Sobe na prancha: como o snowboard se relaciona com o skate e o surfe

Um dos esportes mais populares dos Jogos Olímpicos de Inverno é um ‘primo’ mais novo de outros esportes de verão. Estrelas como Shaun White e Hirano Ayumu competiram nos dois e a skatista brasileira Leticia Bufoni também gosta de aproveitar a neve. Saiba mais sobre como esses esportes são interligados.

Sheila Vieira
Foto: 2021 Getty Images

Quem gostou da integração do skate e do surfe aos Jogos Olímpicos tem várias opções de esportes radicais para assistir nos Jogos Olímpicos de Inverno Beijing 2022 a partir de 4 de fevereiro. O snowboard, no entanto, tem mais em comum com eles do que a adrenalina.

O surfe é o ancião dos boards, com registros de equipamentos usados para ‘pegar’ ondas na civilização inca e em povos antigos da Polinésia e do Havaí. No início do século 20, os havaianos transformaram a atividade em esporte.

No meio do século 20, grupos na Califórnia quiseram imitar a sensação do surfe em terra firme e assim se desenvolveu o skate, que também ficou conhecido por promover mais um estilo de vida do que a competitividade.

Por ser mais jovem, o snowboard tem origens mais conhecidas e um inventor oficial, o americano Sherman Poppen, que em 1965 juntou dois esquis com uma corda para imitar uma prancha e o chamou de ‘snurfer’ - junção em inglês de snow (neve) e surfer (surfista). Durante a década de 80, o esporte explodiu de popularidade e ganhou uma Federação Internacional.

O norueguês Terje Haakonsen compete no Mundial de snowboard em 1995.

Snowboard, skate e surfe: as diferenças

Enquanto o surfe demanda mais improviso, devido à imprevisibilidade dos mares, no skate e no snowboard o maior medo é a queda, que pode resultar em lesões graves. Com o surfe, o snowboard compartilha a altura dos aéreos, mas as manobras do esporte de inverno são mais parecidas tecnicamente com as do skate, especialmente no halfpipe (pista de formato de meio de U) e no slopestyle (os atletas usam corrimões e objetos diferentes).

Uma diferença fundamental do snowboard para os outros dois esportes é que o equipamento fica preso aos pés do atleta. Uma pequena ajuda tendo em vista os riscos de cair de vários metros de altura em uma montanha de neve. Beijing 2022 terá um novo evento, o big air, no qual os atletas se lançam de uma mega rampa de 164m de comprimento e 60m de altura e fazem manobras no ar.

Apesar de ser o ‘primo’ jovem entre os três esportes, o snowboard foi o primeiro a entrar no programa Olímpico, em Nagano 1998, enquanto o surfe e o skate estrearam em Tóquio 2020, em 2021. Durante esse intervalo, muitos skatistas de formação se aventuraram na neve em busca da glória Olímpica.

Shannon Dunn, dos EUA, compete no snowboard halfpipe em Nagano 1998.
Foto: Bongarts

Shaun White: a melhor transição

Um dos pupilos do lendário skatista Tony Hawk, Shaun White é o maior caso de sucesso de transição do skate para o snowboard. O americano ganhou cinco medalhas de X Games no skate vert e 18 na neve.

White é tricampeão Olímpico do snowboard halfpipe e tentará o tetra em Pequim. Ele chegou a buscar a classificação para o skate park (que não é sua especialidade) em Tóquio, mas desistiu após um 13º lugar no Mundial em São Paulo em 2020.

“O park é algo novo para mim. Tem sido difícil trazer minhas manobras da rampa de vert para o bowl”, White disse em São Paulo. “Ir nessa direção [afastar-se do snowboard] era algo que não me deixava confortável e não posso escolher esse caminho com tudo que tenho na neve”.

Para o site Essentially Sports, White comentou que o snowboard melhorou os seus aéreos no skate. “Eu faço big air e halfpipe no snowboard e quando vou para a rampa vert [do skate], não parece grande para mim. Não me intimida”, contou.

Hirano Ayumu: de Tóquio para Pequim

Favorito para o evento do halfpipe em Beijing 2022, o japonês Hirano Ayumu conseguiu disputar o skate em Tóquio após duas pratas Olímpicas no snowboard, em Sochi 2014 e PyeongChang 2018. Hirano foi 14º no skate park em casa.

“O tempo que passei no vert influenciou a minha postura, para onde devo olhar e o equilíbrio do peso. É por isso provavelmente que consigo fazer o percurso de ponta a ponta sem cair, mantendo a velocidade para fazer as manobras”, contou Hirano ao Olympic Channel.

Apesar de jamais ter tentado competir profissionalmente no snowboard, a brasileira Leticia Bufoni gosta de encarar as montanhas durante as férias, bem como surfar nos meses mais quentes.

Acompanhe o snowboard em Beijing 2022 a partir de 5 de fevereiro, com estrelas como Shaun White, Hirano Ayumu, Chloe Kim e Jamie Anderson.

O Olympics.com transmite toda a ação de Beijing 2022 ao vivo para o território brasileiro.

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