Tóquio 2020: Handebol do Brasil nas mãos de Duda Amorim

Seleção feminina joga contra ROC, Hungria, Espanha, Suécia e França. Saiba os horários das partidas e o que esperar das rivais do Brasil. Estreia em Tóquio 2020 é contra a ROC no dia 25.

Gonçalo Moreira

A seleção do Brasil, orientada pelo técnico Jorge Dueñas, foi sorteada em um grupo só com potências europeias, algumas com história recente em duelos contra o Brasil, como a da Espanha – que venceu a seleção brasileira na fase de grupos da Rio 2016 quando Dueñas era o técnico das espanholas.

O grupo do Brasil é duro. Confira a data de que cada partida, o respectivo horário e uma breve apresentação das rivais da seleção de handebol feminina do Brasil.

Brasil vs ROC dia 25 de julho | 11:00 locais (dia 24 | 23:00 horário de Brasília)

O Brasil estreia contra a ROC, campeã da Rio 2016 na primeira vez que venceu o ouro Olímpico. Na final a ROC bateu a França por 22:19 ainda com Ambros Martin como técnico, situação que se alterou após um Europeu onde a ROC não atingiu as semifinais. Em Tóquio 2020 a equipe será comandada por Alexey Alekseev, de 56 anos de idade, antigo assistente de Ambros Martin. No Pré-Olímpico jogado em Gyor, a ROC derrotou a anfitriã Hungria, a Sérvia e o Cazaquistão com 14 gols da ponta-direita Anna Vyakhireva, MVP na Rio 2016. A convocação é totalmente doméstica, com atletas do campeão CSKA Moscou, vice-campeão Rostov-Don (futuro time de Duda Amorim) e o HC Lada treinador pelo selecionador Alekseev.

Brasil vs Hungria dia 27 de julho | 11:00 locais (dia 26 | 23:00 horário de Brasília)

Na segunda partida a Hungria é a rival do Brasil e pela frente estará uma nação que foi prata em Sydney 2000, bronze em Atlanta 1996 e em Montreal 1976 – em Jogos Olímpicos só Noruega e República da Coreia têm mais medalhas do que as húngaras. O melhor resultado recente das magiares em foi o 5º lugar em Beijing 2008, não tendo se classificado para os dois últimos Jogos Olímpicos. A Hungria aparece renovada e com uma geração que venceu o Mundial sub-20 em 2018 e o Europeu da mesma categoria em 2019. Noemi Hafra e Katrin Klujber se consolidaram no time graças a atuarem com regularidade na Champions League, também se espera muito das experientes Zsuzsanna Tomori e Aniko Kovacsics.

Brasil vs Espanha dia 29 de julho | 11:00 locais (dia 28 | 23:00 horário de Brasília)

A terceira rodada é contra a Espanha, vice-campeã mundial, bronze em Londres 2012, 6ª na Rio 2016 e organizadora do Mundial IHF 2021 no próximo mês de dezembro. Arma importante da primeira linha, Alexandrina Barbosa recuperou de lesão a tempo dos Jogos, por isso se junta ao núcleo duro de "Las Guerreras" composto por atletas como a ponta-direita Carmen Martin, a armadora Nerea Pena e a goleira Silvia Navarro. Caso pretenda brigar pelas medalhas, a Espanha terá que inverter o frente a frente histórico negativo que tem contra ROC, França e Suécia.

Brasil vs Suécia dia 31 de julho | 16:15 locais (4:15 horário de Brasília)

Também a viver fase de renovação após obter na Rio 2016 sua melhor classificação histórica (7ª), a Suécia se apresenta em Tóquio 2020 sem a central Isabelle Gullden, retirada após o último Campeonato da Europa. O gene competitivo continua presente como pudemos comprovar no Pré-Olímpico jogador em Espanha, onde as suecas empataram com as anfitriãs 28:28 e ganharam da Argentina 34:21. A central Jamina Roberts terá que assumir maior responsabilidade na criação do jogo da Suécia e será interessante ver em quadra a ponta-direita Nathalie Hagman, melhor marcadora da final da Taça EHF com o Nantes, onde é companheira de Bruna de Paula.

Brasil vs França dia 2 de agosto | 11:00 locais (dia 1 | 23:00 horário de Brasília)

O Brasil encerra a fase de grupos contra a França, vice-campeã Olímpica e vencedora dos Campeonatos da Europa de 2018 e 2019, que pela pandemia perdeu o estatuto já que foi a Noruega a vencer o Europeu deste ano. A França será o país-sede de Paris 2024 e por isso aspira a ganhar tudo, embora primeiro deva recuperar seu nível habitual após um Campeonato do Mundo onde foi apenas 13ª colocada. O time tem baixas sensíveis – a ponta-esquerda Siraba Dembele e as armadoras Orlane Kanor e Aissatou Kouyate – mas desde que a estreia Olímpica em Sydney 2000 nunca terminou abaixo do 6º lugar.

“A equipa mais forte é a ROC. Além de serem campeãs Olímpicas, o nível de atletas é muito alto, têm 14 jogadoras de altíssimo nível que jogam em de Ligas muito fortes. A Espanha ganhou a prata no Campeonato do Mundo IHF de 2019 jogando muito bem, tanto que apenas perderam a final por um gol. Vão chegar muito bem preparadas a Tóquio. A Hungria consegue unir a tradição de uma forte escola de handebol o com um time composto por atletas experientes e jovens que vão chegar em boa forma, enquanto a Suécia mostrou em anos recentes que estão sempre entre as melhores. A França toda a gente conhece seu nível, se classificou para Tóquio como campeã da Europa.”

Jorge Dueñas ao site da IHF.

Time está junto há 40 dias

A seleção de handebol feminina já está no Japão e até disputou um amistoso contra o país-sede dos Jogos vencendo por 23:21. Para trás ficou a fase de preparação europeia que encerrou com dupla derrota com a Hungria (24:23 e 34:31), após vencer Montenegro 22:21 com um gol da ponta-direita Adriana “Doce” Castro no final da partida.

O time está junto há 40 dias, após concentração em Rio Maior (Portugal). A entrada na Vila Olímpica está agendada para dia 21.

O Brasil é campeão Pan-Americano – de resto venceu todos os títulos desde 1999 – e atingiu o ápice em 2003 com a vitória no Mundial jogado na Sérvia. Dessa geração estarão em Tóquio 2020 a goleira Barbara Arenhart, a armadora Duda Amorim e a ponta-direita Alexandra do Nascimento.

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Duda Amorim é a referência do handebol brasileiro

Toda a seleção tem sua estrela e Duda Amorim é a referência do handebol brasileiro. Num esporte onde as potências estão na Europa, Duda Amorim foi rainha durante 12 anos na Hungria representando o todo-poderoso Győri Audi ETO KC e sendo instrumental nos cinco títulos do time na Champions League.

Depois de prêmios individuais, coletivos e de decidir prorrogar a carreira na Rússia com o Rostov-Don, a capitã da seleção prepara a quarta presença em Jogos Olímpicos com ambição renovada. O objetivo é voltar a colocar o Brasil entre as nações de topo mundiais e esquecer a campanha do Mundial 2019, no Japão, que terminou com a 17ª colocação. Bem mais positiva foi a campanha na Rio 2016 onde a seleção brasileira apenas foi eliminada nas quartas de final pelos Países Baixos por 23:32.

O time tem muito talento além de Duda Amorim, como a ponta direita Bruna de Paula, que acabou a temporada vencendo a Taça EHF – segunda prova de clubes mais importante da Europa – com o Nantes (França). Foi o primeiro troféu europeu do time e Bruna de Paula acabou como MVP da Final Four e melhor marcadora com 68 gols. A boa forma valeu à saída para o vice-campeão francês Metz, que joga na Champions League.

Na convocação tem apenas uma atleta que ainda joga no Brasil, a ponta-esquerda Thais Fermo do FAG Cascavel, time da cidade de Umuarama (Paraná), a mesma cidade que lançou para o handebol o craque da seleção masculina Haniel Langaro.

Bruna de Paula em ação no Pan-Americano 2019
Foto: Photo by Buda Mendes/Getty Images

Em Jogos Olímpicos o Brasil nunca obteve medalhas.

  • Estreia em Sydney 2000 com o 8º lugar
  • Atenas 2004: 7ª colocação
  • Beijing 2008: 9ª colocação
  • Londres 2012: 6ª colocação
  • Rio 2016: 5ª colocação