Nem um tubarão impediu o tri de Gabriel Medina no Mundial de surfe

Após sair de Tóquio 2020 sem medalhas, Gabriel Medina enterrou a campanha Olímpica na areia de Lower Trestles (Califórnia) e se consolidou como o melhor surfista do mundo. Terceiro título mundial veio após bater Filipe Toledo que na semifinal eliminou o campeão Olímpico Italo Ferreira.

Gonçalo Moreira
Foto: Cameron Spencer/Getty Images

A Brazilian Storm atingiu o ápice da sua existência em 2021 com o quinto título mundial em sete anos. O movimento que viu o Brasil dominar o surfe mundial não só conseguiu escrever história graças ao título Olímpico de Italo Ferreira em Tóquio 2020, como também mostrou superioridade na World Surf League (WSL) que Gabriel Medina venceu pela terceira vez na carreira.

Só os cinco melhores do ano da WSL puderam competir na rodada californiana que aconteceu em Lower Trestles: Gabriel Medina liderou a temporada, Italo Ferreira foi 2º do ranking, Filipe Toledo 3º, enquanto o norte-americano Conner Coffin (4º) e o australiano Morgan Cibilic (5º) foram os únicos não brasileiros na final.

Após uma campanha Olímpica onde chegou como favorito e acabou por sair sem medalhas, Gabriel Medina voltou ao trabalho para encerrar forte a temporada. Foi ele o dominador de 2021 – venceu Narrabeen Classic, Rottnest Search e esteve em mais três finais nas sete rodadas da fase regular da competição. Por isso na final da WSL só teve que esperar o mata-mata entre os rivais para saber quem era o oponente na decisão.

Pela frente apareceu Filipe Toledo, radicado nos EUA há vários anos, cheio de confiança após eliminar o estadunidense Conner Coffin nas quartas de final e Italo Ferreira na semifinal. Toledo, de Ubatuba, só respirou de alívio contra o campeão de Tóquio 2020 na última onda, mas a rotação aérea da estrela de Baía Formosa deu errado e Italo Ferreira ficou pelo caminho: 15,97 a 12,44 foi o resultado.

Tubarão parou a segunda bateria da final

Filipe Toledo chegou na final com duas vitórias em 2021 na WSL – Surf Ranch Pro e Margaret River Pro – e mesmo entrando forte na primeira bateria acabou perdendo para Gabriel Medina.

A decisão nas águas californianas ficou marcada pela presença de um tubarão na área, o que motivou o resgate pela organização. O tubarão parou a segunda bateria da final, mas não mudou a dinâmica entre os surfistas. Faltavam menos de 20 minutos e uma manobra virtuosa valeu a vitória a Gabriel Medina, que selou a conquista com seu backflip imagem de marca.

  • 1ª bateria: 16,30 a 15,70
  • 2ª bateria: 17,53 a 16,36

“Conquistei o meu maior objetivo no surfe. Estou chorando agora porque é um mix de emoções. Estou feliz, emocionado. Sou feliz de fazer parte de um time (brasileiro). Eles me puxam e eu puxo o nível deles”, contou emocionado logo após a final.

O tricampeonato coloca Gabriel Medina no mesmo patamar de Tom Curren (EUA), Andy Irons (HAV) e Mick Fanning (AUS). O brasileiro junta 2021 aos títulos mundiais de 2014 e 2018, ele que entrou na WSL em 2011.