Leila Silva, das Yaras, em sua segunda Copa do Mundo de Rugby Sevens: 'Estamos no caminho certo'

Em conversa com o Olympics.com, scrum-half da seleção brasileira feminina de rugby sevens relembrou sua trajetória, falou da ansiedade para Paris 2024 e sobre suas expectativas para mais uma Copa, que acontece de 9 a 11 de setembro.

Virgílio Franceschi Neto
Foto: FotoJump/CBRu

A seleção brasileira feminina de rugby sevens, conhecida como “as Yaras”, já está na África do Sul para a disputa da Copa do Mundo, de 9 a 11 de setembro, em sua quarta participação.

Uma das mais experientes do time é Leila Silva, scrum-half com 25 anos de idade, 15 deles dedicados ao rugby. Uma relação que começou por acaso: “Eu jogava tênis e fui para o rugby. Não era tão sociável e queria preservar os poucos amigos que já tinha”, disse.

Tempos depois, em 2017, também por acaso começou o seu envolvimento com a seleção. Era a última etapa do circuito mundial, na França, quando foi convocada. Sequer pensava em defender as Yaras, pensava apenas no clube, as Leoas de Paraisópolis, lugar onde cresceu.

Estudante do quinto período do curso de serviço social, o esporte para ela proporcionou várias oportunidades. Situações que não permitem hesitar, algo que a vida lhe mostrou.

Ansiosa, destemida e faminta pela vida, vai para a sua segunda presença em Mundiais e conversou com o Olympics.com sobre as expectativas para o torneio.

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Leila, das Yaras, a seleção brasileira feminina de rugby sevens.
Foto: FotoJump/CBRu

De Paraisópolis para o Mundo

Revelada pelo projeto “Rugby para Todos” na comunidade paulistana de Paraisópolis, Leila aprendeu com o esporte a se expressar. Antes introvertida, o esporte deu a ela uma direção, tomar decisões não apenas dentro, mas fora de campo. “O esporte ajudou a me formar como pessoa”, comentou.

Para jogar, precisava ir bem na escola. Com o tempo tomou gosto pelos estudos, que levaram-na para um curso superior. Ao mesmo tempo, cresceu na modalidade. No entanto, sem grandes pretensões, dedicava-se apenas ao clube.

Típico da juventude, procurava apenas divertir-se. Uma diversão que levava a sério e que rendeu um convite para atuar pelas Yaras, há cinco anos.

“Viver aquele momento (com a seleção) me fez sentir algo diferente. Quis ter aquele sentimento, sempre. Reacendeu a paixão que eu já tinha de jogar”, lembrou-se.

Tinha 20 anos.

No ano seguinte, em 2018, estava no plantel que foi 13º colocado na Copa do Mundo realizada em São Francisco (Estados Unidos). Disputou etapas do circuito mundial, Jogos Pan-americanos e esteve nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020.

Na capital japonesa, chegou lesionada, mas recuperou-se a tempo de entrar em campo. “Foi um misto de estresse e alívio”, recorda-se.

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Em junho passado, foi uma das protagonistas na campanha do 20º título sul-americano, em torneio realizado na cidade fluminense de Saquarema.

Nome praticamente garantido na lista do treinador Will Broderick para a Copa do Mundo de setembro, o que se confirmou no final de agosto.

Brasileiras do rugby sevens comemoram o 20º título sul-americano das Yaras, em junho de 2022, em Saquarema/RJ.
Foto: FotoJump/CBRu

Leila vai para a sua segunda Copa do Mundo

A Copa do Mundo tem um formato simples, eliminatório desde o primeiro jogo. Já começa nas oitavas de final.

Se perdeu, está fora.

A estreia será contra a Irlanda, na sexta-feira, dia 9 de setembro. Uma partida que não permite ter dúvidas. Ou melhor, hesitar. “É preciso fazer o máximo possível para elas não jogarem. Se formos cautelosas, vamos dar espaço para elas crescerem no jogo”, comentou Leila. “Se a gente chutar, temos que recuperar a bola o quanto antes e mantê-la. Nossa defesa é a pressão”, acrescentou.

Em sua segunda participação em mundiais, ela faz parte de um plantel cuja metade vai participar do torneio pela primeira vez. Consequência do trabalho com a base e com a variante de quinze jogadoras, situações cada vez mais observadas no país: “As mais novas chegam muito fortes...e o rugby de quinze atletas é um ambiente mais acolhedor. Estamos no caminho certo...o rugby do Brasil tem crescido muito”, refletiu.

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Não pensa nas adversárias, procura concentrar-se no que é preciso fazer. Mas logo Leila fica inquieta: “Nossa, já fico ansiosa de pensar nesse primeiro jogo, de visualizá-lo e imaginar todos os cenários, as possibilidades que existem.” E acrescenta: “É preciso pensar em jogar apenas. Saber o que temos que fazer, isso já sabemos.”

Inquietação e ansiedade são suas marcas registradas. Carrega uma frase tatuada que deixa clara essa sua característica: “Tenho fome”. Fome de quê? “Tenho fome de viver, de ir em frente, de realizações”, explica.

Realizações que precisam de motivação.

Sobre o que a motiva, Leila menciona o grupo das Yaras. “O meu time. O time que está comigo. Quando a gente se une pelo propósito.” Segundo ela, o medo existe, mas o grupo vai acima do indivíduo: “Tenho medo de muitas coisas, mas eu não deixaria o meu time por causa do medo.”

Seleção brasileira feminina de rugby sevens, as Yaras, 20 vezes campeã (icosacampeã) sul-americana em 2022.
Foto: FotoJump/CBRu

Expectativa para Paris 2024

Leila não pensa em parar tão cedo. Quer trabalhar com serviço social e seguir sua carreira como atleta. Até onde conseguir.

Quer estar em Paris 2024 e voltar ao país onde debutou com as Yaras há quase cinco anos.

“Só de pensar (nos Jogos Olímpicos 2024) fico ansiosa. São mais três anos...fico inquieta...’não está chegando ainda’, falo para mim mesma. Mas preciso pensar em tudo o que acontece antes dos Jogos. Tem muita coisa importante para acontecer.”

Para começar, uma Copa do Mundo.

Se a experiência de quinze anos no esporte a deixa mais tranquila? No que diz respeito a saber o que tem que fazer, sim. Mas o frio na barriga no túnel de acesso ao campo, é inevitável, e termina: “Sempre sinto a mesma coisa. Todo jogo sinto como se fosse o primeiro.”

Copa do Mundo Feminina de Rugby Sevens 2022

A quarta edição do torneio acontece de 9 a 11 de setembro, na Cidade do Cabo, na África do Sul.

São 16 seleções em competição a ser disputada em formato eliminatório. O primeiro jogo já vale pelas oitavas de final.

Nas três edições anteriores, a Austrália foi campeã em 2009, enquanto que a Nova Zelândia é a atual bicampeã (2013 e 2018).

As seleções participantes são: Brasil, Colômbia; Canadá e Estados Unidos; a anfitriã África do Sul e Madagascar; Japão e República Popular da China; Nova Zelândia, Austrália e Fiji; França, Inglaterra, Irlanda, Polônia e Espanha.

O Brasil na Copa do Mundo feminina de Rugby Sevens 2022

A estreia das Yaras na competição será na sexta-feira dia 9 de setembro, contra a Irlanda, às 8:54 (horário de Brasília).

O plantel das Yaras para a Copa do Mundo

1. Mariana Nicolau – São José RC (SP)
2. Luiza Campos – Charrua RC (RS)
3. Larissa Alves – Curitiba RC (PR)
4. Leila Silva – Leoas de Paraisópolis (SP)
5. Thalia Costa – Delta RC (PI)
6. Isadora Lopes – Melina Rugby (MT)
7. Aline Furtado – USP (SP)
8. Marina Fioravanti – Band Saracens (SP)
9. Gabriela Lima – El Shaddai (RJ)
10. Andressa Alves – El Shaddai (RJ)
11. Bianca Silva – Leoas de Paraisópolis (SP)
12. Marcelle Souza – El Shaddai (RJ)

Treinador: William Broderick

Onde assistir à Copa do Mundo feminina de Rugby Sevens 2022

O evento será transmitido para o território brasileiro através da plataforma STAR+.

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