Kelvin Hoefler é prata no skate e conquista primeira medalha do Brasil em Tóquio 2020

Na primeira disputa de medalha do esporte estreante nos Jogos Olímpicos, japonês Horigome fica com o ouro e skatista do Guarujá chega ao Olimpo.

Sheila Vieira
Foto: 2021 Getty Images

O skate é Olímpico, e o Brasil já faz parte dessa história.

O país conquistou sua primeira medalha em Tóquio 2020 justamente na estreia Olímpica do skate, um dos esportes mais populares entre os jovens. A prova do street masculino premiou os anfitriões japoneses com a vitória de HORIGOME Yuto e consagrou o skatista brasileiro Kevin Hoefler, medalhista de prata.

Grande favorito, o americano Nyjah Houston sequer foi ao pódio. Seu compatriota Jagger Eaton ficou com a medalha de bronze.

Prova acirrada do começo ao fim

Nas eliminatórias, Kevin Hoefler teve um sólido desempenho em sua bateria, acumulando 34.69 de pontuação e ficando na quarta posição geral antes da final. Os outros dois brasileiros na competição ficaram fora da decisão. Giovanni Vianna ficou em décimo segundo, duas posições acima de Felipe Gustavo.

Já o português Gustavo Ribeiro conquistou 32.66 na classificatória e levou a última vaga da final. Com uma série lesão recente na clavícula, Ribeiro ficou em último na decisão, mas mostrou uma notável superação.

Principal estrela do street, o americano Nyjah Houston teve uma estreia Olímpica irregular e pontuou 34.87 na classificatória, ficando em terceiro lugar na classificatória. Porém, na final, ele terminou em sétimo.

Na decisão, HORIGOME marcou 37.18, Hoefler fez 36.15 e Jagger 35.35. A última manobra de Hoefler, que recebeu a nota 9.34, foi determinante para a conquista do número 4 do mundo.

"É uma sensação incrível. Não consigo descrever esse momento. Essa medalha significa muito para todos os skatistas do Brasil. [...] Eu me sinto abençoado. Fico feliz de fazer parte de tudo isso, da Vila, com todo mundo lá. É um grande momento para o skate."

- Kevin Hoefler após a prova

Kevin Hoefler de Guarujá para o mundo

Um das grandes referências mundiais da categoria street, Hoefler, de 27 anos, praticava skate e surfe quando menor. Seu pai, o policial Eneas de Souza, chegou a construir uma rampa na garagem na casa deles, já que não havia na época um bom local de treinamento.

Aos 13 anos, Hoefler começou a ganhar prêmios por seu desempenho em torneios locais e viu que seu futuro era o skate profissional. Um amigo o incentivou a se mudar para Los Angeles para crescer no esporte, assim como fez Leticia Bufoni, da mesma geração. Lá ele conheceu o sucesso e Ana Paula Negrão, sua futura esposa.

Hoefler tem dois títulos no X Games e seis em Copas do Mundo. Mesmo com todo esse currículo, ele prefere ‘comer pelas beiradas’.

“Sou aquele cara bem pacato, não chego com os dois pés no peito, por respeito aos adversários também. Venho praticando degrau por degrau. Nos últimos eventos fui tranquilinho, querendo conquistar a vaga. E agora chegou o momento de querer estar no topo. Sempre fui assim. Chego de mansinho e, na hora que eles vacilam, eu vou lá e ganho", Hoefler disse à Folha em maio. Dito e feito.

Rayssa, Pâmela e Leticia buscam o pódio

Uma das provas mais antecipadas pelos brasileiros em Tóquio 2020 enfim está chegando. O evento feminino do street será na manhã de segunda (26) em Tóquio, noite do dia 25 no Brasil. Nada menos que três brasileiras estão entre as favoritas por medalha: Rayssa Leal, de 13 anos, Pâmela Rosa, a número 1 do mundo, e Leticia Bufoni, a multicampeã. Elas tentarão formar o primeiro pódio completamente brasileiro da história dos Jogos Olímpicos.

E o skate não para por aí! As competições do evento de park (em que a pista tem mais declives e rampas) serão disputadas entre 4 e 5 de agosto, também com brasileiros em ação, como Luiz Francisco e Pedro Barros, terceiro e quarto colocados do ranking mundial.