Rumo a Tóquio: Pogacar líder no Tour de France e Unai Simón herói na Euro

De olho no Tour de France e em Tóquio 2020, Tadej Pogacar e Mathieu van der Poel brilharam na primeira semana da prova francesa. Na Eurocopa olhamos para o herói da Espanha e futuro atleta Olímpico, o goleiro Unai Simón. 

Gonçalo Moreira

A pequena nação da Eslovênia é uma potência esportiva com apenas 2 milhões de habitantes. A cultura esportiva eclética é uma herança da antiga Iugoslávia, bem como a filosofia de que a nação se une em momentos de triunfo. Os últimos anos devem estar sendo de grande união já que do pequenino país da península balcânica saíram estrelas como os ciclistas Tadej Pogacar e Primoz Roglic, o craque Luka Doncic (Dallas Mavericks) ou o goleiro Jan Oblak (Atlético de Madrid).

No ciclismo, os eslovenos se preparam para mais um verão inesquecível. Em 2020 o prodígio Tadej Pogacar venceu o Tour de France e o experiente Primoz Roglic dominou a Volta à Espanha e a prestigiada clássica Liège-Bastogne-Liège. Este ano as aspirações são ainda maiores pela realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, com um percurso ideal para as características dos eslovenos, favorecidos pela dureza e desnível acumulado tanto da prova de fundo como do contrarrelógio.

Antes dos Jogos, acontece em França a maior prova do mundo de ciclismo de estrada. A primeira das três semanas de Tour de France acaba de terminar e Tadej Pogacar leva para a segunda semana uma confortável liderança sobre os rivais diretos e já venceu uma etapa [contrarrelógio em Laval]. O esloveno da equipe UAE-Emirates está no caminho certo para se tornar o primeiro atleta da história a vencer duas edições do Tour de France antes de cumprir os 23 anos de idade!

Se a Pogacar tudo corre bem, com Primoz Roglic tudo deu errado. Uma queda deixou o ciclista da Jumbo-Visma sem condições para continuar e Roglic optou por deixar o Tour na 9ª etapa, ficando com mais tempo de recuperação para Tóquio 2020, onde vai liderar a Eslovênia e esperar melhor sua performance da Rio 2016: 10º no contrarrelógio e 26º na prova de fundo.

Este tem sido um Tour de France com incrível dimensão humana. Mathieu van der Poel conquistou o coração dos franceses ao vencer no Muro da Bretanha e vestir a camiseta amarela, icônico símbolo de líder do Tour de France que escapou do seu avô – o popular Raymond Poulidor – durante 18 anos de uma carreira que atravessou as décadas de 1960 e 1970. O neerlandês a segurou até à entrada nos Alpes, mas uma vez perdida a amarela optou por deixar a França e se concentrar em Tóquio 2020, onde aspira ao título Olímpico no cross-country em mountain bike.

A outra história forte da semana tem como protagonista Mark Cavendish, que passou de quase retirado a rei do sprint. De não fazer nem um top 10 em 2020 a ganhar duas etapas [soma 32 no Tour de France] e ameaçar o recorde absoluto do lendário Eddy Merckx – o melhor ciclista da história que se despediu com 34 vitórias em etapas do Tour de France. Mark Cavendish, medalha de prata na Rio 2016 no ciclismo de pista, na prova do Omnium, regressou pela porta grande aos 35 anos.

 Mark Cavendish foi prata no Omnium na Rio 2016

Unai Simón: o herói espanhol da Eurocopa que vai a Tóquio 2020

Entrando na reta final está a Eurocopa de futebol e na agenda estão as semifinais: Espanha vs. Itália e Inglaterra vs. Dinamarca.

Unai Simón, goleiro do Athletic de Bilbao, teve a difícil tarefa de assumir a condição de titular em uma seleção órfã de um líder desde a retirada internacional de Iker Casillas, que na Espanha era conhecido como “San Iker” (Santo Iker) pelas defesas milagrosas que fazia, como a inesquecível parada no frente a frente com Robben na final da Copa do Mundo de 2010.

Nas oitavas de final, contra a Croácia, Unai Simón foi um dos destaques do time na vitória por 5-3 após prorrogação. O drama foi ainda maior nas quartas de final, com decisão nos pênaltis frente à Suíça, onde o camisa 1 parou dois pênaltis e classificou a Espanha para a semifinal.

Pela frente vem agora a Itália e quem sabe uma final da Eurocopa para o goleiro de 24 anos. Unai Simón é o herói da Espanha na Eurocopa que vai a Tóquio 2020, mas na aventura Olímpica não estará sozinho. Do time que está jogando com a seleção principal também foram chamados Pau Torres(Villarreal), Eric García (Barcelona), Pedri (Barcelona) e Dani Olmo (RB Leipzig), um grupo que pode colocar a Espanha na rota da terceira medalha no futebol masculino, depois do ouro em Barcelona 1992 e da prata em Sydney 2000.

A Espanha está no grupo C do torneio Olímpico junto com Argentina, Austrália e Egito.

Goleiro herói da Espanha, Unai Simón está na lista para Tóquio 2020
Foto: Photo by Anatoly Maltsev - Pool/Getty Images

Na outra semifinal estão Dinamarca e Inglaterra, duas nações que não se classificaram para Tóquio 2020. Os escandinavos caíram nas quartas de final da Rio 2016, enquanto a equipe da Grã-Bretanha só por uma vez nos últimos 45 anos esteve nos Jogos Olímpicos – como país-sede de Londres 2012 terminando nas quartas de final.

A Dinamarca vive em clima de euforia com sua seleção principal, que vai jogar no mítico estádio de Wembley frente à Inglaterra por um lugar na final da Eurocopa. O jogo é especial para os ingleses pelo fator casa e porque não ganham um título internacional desde a Copa do Mundo de 1966, mas também para os dinamarqueses que na primeira rodada ficaram privados do meia da Inter de Milão, Christian Eriksen, que sofreu paragem cardiorrespiratória em pleno campo e teve que ser reanimado pelos serviços médicos da seleção.

Eriksen recupera favoravelmente e seus companheiros têm ajudado com bons resultados. A Dinamarca foi campeã da Europa em 1992 com um time lendário e estrelas como Peter Schmeichel e Brian Laudrup, já a Inglaterra nunca venceu o principal torneio europeu e poderia jogar a primeira final da Eurocopa na sua história.

Inglaterra derrotou a Alemanha nas quartas de final da Eurocopa por 2-0
Foto: Photo by Matthew Childs - Pool/Getty Images