Tóquio 2020: 27 medalhas Paralímpicas depois Daniel Dias diz adeus

Maior nadador brasileiro em Jogos Paralímpicos se retira das piscinas após ser 4º na final de 50m (classe S5). Confira a trajetória do paulista de 33 anos e as principais notas do dia da natação brasileira em Tóquio 2020, com Carol Santiago como grande figura.

Gonçalo Moreira
Foto: Ale Cabral/CPB

Foram 28 medalhas conquistadas, mas os momentos de emoção superaram em muito os feitos esportivos do nadador Daniel Dias, que em Tóquio 2020 decidiu colocar um ponto final na sua carreira nas piscinas.

A última vez que competiu nos Jogos Paralímpicos foi na final dos 50m livre (classe S5 - atletas com comprometimentos físicos-motores). O paulista chegou com o terceiro melhor tempo e nadou na raia 3, mas na final acabou batido pelos chineses que fizeram a tripla liderados por Tao Zheng, o campeão com recorde Paralímpico 30,31s face aos 32,12s de Daniel Dias.

O maior medalhista Paralímpico do Brasil retira-se com um histórico sem igual no esporte brasileiro, ele que se dedicou à natação inspirado por outro craque Paralímpico, Clodoaldo Silva, o Tubarão Paralímpico, dono de 14 medalhas (6 ouros, 6 pratas e 2 bronze) em cinco edições dos Jogos Paralímpicos.

De Tóquio 2020 Daniel Dias leva muito mais do que as medalhas de bronze nos 200m livre, nos 100m livre e no revezamento 4x50m livre. Na mochila do paulista é a reação do público que mais pesa na hora de fazer as malas e preparar a nova etapa da vida.

“Acabou, mas estou feliz! Só tenho que agradecer a Deus pelo dom que me deu. Agradecer minha família. A cada braçada é para eles. O papai está chegando em casa. Deus fez infinitamente mais do que pensei. Se eu escrevesse isso não seria tão perfeito como foi. Não é choro de tristeza. Estou muito feliz. Mas é uma vida dedicada a isso aqui”, contou Daniel Dias à TV Globo.

O nadador de 33 anos tem 14 títulos Paralímpicos, mas também 33 medalhas de ouro em Jogos Parapan-Americanos e 31 medalhas de ouro em Campeonatos do Mundo .

Há dias assim no movimento Olímpico e Paralímpico, em que é difícil dizer adeus a quem marcou tanto a história do esporte. O epílogo do livro das lendas é hoje escrito por Daniel Dias, o homem que revolucionou a natação Paralímpica brasileira e fez acreditar toda uma geração de para-atletas de que nada é impossível.

Confira todas as medalhas de Daniel Dias em Jogos Paralímpicos, desde Beijing 2008 a Tóquio 2020.

Tóquio 2020

  • Bronze: 200m livre | 100m livre | 4x50m - 20 pontos misto

Rio 2016

  • Ouro: 100m livre | 50m costas | 50m livre | 200m livre
  • Prata: 4x100m livre - 34 pontos | 100m peito | 4x50m livre - 20 pontos
  • Bronze: 4x100m medley - 34 pontos | 50m borboleta

Londres 2012

  • Ouro: 50m borboleta | 100m peito | 50m costas | 200m livre | 100m livre | 50m livre

Pequim 2008

  • Ouro: 100m livre | 200m medley | 50m costas | 200m livre
  • Prata: 50m livre | 50m borboleta | 100m peito | 4×50 m medley - 20 pontos
  • Bronze: 4x50m livre - 20 pontos
Daniel Dias após os 50m livre (S5), sua última prova nos Jogos Paralímpicos em Tóquio 2020
Foto: Ale Cabral/CPB

Carol Santiago pegou na batuta

No dia da retirada de um maestro das piscinas, Carol Santiago pegou na batuta para dirigir a orquestra brasileira da natação. E como não há como liderar dando o exemplo, a pernambucana de 36 anos chegou na quinta medalha em Tóquio 2020 após vencer os 100m peito (classe SB12) cravando o recorde Paralímpico ao nadar em 1:14.89s.

Carol Santiago termina sua participação em Tóquio 2020 como uma das rainhas do Centro Aquático: três títulos Paralímpicos, uma medalha de prata e outra de bronze. Nunca uma nadadora brasileira tinha vencido cinco medalhas na mesma edição de uns Jogos Paralímpicos.

Com a natação brasileira em estado de graça, Cecília Araújo aproveitou para chegar na prata nos 50m livre (S8) aos 22 anos, tal como Talisson Glock que aos 26 leva para casa o bronze nos 100m livre (S6) – o seu segundo em Tóquio 2020 porque fez parte do revezamento 4x50m livre 20 pontos.

Carol Santiago venceu os 100m peito (SB12) com recorde Paralímpico e chegou nas cinco medalhas em Tóquio 2020
Foto: Ale Cabral/CPB

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