Diogo Soares: ‘Os Jogos Olímpicos da Juventude mudaram muito minha cabeça’

Ginasta da seleção brasileira conquistou duas medalhas em Buenos Aires 2018, que foram fundamentais para a sua boa estreia Olímpica em Tóquio 2020. Focado em Paris 2024, ele quer deixar as séries mais difíceis para os momentos decisivos.

Sheila Vieira
Foto: Ricardo Bufolin/CBG

Ginasta mais jovem da equipe masculina do Brasil nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020, Diogo Soares não sentiu a pressão da estreia e se classificou para a final no individual geral, terminando no top 20.

A confiança foi, em grande parte, fruto de sua participação nos Jogos Olímpicos da Juventude três anos antes, em Buenos Aires, onde foi medalha de prata (barra fixa) e bronze (individual geral).

Diogo fez tudo isso treinando em uma simples academia em Piracicaba, ao lado de seu mentor, Daniel Biscalchin. Os dois foram contratados este ano pelo Flamengo, mirando uma evolução rumo a Paris 2024.

“Estou tendo o que sempre quis”, disse Diogo ao Olympics.com, durante o Pan-Americano de Ginástica Artística no Rio de Janeiro em julho. Seus próximos desafios são o Campeonato Brasileiro, de 9 a 14 de agosto, e o Campeonato Mundial de Liverpool, a partir de 29 de outubro.

“Tem várias dificuldades que eu faço há algum tempo nos treinos, que temos trabalhado, mas que não estão na minha série ainda”, afirmou Diogo. Saiba mais sobre os planos do ginasta para este ciclo Olímpico.

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Diogo Soares compete na barra fixa em Tóquio 2020.
Foto: 2021 Getty Images

Olympics.com (OC): Como está sendo essa nova fase no Flamengo?

Diogo Soares (DS): É tudo muito novo para mim. Não vim de um clube, mas de uma academia. Tudo funciona de forma diferente. Mas eu me adaptei bem, ainda estou me adaptando à cidade. Estou gostando bastante e tendo muito apoio.

Estou tendo o que sempre quis, que era aparelhagem de competição. Eu treino nos aparelhos que eu competi no Pan, por exemplo. Isso para o atleta é outro mundo. A gente às vezes só tem dois treinos na aparelhagem antes da competição e precisa ajustar a pisada, ver se o solo está te jogando mais ou menos. Tudo isso é difícil, e o Flamengo tem me ajudado nesse sentido.

OC: O Flamengo também contratou o treinador Daniel Biscalchin, que foi quem te formou em Piracicaba. Qual é a importância de estar com ele?

DS: Acho que a gente cresceu assim, juntos, nós funcionamos bem juntos. O Flamengo conseguiu observar isso, me trazendo para ajudar a equipe de atletas e trazendo ele para que ele também possa ajudar outros atletas.

OC: Como foi o retorno ao Pan-Americano, a competição que praticamente te deu a vaga em Tóquio 2020 no ano passado?

DS: Estou muito feliz por ter competido, porque até pouco tempo atrás não sabia se poderia. Você revê atletas dos outros países que são seus amigos, que você já enfrentou várias vezes. Foi o segundo Pan seguido no Brasil e desta vez com público. Conseguimos a vaga para Liverpool, então a sensação é parecida com conseguir a vaga para a Olimpíada.

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OC: Como os Jogos Olímpicos da Juventude te ajudaram a se desenvolver como atleta?

DS: Foi essencial. Eu ouso dizer que as Olimpíadas da Juventude foram mais difícil do que a ida para Tóquio, porque só vai um atleta por país e você precisa estar muito bem no evento classificatório. Para Tóquio, seriam cinco vagas, então eu tinha cinco chances de entrar. Foi essencial para conhecer a ginástica do mundo todo. Eu já tinha competido em vários eventos internacionais, mas os Jogos da Juventude são outro patamar. Foi como Tóquio, só que no juvenil.

Você tem aquela convivência com atletas de culturas diferentes, no treino e na competição, você vê o que os atletas estão fazendo e sabe que eles estarão com você em toda a sua carreira na ginástica. Todos temos a mesma idade, então você vai enfrentar a vida toda aquelas pessoas. Os Jogos mudaram muito a minha cabeça, viraram uma chavinha. Deu vontade de treinar cada vez mais, buscar mais resultados.

OC: Você já tem objetivos para Paris 2024?

DS: Primeiramente, quero ir para Paris. Nada é garantido. Subindo as escadinhas, quero classificar e estar competindo bem, com o que a gente acredita que deve fazer. Quero de novo a final do individual geral acima de tudo. Gostaria de ficar entre os 20 novamente, talvez entre os 15 e quem sabe uma final de aparelhos. É difícil, mas se eu pelo menos chegar perto, posso criar a expectativa de conseguir na próxima.

Vou a Paris já sabendo como são os Jogos Olímpicos. Vai ter público dessa vez, mas também tem o público de fora, de Instagram, enfim. Vou chegar já sabendo como que é.

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Diogo Soares (BRA), Kitazono Takeru (JPN) e Kristian Balazs (HIN) no pódio da barra fixa em Buenos Aires 2018.
Foto: 2018 Getty Images

OC: Como foi conviver em Tóquio com medalhistas Olímpicos, como o Arthur Zanetti e o Arthur Nory?

DS: Eu estou no céu. Conheço eles desde pequeno, porque sempre fui da seleção no juvenil. Entrei na seleção adulta com 16 e estou com 20, então já convivia bastante, dividi quarto com vários deles.

Mesmo assim eu ainda observo bastante como eles agem, o que eles falam. Por mais que eu tenha 16 anos de ginástica, ainda sou novo. Eles viram mais coisa que eu. O Zanetti foi campeão Olímpico, que é a meta de todos os atletas de alto rendimento.

E observar não só na competição. É o que eles comem, a hora que vão dormir, a rotina. Nas Olimpíadas eu pude viver um pouco de cada um. Dividi quarto com o Nory, que é um cara sensacional. Ele me ajudou muito na questão de ter calma, de lidar com o público, com as redes sociais.

OC: Como você tem avaliado suas séries? Acha que seu ponto forte são as séries mais limpas, sem muitos erros?

DS: Na verdade, eu penso o contrário. Se você comparar a minha linha de ginástica com a do Nory ou do Lucas Bittencourt, a deles é mais bonita. A ginástica, a postura, ponta de pé, a classe. Acho que esse é um ponto que eu tenho que melhorar.

Mas a questão da dificuldade é que as séries que eu faço não são as coisas mais difíceis que eu sei fazer. São séries mais seguras. Tem várias dificuldades que eu faço há algum tempo nos treinos, que temos trabalhado, mas que não estão na minha série ainda. O dia que eu colocar e acertar, a nota vai ser maior. Mas não tem como fazer isso em todos os campeonatos, é preciso priorizar.

Muitas vezes, nas redes sociais, as pessoas falam ‘o Diogo tem que colocar dificuldade’. Eu faço bastante, mas não coloco na série, porque eu nunca tive uma lesão. Se você coloca um elemento que não está pronto, a chance de lesão é muito grande. É tudo muito pensado. Às vezes o objetivo não é tanto o resultado, mas competir bem, dependendo do evento. O foco principal, com certeza, é Paris.

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