Van der Poel honra o avô Poulidor antes de Tóquio 2020

Van der Poel se prepara para Tóquio 2020 vencendo a 2ª etapa do Tour de France e vestindo a camisa amarela, símbolo que o avô Raymond Poulidor perseguiu toda a carreira. 

Gonçalo Moreira
Foto: Photo by Dan Istitene/Getty Images

Raymond Poulidor foi uma lenda do Tour de France, mas o neto Mathieu Van der Poel promete não ficar atrás em popularidade. Neerlandês, com 26 anos de idade, sorriso fácil e milhões de fãs, Mathieu Van der Poel trabalha há anos pensando em Tóquio 2020 e no cross-county (XCO). Fenômeno multidisciplinar, o atleta do time Alpecin-Fenix é forte no XCO, no ciclocrosse e na estrada, escolhendo a maior prova de ciclismo do mundo como preparação para os Jogos Olímpicos.

A 2ª etapa do Tour de France finalizou no Muro da Bretanha, no noroeste de França. Ao sair vitorioso, Mathieu Van der Poel se coocou na liderança da prova e nenhum símbolo tem maior valor no ciclismo do que a camisa amarela do Tour de France, a mesma que fugiu do avô Raymond Poulidor durante 18 anos e que o neto tardou dois dias em capturar.

Poulidor posando no final do Tour de France de 1966, em Paris
Foto: Photo by Keystone/Hulton Archive/Getty Images

Há 36 anos que a França não vence o Tour que organiza! Quase quatro décadas de renovadas ilusões, mas também de falsas esperanças, num país que ama seus “derrotados” como nenhum outro. Raymond Poulidor nasceu, viveu e morreu na humilde Saint Léonard de Noblat, povoado rural situado perto da elegante Limoges, e se tornou ídolo da nação nos anos 60 e 70 por suas tentativas falhadas de conquistar o Tour de France.

Dono de um sorriso tão carismático quanto o do neto, Raymond Poulidor foi um fenômeno de massas no auge da popularidade do ciclismo na Europa. Segundo estatísticas da época, era conhecido por mais de dois terços dos franceses, que com ele choraram nas derrotas perante Jacques Anquetil, Felice Gimondi e Eddy Merckx, três dos maiores ciclistas da história.

  • 18 anos de carreira profissional (1962-1977)
  • 1 equipe em toda a carreira: a francesa Mercier
  • 189 vitórias
  • 14 presenças no Tour de France onde foi 3 x 2º classificado e 5 x 3º classificado
  • 342 etapas no Tour de France e 7 vitórias
  • 0 dias com a camisa amarela do Tour de France

Poupou, como era carinhosamente chamado pelos franceses, nunca cumpriu o sonho de vencer o Tour de France, mas venceu algumas das maiores competições do ciclismo de estrada. Curiosamente, aquela que escapou a Raymond Poulidor foi também a que o imortalizou.

Pode a dinastia Van der Poel-Poulidor fazer história em Tóquio 2020?

Na era das redes sociais e da sobre-exposição midiática, Mathieu Van der Poel se destaca por uma naturalidade que conquista até os rivais. Só um fenômeno é capaz de vestir as cores dos Países Baixos e despertar a paixão dos belgas, mesmo que Mathieu Van der Poel tenha nascido na Bélgica por circunstâncias ligadas à carreira do pai.

Faltava o lado paterno para explicar a combinação genética abençoada do neerlandês: profissional em final dos anos 80 e 90, Adrie van der Poel casou com Corinne Poulidor, formando uma autêntica dinastia. Um cocktail de perfeição genética que permitiu gerar mais uma estatística para a história do ciclismo: pela primeira vez em 108 edições do Tour de France, um filho (Mathieu) igualou o pai (Adrie) ao vestir a camisa amarela!

Pode a dinastia Van der Poel-Poulidor fazer história em Tóquio 2020? O XCO Olímpico está agendado para segunda-feira, dia 26 de julho, e o evento acontece no circuito de Izu, que tem 4100 metros de extensão e cada volta com um desnível positivo acumulado de 150 metros, aumentando a dureza face a anteriores edições das Olimpíadas. O cenário promete ser de sonho já que determinadas fases do percurso terão o Monte Fuji como paisagem de fundo.