Motivado pelo filho ‘prodígio’, Arthur Zanetti almeja despedida em Paris 2024

Medalhista Olímpico de ouro e prata nas argolas, o ginasta brasileiro quer se despedir tentando novamente a saída da prova em Tóquio 2020, sob o olhar do seu melhor companheiro na plateia.

Sheila Vieira
Foto: 2019 Getty Images

Arthur Zanetti não tem nada mais a provar na ginástica. Campeão Olímpico em Londres 2012 e medalhista de prata na Rio 2016, o brasileiro ficou fora do pódio em Tóquio 2020, lidando com uma grave lesão no ombro.

Parecia o cenário ideal para uma despedida, mas Zanetti não está pronto para desistir. O atleta de 32 anos planeja seu adeus às competições nos Jogos Olímpicos Paris 2024.

Zanetti fará parte da equipe brasileira no Pan-Americano de Ginástica Artística, de 14 a 17 de julho, no Rio de Janeiro. O evento dá vagas para o Mundial em Liverpool no fim do ano.

Se fosse parar em 2021, Zanetti poderia não ter feito a cirurgia no ombro. Mas a motivação de continuar foi maior.

“Ainda não estou 100%, mas indo passo a passo, no tempo certo. O objetivo, lógico, é estar em Paris, algo que tracei para finalizar a carreira”, disse Zanetti em entrevista exclusiva ao Olympics.com.

Confira o papo com o campeão Olímpico sobre o que aconteceu em Tóquio, sua recuperação e como seu filho manteve viva sua vontade de competir.

Tal pai, tal filho

O vídeo de Zanetti de seu filho, Liam, de 1 ano, brincando nas argolas com muita destreza viralizou recentemente no Brasil e no exterior. A alegria de Liam com a ginástica é algo que motiva o campeão Olímpico.

“Ele não vai lembrar das coisas que eu faço, mas quando eu vejo ele no ginásio, fico feliz. Me motiva a ir treinar, continuar e mostrar meu melhor para ele. Lógico que continuo pela ginástica, mas meu filho é um fator a mais”, disse.

No vídeo, Liam consegue se segurar praticamente sozinho nas argolas.

“É improvisado, uma brincadeira de se pendurar, puxar. Mas ele está levando jeito, está bem precoce nessa parte”, contou Zanetti.

“O Liam é uma criança bem forte, a gente acaba reparando nisso. Quando a gente leva ele para natação, compara ele com as outras crianças da escolinha, vemos que ele é um pouquinho mais forte”, acrescentou.

Zanetti reforçou que não há pressão para que Liam seja ginasta.

“Nosso trabalho é mostrar os esportes e ele vai escolher o que ele mais gosta, que tiver mais paixão.”

O mais importante é que Liam esteja nas arquibancadas para poder ver o pai em Paris, algo que não foi possível em Tóquio.

“A gente fala que as Olimpíadas são a cereja do bolo, tem que estar todas as pessoas”, afirmou o ginasta. “Em Londres e no Rio, a família toda estava e deu certo. Em Paris, espero que não aconteça nada como a pandemia, e se eu estiver na equipe, eles vão sim.”

MAIS | Os próximos passos de Diego Hypolito e Arthur Nory

O triplo mortal grupado

Em Tóquio, Zanetti sabia que a competição estava muito acirrada e cada detalhe era importante em busca da medalha. Por isso, ele tentou uma saída muito arriscada, o triplo mortal grupado. O brasileiro sofreu a queda na final, mas não mudaria sua decisão.

“A gente sempre quer a medalha, mas saí orgulhoso por ter arriscado fazer uma coisa diferente”, contou. Em Paris, ele sonha em repetir o movimento. “Tivemos pouco tempo para treinar aquela saída e agora quero acertar.”

Antes disso, Zanetti precisa estar totalmente recuperado da lesão no ombro. No Troféu Brasil, em maio, ele se poupou disputando apenas solo e salto.

“Não valia a pena me esforçar nesse momento, sendo que tem o Pan, o Mundial, que são as competições que estamos focando neste ano”, comentou.

No Pan, ele vai competir também nas argolas, mesmo que ainda esteja fora de suas melhores condições.

“Não vou dizer que estarei 100%. Quero estar no Mundial. No Pan acho que vou estar 80, 85%.”

O foco de Zanetti no Pan é ajudar a equipe brasileira a se classificar para o Mundial de Liverpool, de 29 de outubro a 6 de novembro de 2022.

Ele também quer passar a sua experiência para os novos membros da equipe, que representarão o país nos próximos ciclos.

“A base está vindo bem, eles estão fazendo uma ginástica bonita e com dificuldade, mas ainda com potencial para aumentar mais ainda. Fico feliz que a gente vai deixar um legado”, finalizou.

PARIS 2024 | Veja o sistema de classificação da ginástica artística

SEJA OLÍMPICO, GANHE TUDO ISSO.

Eventos esportivos ao vivo gratuitos. Acesso ilimitado a séries. Notícias e destaques olímpicos sem igual