 Getty Images

Histórico

A formação da seleção brasileira feminina se deu no início deste século. A primeira edição do torneio continental aconteceu em 2004 e de lá pra cá as brasileiras não perderam um jogo para uma similar da região. São 18 títulos continentais. A única vez em que não venceram (2015) foi quando não participaram.

Ao passo que a modalidade era mais praticada entre as brasileiras, também era no mundo. A organização de torneios internacionais (continentais e mundiais) fizeram com que a seleção do Brasil participasse de diversos campeonatos, entre eles a Copa do Mundo de Rugby Sevens de 2009, em Dubai.

Gabi Ávila em ação contra a Tailândia durante a Copa do Mundo de Rugby Sevens em 2009
Foto: 2009 Getty Images

São Paulo recebeu por alguns anos uma etapa do circuito mundial de rugby sevens, que era jogada na Arena Barueri. Entre as principais conquistas da seleção feminina, além dos torneios sul-americanos, destaca-se a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015.

Yaras comemoram a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos Toronto 2015
Foto: 2015 Getty Images

Yaras: símbolo de unidade

No rugby os apelidos para as seleções nacionais são bastante comuns. Na variante do rugby sevens, isso não é diferente. Em 2013 as próprias atletas da seleção deram a alcunha de "Yaras", à equipe, o que remete à coragem e coletividade das mulheres do rugby brasileiro.

Na mitologia tupi-guarani, Yara é a filha de Pajé e temida guerreira que, para escapar da morte, se refugiou nos rios. Por essa razão, em diversas partes do Brasil ela é conhecida como a "senhora das águas". As jogadoras estabeleceram um nome, um símbolo que representasse o coletivo e criaram um uniforme que contou com a participação de atuais e antigas Yaras.

A essência de ser uma Yara é ter a consciência de que precisamos uma das outras para vencer nossos desafios e sonhar com mais conquistas. Esse reconhecimento é muito importante para esse grupo de mulheres que construiu identidade própria em um esporte que ainda é considerado essencialmente masculino.

Isadora Cerullo, a Izzy, sobre o significado de ser uma Yara, para o site da Confederação Brasileira de Rugby

Aline Furtado, Rafa Zanellato e Haline Scatrut durante treino das Yaras para os Jogos Tóquio 2020 em 2021
Foto: Buda Mendes

As Yaras nos Jogos de Tóquio 2020 em 2021

O rugby sevens nos Jogos de Tóquio de 2020 em 2021 será jogado no Tokyo Stadium. A competição feminina terá lugar entre os dias 29 e 31 de julho.

Elas estão no grupo B, ao lado de Canadá (medalhistas de bronze na Rio 2016), França (que ganhou a repescagem disputada no Principado de Mônaco na segunda quinzena de junho) e Fiji.