Legado japonês no Brasil, judô volta às origens em Tóquio 2020

Imigração japonesa contribuiu para a difusão do esporte no país. Confira grandes nomes brasileiros do judô em Jogos Olímpicos. Competições começam neste fim-de-semana.

Virgílio Franceschi Neto
Foto: 2021 Getty Images

Mais de um século se passou desde que o navio Kasato Maru chegou ao porto de Santos trazendo os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil. Começava ali a chegada de um povo que trazia na bagagem, muita esperança, coragem, conhecimento e várias modalidades esportivas. O judô era uma delas.

Estabelecido no Japão no último quarto do século 19 pelo mestre Jigoro Kano, a partir dos anos 1920 e 1930 do século seguinte o "caminho suave" (tradução de Judô para o português) passou a ser praticado de maneira mais organizada no Brasil, sobretudo nas grandes cidades como Belém, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Em um segundo momento em cidades da Alta Paulista e do Norte Pioneiro do Paraná. Muitos dos professores tinham sido alunos de Jigoro Kano.

A difusão do esporte continuou pelo país e possui uma rica história. Incluído no programa Olímpico desde os Jogos de Tóquio 1964, o Brasil foi sede do Campeonato Mundial logo em 1965. Não levaria tempo para formar grandes referências.

Chiaki Ishii

Primeiro medalhista Olímpico do judô brasileiro, Chiaki Ishii desembarcou no país em 1964, aos 22 anos, vindo de Ashikaga e embarcado no porto de Yokohama. Veio para realizar novos sonhos após perder a seletiva japonesa da modalidade para os Jogos Tóquio 1964.

Vindo de uma família de judocas - o pai de Ishii foi discípulo de Jigoro Kano - e sendo o esporte bastante difundido dentro da comunidade japonesa no Brasil, voltou a se envolver com o esporte e foi conseguindo excelentes resultados que chamaram a atenção de dirigentes esportivos locais. Optou por naturalizar-se brasileiro e classificou-se na seletiva do judô para a delegação do país nos Jogos Munique 1972.

Aos 30 anos de idade Chiaki Ishii conquistou a primeira medalha Olímpica para o judô do Brasil, a de bonze, na categoria meio-pesado. Era a primeira de uma série de 22 medalhas em Jogos que a modalidade deu ao país, tendo sido 4 de ouro, 3 de prata e 15 de bronze.

Sarah Menezes entre Alina Dumitru (ROM), Eva Csernoviczki (HUN) e Charline Van Snick (BEL), medalhistas do judô nos Jogos Olímpicos Londres 2012
Foto: 2012 Getty Images

Grandes nomes do judô do Brasil em Jogos Olímpicos

Nos Jogos Los Angeles 1984, o paulista Walter Carmona conquistou a medalha de bronze na categoria médio, Luiz Onmura foi bronze na categoria leve e Douglas Vieira prata no pesado. O primeiro ouro aconteceu apenas em Seul 1988, com Aurélio Miguel, na categoria meio-pesado. O segundo título Olímpico aconteceu em Barcelona 1992, com Rogério Sampaio, no meio leve.

Nos Jogos Atlanta 1996, bronze em duas ocasiões: Henrique Guimarães no meio-leve e a segunda medalha Olímpica para Aurélio Miguel, também no meio-pesado. Quatro anos mais tarde, em Sydney 2000, medalhas de prata com Carlos Honorato (categoria médio) e Tiago Camilo (categoria leve). Nos Jogos Atenas 2004, mais duas medalhas, desta vez de bronze com Flávio Canto (meio-médio) e Leandro Guilheiro (leve), que voltaria a ser medalhista de bronze em Beijing 2008, além do bronze no meio-médio para Tiago Camilo e da primeira medalha em Jogos para uma brasileira em um esporte individual: Ketleyn Quadros - uma das porta-bandeiras do Brasil na Cerimônia de Abertura dos Jogos Tóquio 2020 - foi bronze na categoria leve.

Londres 2012 reservou o melhor desempenho para o judô do Brasil em Jogos Olímpicos, com 4 medalhas. A piauiense Sarah Menezes foi ouro na categoria ligeiro. Mayra Aguiar, Felipe Kitadai e Rafael Silva foram bronze nas categorias meio-pesado, ligeiro e pesado, respectivamente.

Finalmente, nos Jogos Rio 2016, Rafaela Silva foi ouro na categoria leve. Mayra Aguiar e Rafael Silva repetiram os Jogos anteriores, na Grã-Bretanha, com bronze em suas categorias.

O Brasil no judô dos Jogos Tóquio 2020 em 2021

O Budokan de Tóquio, casa das artes marciais japonesas, é onde o país começará a disputa por medalhas em Jogos nesta sexta-feira (23 de julho) a partir das 23:00 (horário de Brasília), na categoria ligeiro. O bloco final acontece na manhã de sábado (dia 24) a partir das 5:00 (horário de Brasília). A programação é a mesma, feminino e masculino, com uma categoria de peso por dia. O evento por equipes acontecerá no sábado, dia 31 de julho.

Confira os primeiros confrontos dos judocas brasileiros:

  • 48kg - Gabriela Chibana x Harriet Bonface (MAW)
  • 52kg - Larissa Pimenta x Agata Perenc (POL) 
  • 63kg - Ketleyn Quadros x Cergia David (HON)

  • 70kg - Maria Portela x Nigara Shaheen (EOR)

  • 78kg - Mayra Aguiar x espera vencedora de Munkhtsetseg Otgon (MGL) x Inbal Lanir (ISR)
  • +78kg - Maria Suelen Altheman x espera vencedora de Anamari Velensek (SLO) x Nina Cutro-Kelly (USA)

  • 60kg - Eric Takabatake x Soukphaxay Sithisane (LAO)

  • 66kg - Daniel Cargnin x Mohamed Abdelmawgoud (EGY)
  • 73kg - Eduardo Barbosa x Guillaume Chaine (FRA)

  • 81kg - Eduardo Yudy x Sagi Muki (ISR)

  • 90kg - Rafael Macedo x Islam Bozbayev (KAZ)
  • 100kg - Rafael Buzacarini x Toma Nikiforov (BEL)
  • +100kg - Rafael Silva x espera vencedor de Ushangi Kokauri (AZE) x Mathias Sarnacki (POL)