Sandra Sánchez Jaime é campeã Olímpica no kata

Espanhola conhecida como a "rainha do kata" e Steven da Costa (FRA), cujo apelido é "Pequeno Príncipe", são os destaques das primeiras medalhas do karatê em Jogos

Foto: 2021 Getty Images

A espanhola Sandra Sánchez Jaime fez valer seu apelido de "rainha do kata" ao conquistar a primeira medalha Olímpica do karatê nos Jogos Tóquio 2020 em 2021 no mítico Budokan, lar espiritual da modalidade no Japão.

Foi uma final pelo ouro digna na estreia da modalidade nos Jogos, com as duas melhores especialistas em kata no mundo frente-a-frente.

Atual campeã mundial, Sánchez Jaime (ESP) superou SHIMIZU Kiyou (JPN) na apresentação final do kata, fazendo 28.06 pontos.

A espanhola de 39 anos desempenhou uma sequência impecável. A japonesa, medalhista de prata, ficou com 27.88 pontos.

Muitas vezes considerada "velha" para o kata, Sanchez calou os críticos ao conquistar o mundial de 2018 em seu país e agora, a pouco mais de um mês para o seu 40º aniversário (16 de setembro), conquistou o ouro Olímpico.

Mais cedo LAU Mo Sheung (HKG) e Viviana Bottaro (ITA) conquistaram o bronze. A atleta de Hong Kong, China, foi a primeira medalhista de sempre do karatê ao superar Dilara Bozan (TUR). Na outra disputa do bronze, Bottaro superou Sakura Kokumai (USA) em mais de um ponto.

"Rainha do kata"

Sandra tinha quatro anos de idade quando insistiu incansavelmente para que os pais levassem-na participar de um treino. Ficava com muita vontade ao ver os treinos do irmão, Paquito, dois anos mais velho. "Deixa ela experimentar e essa euforia vai terminar", disse um treinador.

Nunca terminou.

Membro da equipe de alto-rendimento da Espanha, aos 20 anos de idade deixou o esporte para estar ao lado da mãe, que combatia um câncer. Por haver se afastado, disseram que não teria mais chances no esporte. Terminou a faculdade e passou uma temporada na Austrália, onde deu aulas de karatê.

Quando voltou para o seu país, não queria em um primeiro momento, mas foi convencida a voltar para a modalidade, no kata. Mais uma vez, de tanto insistir, fez com que Jesús del Moral se tornasse seu treinador. Assim foi e é até hoje. Mais além, ele tornou-se seu marido.

Ela demorou, mas chegou lá. Conquistou o primeiro pódio em evento internacional somente aos 32 anos, quando a maioria já pensa em parar. Desde então, foi ela que não parou. É a atual hexacampeã europeia no kata e detém um recorde de 35 medalhas consecutivas em eventos da Federação Mundial de Karatê.

"Quis entrar no meu mundo. Fiquei muito confiante quando saí do tatame. Foi dizer o nome do kata (Chatanyara Kushanku) e pronto! Deixei-me levar e tirei tudo o que estava dentro de mim. Não sei dizer como saíram os movimentos, sei que terminei, fiz a saudação e me sentia bem, feliz. Senti ali que tinha deixado a minha alma, o meu coração, tudo".

-Sandra Sánchez Jaime (ESP), para o jornal espanhol "El País"

E agora - depois de tudo isso -, no dia do quinto aniversário de casamento com del Moral, também seu treinador, celebra o ouro Olímpico.

O kata

O kata é um dos três pilares do karatê, uma demonstração de técnicas de ataque e defesa contra um adversário imaginário. Existem 102 movimentos à disposição do carateca durante uma apresentação de três minutos. A avaliação leva em consideração a velocidade, destreza, ritmo, equilíbrio e precisão dos movimentos.

Steven da Costa, o "Pequeno Príncipe"

O francês Steven da Costa, conhecido como o "Pequeno Príncipe" (em alusão ao livro de mesmo título, do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry) , tornou-se o primeiro campeão Olímpico do karatê entre os homens depois de vencer Eray Samdan (TUR) na final da categoria até 67kg do kumite.

O atual campeão mundial é agora também campeão Olímpico, em momento que o esporte retorna às suas raízes nesta estreia em Tóquio 2020. Templo das artes marciais japonesas, o karatê nos Jogos foi disputado no Budokan, onde da Costa subiu no lugar mais alto do pódio após derrotar Samdan por cinco a zero.

O carateca de 24 anos era uma das maiores esperanças de medalhas do seu país e não desapontou. Na final, ele dominou o atual campeão europeu do primeiro ao último minuto com um Wasi-Ari. Samdan tentou reagir, mas não conseguiu pontuar.

Foi um desempenho de bastante classe de da Costa, que não foi muito bem nas competições anteriores aos Jogos, mas, desta vez, na estreia Olímpica, ele estava determinado em vencer.

No entanto havia alguns obstáculos pelo caminho. No primeiro combate ele perdeu para Abdel Rahman Almasatfa (JOR) por sete a quatro, mas recuperou-se nas demais lutas, com vitória para Kalvis Kanins (LAT) e sobre Hamoon Derafshipour (EOR). Classificado para a semifinal, enfrentou e venceu Darkhan Assadilov (KAZ) por cinco a dois. O cazaque de 33 anos deu ao país a sexta medalha de bronze nos Jogos Tóquio 2020 em 2021.

A outra medalha de bronze do kumite entre os homens ficou com Abdel Rahman Almasatfa (JOR), que tinha sido superado na outra semifinal pelo medalhista de prata, Eray Samdan (TUR).

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