Dia Mundial da Língua Portuguesa: as diferenças no vocabulário esportivo entre português europeu e brasileiro

Em 5 de maio comemora-se o dia mundial da língua portuguesa. É falada por centenas de milhões de pessoas e em várias partes do mundo, o que também a torna rica e dinâmica em diversos aspectos. O Olympics.com preparou uma espécie de glossário, com algumas curiosas diferenças no vocabulário relacionado ao esporte que existe no idioma.

Virgílio Franceschi Neto
Foto: 2010 Getty Images

Em 2009 a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) oficializou o 5 de maio como o Dia Mundial da Língua Portuguesa. O objetivo é promover o sentido de comunidade e de pluralismo dos falantes do português, quinta língua mais falada no mundo, terceira no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste falam o português. Guiné-Equatorial também o considera idioma oficial. É ainda partilhado por centenas de milhares de pessoas em Macau, China e em alguns territórios na Índia, como a cidade de Goa. Aliás, foi lá realizada a última edição dos Jogos da Lusofonia, em 2014, evento organizado pela Associação dos Comitês Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP), que busca integrar o universo lusófono pelo esporte.

Naturalmente, as principais vertentes do português - europeu e brasileiro - possuem diferenças de vocabulário que também não notáveis no esporte. Descubra algumas delas!

Os países de língua portuguesa nos Jogos

No âmbito do Olimpismo, Portugal foi o primeiro a participar de uma edição de Jogos, em Estocolmo 1912. Oito anos mais tarde marcou a estreia do Brasil, em Antuérpia 1920. Seis décadas depois, em Moscou 1980, viu-se a estreia de Angola e Moçambique. Em Atlanta 1996 foi a vez da Guiné-Bissau e dos arquipélagos de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Quatro timorenses estiveram em Sydney 2000 como Atletas Olímpicos Independentes. Anos depois, com soberania política reconhecida internacionalmente, Timor-Leste esteve em Atenas 2004, o que faz do país o caçula a estrear em Jogos entre os que falam o português.

Aliás, "caçula" é uma palavra de origem angolana que sugere "o mais novo", "a mais recente", bastante difundida e usada também em outros países lusófonos.

O número de falantes e nações que têm o português como idioma oficial, o torna rico e dinâmico, sujeito a constantes mudanças. É natural que surjam diferenças, expressões conhecidas em alguns lugares e desconhecidas em outros. Se acontece com a palavra "caçula", acima mencionada, no universo do esporte não é diferente.

Ou do "desporto", a depender de onde estiver.

Maria Mutola, de Moçambique, celebra conquista da medalha de ouro nos 800m dos Jogos Olímpicos Sydney 2000.

(H)andebol e outras diferenças (d)esportivas

Algumas modalidades são conhecidas, faladas e escritas de maneira distinta, entretanto suas essências e princípios são os mesmos. Exemplos são o andebol (português europeu), que ganha um h no Brasil ("handebol"). Esqui de fundo em Portugal vira esqui cross-country no Brasil, assim como o luso equestre equivale ao brasileiro hipismo. Já o hóquei em campo é conhecido no Brasil como hóquei sobre grama.

A palavra "desporto" é menos comum no Brasil, mas inserida em um contexto oficial, como por exemplo no âmbito do direito (direito desportivo) e nos nomes de algumas confederações, como a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG) e a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN).

De acordo com o dicionário, "esporte" é uma adaptação do inglês sport. "Desporto" tem origem no latim, em que o de sugere afastamento e portare é porto, lugar. Ou seja, afastar-se de uma posição e movimentar-se, distrair-se.

Outros esportes têm particularidades na nomenclatura, umas mais sutis, outras menos. De volta ao programa Olímpico desde os Jogos Rio 2016 em sua variante de sete atletas, rugby em Portugal é râguebi, e no Brasil é rúgbi. No entanto, opta-se pela escrita que tem como referência a cidade inglesa onde surgiu a modalidade: Rugby.

O esporte cuja tradução do japonês é "caminho suave", em Portugal se conhece por "judo", palavra paroxítona (a sílaba tônica é a penúltima). No Brasil, ela é oxítona (a última sílaba é a tônica) e, por isso, recebe o acento circunflexo: "judô". Outras diferenças nos acentos estão em "tênis" e "ténis", "vôlei" e "vólei", no qual os brasileiros usam o acento circunflexo e os falantes de português europeu o acento agudo.

Angolanas comemoram vitória sobre o Japão pela fase de grupos do torneio Olímpico de handebol em Tóquio 2020.
Foto: GETTY IMAGES

Estandarte ou bandeira?

Se falar "guarda-redes" no Brasil, vão estranhar. Melhor dizer "goleiro", e isso serve para tanto para o futebol quanto para outros esportes, como o (h)andebol. Em Portugal melhor referir a "4x100m estafetas" para o "revezamento 4x100m" do atletismo. No basquete, "afundanços" (Portugal) e "enterradas" (Brasil) são a mesma coisa.

Nas Cerimônias de Abertura e Encerramento dos Jogos, "porta-estandarte" (Portugal) e "porta-bandeira" (Brasil) são iguais designações para quem conduz o pavilhão nacional.

Talvez pela popularidade, o futebol acaba por ser um manancial de expressões e, consequentemente, das suas diferenças em diversas partes do mundo lusófono. Por "mister" se conhece como sendo - sobretudo em Portugal - o treinador do plantel, termo que ano após ano é mais comum no Brasil, sendo que o sucesso dos técnicos portugueses (Jorge Jesus e Abel Ferreira) é hipótese para isso.

O brasileiro sabe o que é uma "torcida", palavra nada comum em outros países que falam a mesma língua. "Tiro de canto" (Portugal) e "escanteio" (Brasil) referem-se ao chute na esquina do campo para reintroduzir a bola em jogo. Por fim, quando a partida termina, é comum o fã - em Portugal e outros países - acompanhar o "rescaldo" do jogo através de emissoras de rádio e televisão. No Brasil, programas desta natureza - de análises e debates - são popularmente conhecidos como "mesas redondas".

Até o verbo usado para definir se um atleta ou time garantiu um lugar na próxima fase ou em um campeonato pode causar confusão. Enquanto os portugueses usam "apurar-se", os brasileiros preferem "classificar-se".

Campeão Olímpico, o estadunidense Carl Lewis encontra atletas timorenses antes da Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos Sydney 2000.

São essas curiosas particularidades que tornam a língua portuguesa riquíssima, repleta de detalhes, mantendo sua essência, sonoridade e significado para os seus falantes na Europa, na África, na Ásia e na América do Sul. O idioma facilita e proporciona intercâmbios, trocas de experiência e partilha de conhecimento, que só fazem o esporte e, consequentemente, o Olimpismo, crescerem.

Viva a língua portuguesa!

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