Felipe Wu em Tóquio 2020 para repetir Rio 2016

Atirador Felipe Wu entra em ação no dia 24 de julho nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Confira rivais, horários e forma do paulista que devolveu o Brasil às medalhas 96 anos após Antuérpia 1920.

Gonçalo Moreira

Ninguém vive só de memórias, mas elas fazem parte da vida. O dia 6 de agosto de 2016 ficará marcado na trajetória de Felipe Wu, atirador que fez história no Centro Olímpico de Tiro Esportivo em Deodoro, durante os Jogos Olímpicos da Rio 2016.

Foi a primeira das 19 medalhas que o Brasil conquistou na Rio 2016 e de certa forma ditou o tom triunfador dos dias seguintes para a restante delegação. Desde Antuérpia 1920 que o Brasil não conseguia um pódio no Tiro Esportivo Olímpico.

Felipe Wu é estudante de Engenharia Espacial e está inserido no Programa Atleta de Alto Rendimento das Forças Armadas como membro do Exército. Os atletas-militares representam 30% da delegação do Brasil em Tóquio 2020 e na Rio 2016 conquistaram 13 das 19 medalhas do país-sede.

O paulista fez ainda parte do projeto “Vivência Olímpica”, iniciativa do Comitê Olímpico do Brasil que enviou para Londres 2012 atletas promissores que viriam a se destacar na Rio 2016, casos de Isaquias Queiroz, Martine Grael, Kahena Kunze ou Thiago Braz. Em Tóquio 2020 não haverá a mesma possibilidade já que a presença de pessoal não essencial nos Jogos Olímpicos está restrita.

Felipe Wu aspira novamente ao top 3

Cinco anos depois, em Tóquio 2020, que acontece em 2021, o medalha de prata na Pistola de ar 10m espera adicionar mais um capítulo ao livro dos êxitos, que começou escrevendo com o 2º lugar nos Jogos Olímpicos da Juventude de Singapura, em 2010.

Por seu histórico na competição, porque foi 4º na ronda de Nova Déli (Índia) da Copa do Mundo, Felipe Wu aspira novamente ao top 3 e chega em Tóquio 2020 como 10º do ranking mundial. Entre os potenciais rivais destacamos:

  • Hoàng Xuân Vinh (Vietnã): campeão Olímpico da Rio 2016 com recorde Olímpico (202.5 pontos)
  • Jin Jong-oh (República da Coreia): bicampeão do mundo (2018) e 5º na Rio 2016
  • Abhishek Verma (Índia): número 1 do ranking mundial e campeão da Copa do Mundo em Nova Déli em 2021
  • Saurabh Chaudhary (Índia): número 2 do ranking mundial, 3º na Copa do Mundo em Nova Déli em 2021, campeão dos Jogos Olímpicos da Juventude Buenos Aires 2018 e campeão do mundo júnior 2018
  • Artem Chernousov (ROC): número 3 do ranking mundial e vice-campeão do mundo (2018)
  • Javad Foroughi (Irã): número 4 do ranking mundial
  • Pang Wei (China): número 5 do ranking mundial, bronze na Rio 2016, ouro em Beijing 2008 e campeão do mundo (2006)

A competição em Tóquio 2020 acontece no Campo de Tiro Asaka, um dos locais mais afastados do centro da capital do Japão e a cerca de 30 km do Estádio Nacional.

Da Rio 2016 a Tóquio 2020 o Tiro Esportivo Olímpico evoluiu para a paridade total de eventos entre gêneros. Serão 15 provas (individuais e mistas) e veremos quem domina o medalheiro, que nos Jogos Olímpicos anteriores tiveram Itália (4 medalhas) e Alemanha (3 medalhas) na frente.

A performance mais extraordinária na Rio 2016 foi a do coreano Jin Jong-oh na Pistola a 50m, onde se tornou o primeiro atirador Olímpico a ganhar o mesmo evento em três Jogos consecutivos. Em Tóquio 2020 aspira ao quarto título.

Felipe Wu em ação na final Olímpica na Rio 2016

João Paulo Azevedo coloca Portugal no mapa do tiro esportivo

Em Portugal há uma história que vale a pena contar por ser exemplo de persistência. A essência do espírito Olímpico se traduz na capacidade de superação dos atletas e o atirador João Paulo Azevedo coloca Portugal no mapa do tiro esportivo após passar por dois ciclos Olímpicos sem conseguir a classificação. Aos 37 anos de idade não desistiu e foi 2º no evento da Copa do Mundo, em Lahti (Finlândia), conquistando o bilhete para Tóquio 2020 onde espera tiros certeiros nos pratos durante o Fosso Olímpico.

O histórico de Portugal no Tiro Esportivo Olímpico contabiliza uma medalha obtida por Armando Marques em Montreal 1976. João Paulo Azevedo não faz promessas, mas parte com a medalha em Fosso Olímpico em mente, o que obriga a terminar a ronda classificatória no dia 28 de julho nos seis melhores atiradores para poder estar na final no dia 29.

"Gostaria de estar na final, quem sabe trazer uma medalha. Mas o objetivo são os seis primeiros."

João Paulo Azevedo em declarações à rádio TSF.

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