Henrique Avancini projeta Brasil no mountain bike em Tóquio 2020

Mountain bike pode fazer história no cross-country Olímpico em Tóquio 2020. Quem são os favoritos? Onde decorrem as provas? Saiba tudo aqui.

Gonçalo Moreira
Foto: 2019 Getty Images

Os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, que acontecem em 2021, contarão com tripla presença brasileira no Mountain Bike (MTB) e há motivos para antecipar o melhor resultado da história na prova masculina, onde o 21º lugar de Rubens Donizete em Beijing 2008 continua sendo a referência.

A seleção será representada por Luiz Cocuzzi e Henrique Avancini no Cross-country Olímpico masculino. Avancini tem feito parte do top cinco mundial ao longo da temporada e após superar a decepção do Rio 2016 – 23º em prova marcada por chuva, quedas e lesão nas costas – se consolidou entre a elite do MTB que está dominada por duas nações: a Suíça tem Nino Schurter, campeão Olímpico, 2º em Londres 2012, 3º em Pequim 2008 e vencedor do Evento-Teste para Tóquio, e Mathias Flückiger, medalha de prata no Rio 2016 e nos últimos dois Mundiais; a França tem Jordan Sarrou, campeão mundial, e Victor Koretzky, vencedor da Copa do Mundo na presente temporada.

Mathieu van der Poel celebra título mundial júnior de estrada em 2013

Pidcock e Van der Poel colocam o MTB no mapa mediático de Tóquio

O Cross-country será dos eventos mais mediáticos do ciclismo em Tóquio 2020 em 2021 pela presença de fenômenos como o britânico Thomas Pidcock ou o holandês Mathieu Van der Poel, atletas ganhadores em todas as disciplinas do ciclismo.

Mathieu Van der Poel é o exemplo de como o amor pelo ciclismo é um legado familiar. É neto do lendário Raymond Poulidor, que rivalizou em popularidade com supercampeões da sua era como Jacques Anquetil ou Eddy Merckx por ter sido três vezes 2º classificado e cinco vezes 3º do Tour de France. Carinhosamente chamado pelos franceses de Poupou, venceu 189 corridas, mas ficou mais conhecido por aquela que sempre quis e nunca conseguiu vencer, o Tour de France. O pai de Mathieu Van der Poel também foi um excelente sprinter: Adrie Van der Poel representou os Países Baixos nas Olimpíadas de Moscú 1980 terminando a prova de estrada no 7º lugar, incapaz de derrotar o campeão soviético Sergei Sukhoruchenkov.

A presença de Mathieu Van der Poel coloca o MTB no mapa mediático de Tóquio. Aos 24 anos, tem mais de um milhão de seguidores nas redes sociais e se destaca por reunir a explosividade do ciclocrosse (CX), o endurance da estrada e a técnica do MTB. Venceu os últimos três Campeonatos do Mundo de CX, provas clássicas da estrada como a Strade Bianche ou Volta à Flandres, e é o atual campeão da Europa de MTB.

Jaqueline Mourão porta-bandeira em Sochi 2014

Sétima Olimpíada da carreira de Jaqueline Mourão!

Tóquio 2020 em 2021 assinala a sétima Olimpíada da carreira de Jaqueline Mourão, que regressa aos Jogos de verão após competir no esqui de fundo e no biatlo em três edições consecutivas dos Jogos de inverno (Vancouver 2010, Sochi 2014 e PyeongChang 2018).

Aos 45 anos, a mineira de Belo Horizonte parte com a missão de voltar a fazer história para o MTB brasileiro após o 18ª em Atenas 2004 e o 19º em Pequim 2008. As sete presenças Olímpicas de Jaqueline Mourão permitem à mountain biker conquistar um lugar entre as lendas do esporte, um clube exclusivo que em Tóquio 2020 em 2021 deverá receber mais dois membros: a meio-campista da seleção de futebol feminino, Formiga, e o velejador bicampeão Olímpico Robert Scheidt, ambos a caminho da sétima participação em Jogos Olímpicos, embora sempre no torneio de verão, feito inédito entre os atletas brasileiros.

A sueca Jenny Rissveds, campeã olímpica, a americana Kate Courtney (campeã mundial em 2018), a suíça Jolanda Neff, vencedora do Evento-Teste em Tóquio, a francesa Pauline Ferrand-Prevot, atual campeã mundial, partem com favoritismo às medalhas no Cross-country.

Entre as jovens aspirantes duas notas: a primeira para a francesa Loana Lecomte, campeã mundial sub-23 que entrou na presente temporada de elite vencendo as duas provas iniciais; a segunda nota para outra atleta muito jovem que conseguiu um feito histórico para o MTB de Portugal, que graças ao talento de Raquel Queirós vai fazer a estreia Olímpica em provas femininas.

Raquel Queirós - Portugal MTB
Foto: Federação Portuguesa de Ciclismo

O que é o Mountain Bike?

O Mountain bike tem origem nos EUA durante a década de 1970 e nasce pelo gosto pela aventura e natureza de pessoas que decidiram modificar as suas bicicletas para serem capazes de aguentar trilhas todo-terreno. Bicicletas suficientemente robustas para suportar impactos sofridos durante os passeios foram subsequentemente criadas e nos anos 1990 o mountain bike já tinha se tornado um esporte outdoor reconhecido globalmente.

O Mountain bike Cross-country foi adotado como desporto Olímpico oficial nos Jogos de Atlanta 1996. As provas de Cross-country se disputam em circuitos ondulantes e com percursos que testam a capacidade dos ciclistas e geram grande entretenimento aos espetadores.

Qual é o percurso do Mountain Bike em Tóquio 2020 em 2021?

As provas de Cross-country Olímpico têm uma duração que ronda os 90 minutos e decorrem em percursos com uma extensão de cerca de quatro quilômetros, a maioria em trilhas de terra por zonas inclinadas e que incluem descidas em setores com pedra.

Em Tóquio o circuito de Izu tem 4100 metros e cada volta tem um desnível positivo acumulado de 150 metros, aumentando a dureza face a anteriores edições das Olimpíadas. O cenário promete ser de sonho já que determinadas fases do percurso terão o Monte Fuji como paisagem de fundo.

Quando assistir às provas de Mountain Bike em Tóquio 2020 em 2021?

*Hora Legal do Japão (UTC+9)

Segunda-feira 26 de julho 15:00 - 17:00

  • Cross-country Masculino

Terça-feira 27 de julho 15:00 - 17:00

  • Cross-country Feminino