Canoagem de velocidade: Isaquias Queiroz é um homem em uma missão em Tóquio 2020

Que chances de medalha tem o Brasil em Tóquio 2020? Quem faz sonhar Portugal? Saiba mais sobre as provas de canoagem e caiaque.
Ashlee Tulloch e Gonçalo Moreira

Falar de canoagem de velocidade é falar de Isaquias Queiroz. O baiano de Ubaitaba se tornou o primeiro brasileiro a conquistar três medalhas Olímpicas em uma mesma edição das Olimpíadas: prata C1 1000 metros (m) e no C2 1000m, bronze no C1 200m durante o Rio 2016.

Em Tóquio 2020, que acontece em 2021, só falta mesmo conquistar o ouro para completar a coleção de metais preciosos. Esse é o principal objetivo na mente de Isaquias Queiroz, que após 21 meses sem poder competir pela pandemia de Covid-19 regressou em maio desse ano na Copa do Mundo de Canoagem, em Szeged (Hungria), com 2º lugar no C1 1000m e 3º no C2 1000m – fazendo dupla com o também baiano Jacky Godmann pela lesão do habitual parceiro Erlon Souza.

Isaquias Queiroz foi um dos heróis brasileiros do Rio 2016, mas nem sempre esteve na elite da canoagem. A virada começou em 2013 com a chegada do treinador Jesús Morlán, que depois de colocar a Espanha como uma das potências do esporte, revolucionou também a equipe brasileira. Jesús Morlán foi, por exemplo, mentor de David Cal, vencedor de ouro e prata em Atenas 2004, duas pratas em Pequim 2008 e uma prata em Londres 2012 em várias distâncias do C1.

A morte de Jesús Morlán, em novembro de 2018, será o maior desafio e ao mesmo tempo a maior motivação para Isaquias Queiroz em Tóquio 2020, onde aspira ao título Olímpico em C1 1000m e C2 1000m, já que o C1 200m não está mais no programa Olímpico.

"Agora o foco, com certeza, é outro. Não é ganhar qualquer medalha. O foco é ganhar a medalha de ouro e deixar todos os brasileiros felizes",

disse o canoísta ao Esportes R7.

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Foto: 2012 Getty Images

Se o Brasil suspira por Isaquias Queiroz, Portugal sonha com Fernando Pimenta. O atleta lidera a geração de ouro da canoagem portuguesa junto com Emanuel Silva, com quem conquistou a medalha de prata no K2 1000m em Londres 2012, a primeira da história da canoagem lusa em Jogos Olímpicos.

Em Tóquio 2020, Fernando Pimenta vai participar na prova de K1 1000m e tentar melhorar o 5º lugar do Rio 2016. O atleta de Viana do Castelo soma 104 medalhas em competições internacionais, contabilizando já a prata no K1 1000m do recente Campeonato da Europa, em que foi derrotado húngaro Balint Kopasz, bem como o bronze no K1 5000m. O favoritismo às medalhas se justifica já que no atual ciclo Olímpico o canoísta português nunca falhou o pódio em provas K1 1000m.

Também em Tóquio 2020 estará Emanuel Silva, naquela que será a sua quinta participação em Jogos Olímpicos. Desta vez será para liderar o K4 500m de Portugal, onde faz equipe com João Ribeiro, Messias Baptista e David Varela, mais uma disciplina onde os portugueses podem sonhar com medalhas.

Favoritos na canoagem de velocidade em Tóquio 2020

Tradicionalmente, os campeões da velocidade chegam da Europa. No Rio 2016 a Hungria venceu três dos eventos femininos e a Alemanha levou três títulos no masculino. Poderá a tendência mudar em Tóquio 2020, que acontece em 2021? Além do Brasil, nações como Nova Zelândia e China têm conseguido pódios que levam a pensar numa mudança de paradigma.

Nas provas femininas, a bicampeã Olímpica Lisa Carrington quer o terceiro ouro em K1 200m e não perde desde 2011 nesta distância a nível internacional. Lisa Carrington tentará também melhorar o em K1 500m e ainda integra a equipe de K4 500m, uma agenda intensa para Tóquio 2020 que até pode aumentar caso decida competir em K2 500m. Cinco títulos Olímpicos colocam Danuta Kozak debaixo de pressão após não se apresentar bem no Mundial de 2019. A atleta da Hungria conseguiu bronze no K1 500, mas perdeu claramente para Carrington.

A teenager americana Nevin Harrison se estreia nos Jogos competindo no C1 200m que dominou no Mundial de 2019: foi o primeiro título em Campeonatos do Mundo de uma estadunidense na canoagem de velocidade.

Nas provas masculinas, a estrela da República Tcheca Josef Dostal chega com uma medalha de prata no K1 1000m no Rio 2016. Os britânicos levam duas edições dos Jogos dominando o K1 200m, primeiro com Ed McKeever e depois com Liam Heath Rio 2016, mas apesar do favoritismo de Heath para defender o título Olímpico, reforçado com a vitória no Mundial de 2019, cuidado com Saúl Craviotto, o porta-bandeira da Espanha em Tóquio 2020 aponta ao ouro após ser prata em Londres 2012 e bronze no Rio 2016.

O bicampeão Olímpico em C1 1000m e campeão em C2 1,000m, Sebastian Brendel, é outra das estrelas com presença confirmada no Japão. Com 28 vitórias em provas internacionais, Brendel está entre os velocistas mais laureados presentes em Tóquio 2020, que acontece em 2021.

Formato da Canoagem de velocidade em Tóquio 2020

Há dois tipos de embarcação usada na velocidade: caiaque (K) e canoa (C). Os atletas do caiaque remam sentados utilizando um remo de duas pás. A direção é controlada com o pé que controla um leme. Os atletas da canoa remam de joelhos e utilizam um remo com uma pá em uma das extremidades. É esse remo que marca a direção já que a embarcação não tem leme.

Entre homens e mulheres há 12 eventos em Tóquio 2020, em 2021. O programa inclui caiaque para uma pessoa, duas pessoas e quatro pessoas. Na canoa existem apenas competições para uma ou duas pessoas. Os atletes competem em três distâncias - 200m, 500m e 1000m.

A largada em uma prova de canoagem de velocidade é dinâmica e excitante.

As embarcações estão alinhadas e largam ao mesmo tempo. Os atletas devem manter o equilíbrio nos portões de saída e largar ao mesmo tempo. Até ao sinal de largada devem estar imóveis. Seguidamente, remar com a maior força possível para atingirem a máxima velocidade o mais rápido possível. A prova de 200m race é a mais explosiva do programa e o caiaque masculino nessa distância finaliza em aproximadamente 30 segundos.

A prova acontece em águas calmas.

Nas semifinais as oito melhores embarcações se classificam para a final ‘A’ onde são decididas as medalhas. O resto dos semifinalistas compete na final 'B'.

Agenda da Canoagem de velocidade em Tóquio 2020

As provas de canoagem de velocidade em Tóquio 2020 acontecem ao longo de seis dias, entre 2 e 7 de agosto de 2021.

As primeiras medalhas dos Jogos serão entregues no dia 2, na prova feminina de K1- 200m.

  • Caiaque de 1 (K-1) 200m (Homens/Mulheres)
  • Caiaque de 1 (K-1) 1000m (Homens)
  • Caiaque de 1 (K-1) 500m (Mulheres)
  • Caiaque de 2 (K-2) 1000m (Homens)
  • Caiaque de 2 (K-2) 500m (Mulheres)
  • Caiaque de 4 (K-4) 500m (Homens/Mulheres)
  • Canoa de 1 (C-1) 1000m (Homens)
  • Canoa de 1 (C-1) 200m (Mulheres)
  • Canoa de 2 (C-2) 1000m (Homens)
  • Canoa de 2 (C-2) 500m (Mulheres)

Clique aqui para conhecer a agenda completa.

Local de competição da Canoagem de velocidade em Tóquio 2020

A competição de canoagem de velocidade acontece na região da Baía de Tóquio, concretamente em Sea Forest Waterway.

A zona costeira fica perto do centro de Tóquio e tem lotação máxima de 12800 espetadores. Os eventos de Remo também terão a mesma sede.

Após os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, o plano de água será utilizado para a organização de regatas internacionais e ainda provas de canoagem.

História da Canoagem Olímpica

A história da Canoagem Olímpica nos Jogos Olímpicos remonta a Paris 1924, onde o esporte integrou o programa com o estatuto de esporte de exibição.

Só em Berlim 1936 entrou no programa oficial das Olimpíadas com nove eventos para os homens, um dos quais com 10000m. Atualmente, a maior distância é 1000m.

Londres 1948 representou a primeira oportunidade para vermos as mulheres competindo na canoa e no caiaque.

Tóquio marca a vigésima presença do esporte nos Jogos Olímpicos.

Ao longo dos anos várias distâncias foram introduzidas ou removidas e nos Jogos de Tóquio 2020 teremos provas femininas de C1 200m eC2 500m como novidades.

Nos homens, o K4 1000m foi reduzido para K4 500m, enquanto o C1 200m e o K2 200m foram removidos do programa como forma de equilibrar a paridade entre os gêneros.