Tóquio 2020: 5 estrelas NBA globais no basquete Olímpico

Luka Doncic (Eslovênia), Hachimura Rui (Japão), Marc Gasol (Espanha), Facundo Campazzo (Argentina) e Rudy Gobert (França) são estrelas NBA que vão a Tóquio 2020.

Foto: 2020 Getty Images

As 24 equipes que vão brigar pelas medalhas no basquete masculino em Tóquio 2020 já são conhecidas, bem como os três grupos da competição. Os Estados Unidos partem como favoritos ao ouro nos Jogos, onde não vão encontrar algumas seleções de topo mundial, potências do basquete e atletas de nível planetário que falham o torneio Olímpico. Nessa lista de ausentes destacamos:

  • A ausência mais notada será a da vice-campeã Olímpica da Rio 2016, a Sérvia. A derrota no Pré-Olímpico foi um choque para os sérvios, que jogando na capital Belgrado esperavam poder carimbar o passaporte para Tóquio 2020, acabando por sentir a ausência do MVP da temporada regular da NBA, Nikola Jokic (Denver Nuggets). Nem suas outras referências na NBA como Nemanja Bjelica (Miami Heat) e Boban Marjanovic (Dallas Mavericks), mas também Vasilije Micic, campeão da maior prova de clubes da Europa, a Euroliga, com os turcos do Anadolu Efes, foram suficientes para evitar a derrota com a Itália.
  • Andrew Wiggins (Canadá) número um no Draft 2014 da NBA e jogador de Golden State Warriors, que jogando o Pré-Olímpico em casa caiu nas semifinais contra a República Tcheca no último segundo da prorrogação.
  • Domantas Sabonis (Lituânia), filho do lendário Arvydas Sabonis e jogador dos Indiana Pacers, vê os lituanos ficarem fora dos Jogos Olímpicos pela primeira vez na história e logo perante o seu público na cidade de Kaunas, perdendo a final do Pré-Olímpico com a Eslovênia de Luka Doncic.
  • Bojan Bogdanovic (Croácia) foi um do melhores marcadores na Rio 2016, onde a Croácia caiu nas quartas de final. Bogdanovic, dos Utah Jazz, terminou com média 25,3 pontos por partida. Tal como Lituânia, Canadá e Sérvia, também a Croácia organizou um Pré-Olímpico do qual não conseguiu tirar partido, já que os croatas foram eliminas nas semifinais pela Alemanha, carrasco do Brasil na final.

Luka Doncic tem tudo... até um dia com seu nome no Condado de Dallas

Desde que é nação independente a Eslovênia nunca esteve nos Jogos Olímpicos. A história mudou com a vitória no Pré-Olímpico, que teve sede na Lituânia, outra potência do basquete com um registo totalmente oposto, já que os lituanos nunca tinham falhado a presença nos Jogos. Até que apareceu Luka Doncic: a estrela balcânica terminou a final do Pré-Olímpico com um triplo-duplo (31 pontos, 13 assistências, 11 rebotes)... em Kaunas, uma das capitais mundiais do basquete.

Luka Doncic tem 22 anos de idade e pressa em se consolidar como um dos melhores do mundo. O atleta nascido na capital Liubliana conta já com um histórico digno de um veterano: título do Eurobasket 2017 com a Eslovênia – quando tinha somente 18 anos, Euroliga 2018 com o Real Madrid, o que o levou a saltar para os Dallas Mavericks, na NBA. Nos Estados Unidos a adaptação não foi difícil, já que em 2018/2019 foi considerado Rookie do Ano, mas nas duas últimas temporadas o nível foi ainda melhor: Luka jogou sempre o All-Star Game, além de ter sido selecionado para Quinteto do Ano!

Falta a Luka Doncic uma medalha Olímpica, pelo que Tóquio 2020 é uma excelente oportunidade de continuar a somar. O esloveno é um pequeno gênio trabalhado na formação do Real Madrid, que o recrutou com 13 anos ao Olimpija de Ljubljana quando já media 1,82 m. O pai também foi internacional pela Eslovênia, também fazia todas as posições no jogo exterior, mas o talento de Sasa Doncic fica curto quando o comparamos com o filho.

Luka Doncic tem tudo... até um dia com seu nome no condado de Dallas, onde todos os 6 de julho são oficialmente “Dia de Doncic”. Com 2,01 m Luka Doncic vai marcar uma era no basquete, pelo talento que tem como armador (7,7 assistências por jogo na NBA), a eficácia no lançamento (em zonas próximas ou afastadas da cesta – 25,7 pontos em 199 partidas com os Mavericks) e a fisicalidade que lhe permite pegar em média 8,4 rebotes em três épocas na NBA. Além do fator X, que separa os gênios dos grandes jogadores.

Rui Hachimura será o porta-bandeira do Japão em Tóquio 2020

Rui Hachimura é a maior referência do basquete japonês

Joga nos Washington Wizards e é a maior referência do basquete japonês. Rui Hachimura vive fase incrível na carreira e acaba de ser escolhido como um dos porta-bandeira do Japão durante a Cerimônia de Abertura dos Jogos de Tóquio 2020, que pela primeira vez na história Olímpica terá um representante de ambos os gêneros como porta-bandeira de cada nação.

“Os Jogos de Tóquio 2020 são o palco com que sempre sonhei. Me sinto muito honrado por ter um papel tão destacado. A sua saúde e segurança são a nossa principal prioridade nesse momento, mas espero que muitas pessoas, incluindo crianças de todo o Japão, tenham a oportunidade de assistir às performances dos meus companheiros e da minha durante os Jogos Olímpicos.”

Rui Hachimura em declaração ao Olympics.com.

Nascido na Prefeitura de Toyama, situada na região de Hokuriku, na costa do Mar do Japão, Rui Hachimura aí viveu até que se apresentou ao mundo do basquete no Mundial júnior da FIBA ,em 2014, no Dubai. O Japão não foi bem coletivamente e mesmo assim Rui Hachimura acabou com 22,4 pontos de média, despertando o interesse da Universidade de Gonzaga.

Pelos Bulldogs fez três temporadas de bom nível, mas a última foi excelente: 19 pontos por partida, 6,5 rebotes em média e 30 minutos em quadra ao longo do ano. Números que explicam porque foi escolhido pelos Washington Wizards na primeira rodada do Draft 2019, feito inédito para um japonês – o primeiro atuando na NBA foi o armador Yuta Tabuse com Phoenix Suns, em 2004, em uma carreira que durou quatro partidas.

Os nipônicos contam com outro jogador da NBA, o ala/pivô Yuta Watanabe, que tal como Rui Hachimura atua nas posições 3/4 e atualmente representa os Toronto Raptors. Em dezembro de 2019 ambos se encontraram na visita dos Wizards na casa dos Memphis Grizzlies, partida histórica por ter sido a primeira entre dois japoneses na NBA. Perdeu o time de Washington, mas a noite foi de festa para o basquete do Japão.

O ala/pivô de 2,03 m tem a responsabilidade de liderar o país-sede que não competia no basquete Olímpico desde Montreal 1976.

Facundo Campazzo chegou, viu e convenceu na NBA
Foto: Photo by Dustin Bradford/Getty Images

Facundo Campazzo tem chance de dançar um último tango com a geração de ouro

É impossível falar do basquete Olímpico sem falar do talentoso armador argentino Facundo Campazzo, um gênio pequeno em tamanho (1,78 m), quando comparado com os gigantes que o acompanham na quadra, mas com um talento tão grande que saiu do Real Madrid para cumprir o sonho de jogar na NBA, nos Denver Nuggets.

“Facu” é a peça chave numa Argentina que sempre se apresenta bem nos Jogos Olímpicos e Tóquio 2020 não será exceção. A atual seleção tem chance de dançar um último tango com a geração de ouro, que inclui os carismáticos campeões Olímpicos de Atenas 2004, Manu Ginóbili e Luis Scola. E como no tango é preciso um parceiro capaz de liderar, Facundo Campazzo terá que assumir o papel de fazer os argentinos correr na quadra com seu ritmo vertiginoso de jogo.

O craque que começou no Peñarol não se adaptou inicialmente à realidade do gigante Real Madrid quando chegou na Europa no verão de 2014. O verdadeiro Facundo Campazzo apareceu quando jogou cedido no UCAM Murcia, crescendo o suficiente para no regresso a Madrid se assumir como líder do Real, particularmente após a saída de Luka Doncic.

Em 2020/2021 aterrou na NBA e conseguiu convencer os fãs dos Denver Nuggets do seu talento, contribuindo para uma época que levou a equipa do Colorado às semifinais da Conferência Oeste, caindo por 4-0 contra os Phoenix Suns. A estatística mostra o peso do argentino nos Nuggets: 65 partidas, 19 como titular, 21,9 minutos, 6,1 pontos, 3,6 assistências e 2,1 rebotes – os números subiram nos Playoffs já que devido à lesão de Jamal Murray jogou mais minutos e se assumiu como o principal armado em Denver.

A Argentina tem ainda dois jogadores com passagem pelo Brasil: o armador Nicolás Laprovittola ganhou tudo o que podia ganhar pelo Flamengo na mágica temporada de 2014 em que os cariocas derrotaram o Pinheiros para garantir o título na FIBA Liga das Américas; o ala Marcos Mata passou pelo Franca Basquetebol Clube em 2014/2015, época que encerrou sem títulos para o time paulista.

Marc Gasol foi campeão da NBA com os Toronto Raptors

Espanha juntou sua geração de ouro para uma última digressão

A campeã mundial Espanha juntou sua geração de ouro para uma última digressão. Poderá ser a última oportunidade de ver juntos os irmãos Gasol, Sergio Rodríguez e Rudy Fernández, no fundo alguns dos heróis do momento que marcou as últimas duas décadas do basquete espanhol: o título mundial júnior conquistado em 1999. A partir daí a Espanha se tornou numa das maiores potências mundiais.

O que esperar do pivô de 36 anos de idade? Marc Gasol não vem do seu melhor ano, após ter perdido minutos na atribulada época dos Los Angeles Lakers, marcada por lesões de Lebron James e Anthony Davids Soube se adaptar à nova realidade e recuperou presença no time no final da temporada, que acabou com eliminação logo na primeira rodada dos Playoffs frente aos Phoenix Suns, isto após ter tido que jogar o Play-in contra os Golden State Warriors para poder aceder aos Playoffs. O fator de poder jogar uma última vez com o irmão na seleção terá ajudado a manter a motivação alta, até porque desde o Eurobasket de 2017, onde a Espanha foi 3ª, não o faziam.

Marc Gasol tem vindo a desenvolver projetos interessantes, como o Bàsquet Girona, do qual foi o fundador e é o presidente, pensando já no pós-carreira. Em Tóquio 2020 deverá estar acompanhado por talentos com experiência NBA como Ricky Rubio, Álex Abrines e os irmãos Willy e Juancho Hernangómez, além de vários jogadores da Liga espanhola, a melhor da Europa.

Nos Jogos Olímpicos a Espanha perdeu o ouro para os Estados Unidos em Los Angeles 1984, em Beijing 2008 e em Londres 2012. Na Rio 2016 ficaram com o bronze após vitória sobre a Austrália.

Nicolas Batum e Rudy Gobert nos Playoffs da NBA
Foto: Photo by Kevork Djansezian/Getty Images

Época de Rudy Gobert foi ótima e só parou nas semifinais do Oeste

Eleito o melhor defensor do ano na NBA pela terceira vez na carreira, o pivô Rudy Gobert chega forte em Tóquio 2020, onde será um dos líderes da França, que nas duas últimas edições dos Jogos Olímpicos terminou na 6ª colocação e em seu histórico tem duas medalhas de prata (Sydney 2000 e Londres 1948).

O ataque vence jogos, mas a defesa vence campeonatos. Essa filosofia é o mantra do pivô francês que igualou defensores que fizeram escola na NBA, como Dwight Howard, com três prémios de “Defensive Player of the Year”, ficando a um de igualar Ben Wallace e Dikembe Mutombo.

Com os Utah Jazz a época de Rudy Gobert foi ótima e só parou nas semifinais do Oeste, onde o time de Salt Lake City foi eliminado por 4-2 pelos Los Angeles Clippers de outro francês com muitas campanhas na melhor Liga do mundo, Nicolas Batum. Aliás, a França chega em Tóquio 2020 com meia equipa jogando na NBA: Evan Fournier nos Bolton Celtics, Timothé Luwawu-Cabarrot nos Brooklyn Nets e Frank Ntilikina nos New York Knicks. No basquete europeu têm dois dos melhores armadores do Continente, Nando de Colo e Thomas Heurtel, que não fazem esquecer o mito Tony Parker, mas dão todas as garantias ao técnico Vincent Collet.

Rudy Gobert fechou o ano nos Jazz com estatísticas que mostram que chegará bem em Tóquio 2020: 14,3 pontos, 13,5 rebotes, 1,3 assistências e 2,7 tocos.

Grupos em Tóquio 2020

Grupo A: Estados Unidos, França, Irã, República Tcheca

Grupo B: Austrália, Nigéria, Alemanha e Itália

Grupo C: Espanha, Argentina, Japão e Eslovênia