Conheça os irmãos brasileiros aventureiros que tentam a classificação para Beijing 2022

Sebastian e Dominic Bowler disputam a última classificatória do halfpipe para tentar o índice Olímpico. Se você acha que o esqui é arriscado demais, saiba que eles também gostam de saltar de penhascos!

Sheila Vieira
Foto: Sebastian Bowler

Atletas de inverno são pessoas especialmente corajosas. Afinal, não é qualquer pessoa que se arrisca a descer uma montanha em esquis enquanto dá saltos de metros de altura, fazendo piruetas e mortais.

Mas tudo fica mais fácil quando você tem um companheiro e quando ele é o seu irmão!

Os brasileiros Sebastian (17 anos) e Dominic Bowler (20), que tentam a classificação para os Jogos Olímpicos de Inverno Beijing 2022 no halfpipe e slopestyle do esqui estilo livre, mostram que é possível competir e se divertir ao mesmo tempo.

Confira a entrevista dos irmãos ao Olympics.com, levemente editada por clareza e brevidade.

Olympics.com (OC): Vocês gostam mais de slopestyle, mas focaram mais no halpipe neste ano. Como foi essa mudança?

Sebastian Bowler (SB): Escolhemos halfpipe porque tinha mais eventos antes dos Jogos, mais chance de obter os critérios mínimos (top 30 na Copa do Mundo e 50 pontos FIS). O treinamento é certamente diferente, porque o slopestyle e o halfpipe são completamente diferentes, a forma que você faz as transições, as rotações.

Dominic Bowler (DB): É com certeza diferente. Nós não fazíamos halfpipe há anos, mas conseguimos progredir rapidamente.

OC: Vocês nasceram e cresceram nos EUA e são filhos de mãe brasileira (a ex-trialeta Annette Bowler). Por que então decidiram competir pelo Brasil?

SB: Sempre quisemos representar o Brasil. Era mais uma questão de progredirmos ao ponto de conseguir resultados expressivos. Então falamos com a Confederação Brasileira de Desportos na Neve e tudo foi acertado.

DB: Foi quase um ‘pitch’ de negócios. Falamos ‘oi, queremos representar vocês, há alguma maneira de fazer isso funcionar?’

OC: A Sabrina Cass, do moguls, que também decidiu representar o Brasil, chegou a conversar com vocês sobre isso, certo?

SB: Sabíamos que ela estava representando os EUA antes, mas a situação dela era diferente, porque ela já havia disputado vários torneios pelos EUA. A gente estava em um ponto de decidir e optamos pelo Brasil.

OC: Como é a ligação de vocês com o Brasil?

SB: Viajamos para o Brasil nossa vida inteira, todos os verões, por cerca de seis semanas. A nossa família é de Ilha Bela (SP). A gente ficava com nossos primos lá, sempre na praia, comendo comida local, tomando açaí. Nós nos inserimos na vida lá.

DB: Gostava de jogar futevôlei com as crianças na praia, mesmo não falando português eles me recebiam super bem.

OC: Por que vocês decidiram se tornar atletas competitivos de freestyle?

DB: Geralmente é chato treinar na maioria dos esportes, mas o freestyle foi a primeira vez que eu achei legal treinar. Eu queria treinar numa terça-feira chovendo. Você pode esquiar como quer, usar a linha que quiser, vestir o que quiser, não há tantas regras. No nível competitivo com certeza há manobras e coisas que você precisa fazer, mas você pode fazer com o seu estilo, no seu tempo e com o seu processo mental. É diferente do esqui alpino em que tudo é muito regrado.

SB: É um esporte em que você é muito independente em relação à maneira que você se comporta e se motiva. É algo bem individual.

OC: E que outras coisas radicais vocês gostam de fazer?

DC: Pular de penhascos e de cachoeiras altas fazendo rotações e manobras, dirigir, mountain bike.

OC: Vocês acham que a cultura do esqui estilo livre é diferente dos outros esportes de esqui?

SB: Sim. Todo mundo é amigo de todo mundo. Todo mundo torce pelo outro. Não existe rivalidade. Não existe desgostar de alguém por ser melhor que você. É como se todos fôssemos parte da mesma equipe, como um time de futebol. Todo mundo trabalha junto para melhorar.

DB: Um cresce com o crescimento do outro. Você precisa de outras pessoas para aprender. É diferente do esqui alpino em que você só quer correr mais rápido que o outro.

OC: Como vocês veem a possibilidade de brasileiros que moram no Brasil de praticar esportes de inverno?

DB: Queremos influenciar brasileiros a praticar os esportes. Mesmo sem a neve, você pode fazer saltos, rotações, manobras, você consegue se sentir independente e livre para praticar o esporte.

Dominic Bowler compete em Copper Mountain no Grand Prix de esqui estilo livre em dezembro de 2021.
Foto: 2021 Getty Images

Última chance de classificação

Os irmãos Bowler disputam em Mammoth Mountain, nos EUA, a última etapa de Copa do Mundo que dá chances de classificação para Beijing 2022. A etapa será entre 6 e 8 de janeiro.

No halfpipe, os dois já têm um dos critérios mínimos de classificação, o top 30 em uma etapa da Copa do Mundo. Porém, ainda falta atingir os 50 pontos FIS.

SEJA OLÍMPICO, GANHE TUDO ISSO.

Eventos esportivos ao vivo gratuitos. Acesso ilimitado a séries. Notícias e destaques olímpicos sem igual