Hilary Knight lidera time dos EUA e luta por igualdade de gênero no hóquei no gelo 

O torneio feminino em Beijing 2022 começa em 3 de fevereiro e terá as atuais campeãs americanas iniciando a campanha diante do forte time finlandês. Saiba mais sobre Hilary Knight, uma líder dentro de fora do rinque.

Sheila Vieira
Foto: 2021 Getty Images

Com uma medalha de ouro em PyeongChang 2018 e outras duas pratas Olímpicas, Hilary Knight, 32, está longe de se acomodar. O objetivo da americana, que retorna nos Jogos Olímpicos de Inverno Beijing 2022, é lutar por melhores condições para o hóquei no gelo feminino.

“Nossa missão é ‘se ela pode ver, ela pode ser’. Temos um grande papel em poder facilitar trazer o hóquei a todos e fazê-lo ser mais acessível e diverso”, ela disse ao Just Women’s Sports.

Hegemonia norte-americana

O espírito feminista vem desde a infância. Aos cinco anos, ela ouviu da avó que ‘meninas não jogavam hóquei’. Knight ignorou o conselho e chegou à seleção americana aos 17. Em seu segundo ano na NCAA, ela já era a maior goleadora, e sua avó se tornou sua maior fã.

Com suas companheiras dos EUA, Knight foi oito vezes campeã mundial e é uma das principais personagens da rivalidade entre os países da América do Norte.

Das seis finais disputadas até hoje no hóquei no gelo Olímpico feminino, houve apenas um time que não fosse EUA ou Canadá na decisão, a Suécia, prata em Torino 2006. As americanas triunfaram em Nagano 1998 e PyeongChang 2018, enquanto as canadenses levaram a melhor nas outras quatro edições.

Igualdade salarial

A formação da NWHL (Liga Nacional Feminina de Hóquei) em 2015 parecia ser uma boa notícia para o desenvolvimento do esporte entre as mulheres. No entanto, durante a segunda temporada, cortes salariais foram anunciados.

Em 2017, as jogadoras anunciaram um boicote ao Campeonato Mundial, insatisfeitas com os US$ 6.000 que recebiam anualmente. Apesar de ser o mesmo número dos homens, a equipe masculina ganhava milhões de seus clubes da NHL. A USA Hockey aumentou a quantia para US$ 70 mil anuais para o time feminino, além de oferecer bônus.

“Nossa luta pela igualdade no esporte... foram meses de negociação. Estava antecipando o impasse, o que foi uma pena, mas estávamos muito determinadas e queríamos estabelecer uma fundação para as novas gerações”, disse Knight.

“Passar por essa situação fora do gelo, não é possível recriar isso. Você não vê alguém formar uma equipe que construa esse tipo de confiança, essa união, essa paixão”, completou.

Os EUA venceram o Mundial logo em seguida, com gol de Knight no tempo extra. “É algo que transcende o nosso esporte”, afirmou. “Você desperta algo nas pessoas para realmente buscar algo com determinação”.

Porém, ainda faltava o ouro Olímpico para Knight.

Enfim, o ouro

A primeira vitória dos EUA desde Nagano 1998 em Jogos Olímpicos não foi fácil. As americanas derrotaram as canadenses nos shoot-outs em PyeongChang 2018.

“Finalmente ganhamos o ouro, o que dá mais legitimidade ao nosso programa. Claro que a medalha é muito legal, mas poder compartilhar essa jornada com os mais jovens é muito bom”, ela disse ao Sports Section.

Ela também dividiu a vitória com sua avó antes da sua partida. “Um dos meus objetivos era trazer o ouro antes de ela falecer e consegui. Nunca esquecerei o jeito que ela segurou aquela medalha. Não queria tirar do pescoço”, lembrou.

Criação de associação de jogadoras 

No ano seguinte, um baque. A CWHL (Liga Canadense de Hóquei Feminino), onde Knight jogava, foi dissolvida. No dia seguinte, ela e outras jogadoras lançaram a Associação de Jogadoras Profissionais de Hóquei Feminino (PHWPA em inglês). Ela disseram que não jogariam em nenhuma liga profissional se não recebessem uma compensação justa.

Outra vitória das jogadoras foi incluir times femininos no videogame oficial da NHL.

Hilary Knight treina em Wukesong para os Jogos de Inverno Beijing 2022.
Foto: GETTY IMAGES

A possível despedida

Possivelmente em sua última edição Olímpica, Knight espera que a renovada seleção dos EUA possa defender o título.

“As garotas mais jovens estão olhando para nós, também os meninos que inspiramos a colocar os patins e fazer o seu melhor a cada dia. É uma grande honra e também uma enorme responsabilidade que não subestimamos”, ela disse à NBC.

Será que vai dar Canadá contra EUA mais uma vez?

“Claro que o Canadá e a Finlândia são muito bons e a Rússia [ROC] é boa também. Então vai ser interessante ver. Não pudemos jogar contra esses times por bastante tempo”, afirmou Knight à People.

“Eu vivo por essa sensação no estômago, com os cabeços na nuca arrepiando. Não há nada igual. É aquela adrenalina de que chegou o momento e a antecipação do puck caindo, é quando sou mais feliz. Então sou animada para isso”, finalizou.

Veja a programação completa do hóquei no gelo em Beijing 2022

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