Relembre os campeões mundiais de natação brasileiros

De Ricardo Prado em 1982 na cidade de Guayaquil, no Equador, ao ouro de Ana Marcela Cunha em Gwangju em 2019, na República da Coreia, relembre os atletas do Brasil que já foram ao topo do pódio em Mundiais de Esportes Aquáticos em piscina longa.

Virgílio Franceschi Neto
Foto: 2013 Getty Images

Delegações brasileiras participam do Mundial de Esportes Aquáticos em piscina longa desde a edição de Belgrado, na antiga Iugoslávia, em 1973. A primeira medalha aconteceu em Berlim Ocidental, anos depois, em 1978, com o bronze de Rômulo Arantes nos 100m costas.

Com um extenso litoral, milhares de quilômetros de rios, incontáveis piscinas e com condições climáticas que favorecem a prática de modalidades aquáticas, o Brasil tem atletas de destaque no cenário internacional com resultados que evoluem a cada temporada.

Uma história em Mundiais recheada de conquistas, que o Olympics.com convida a relembrá-las.

O primeiro ouro, com Ricardo Prado

O país foi ao topo do pódio pela primeira vez em Mundiais de Esportes aquáticos na edição de Guayaquil, no Equador, em 1982, com Ricardo Prado. O paulista venceu os 400m medley na piscina Alberto Villarino com 4min19s78 e quebrou o recorde mundial.

"Fui confiante...eu tinha um objetivo e acho que consegui cumpri-lo...fui para o nado livre...se estou na frente no nado livre, ninguém ia me passar. Em Guayaquil, no Equador, a torcida adorou quando viu um sul-americano vencer. Olhar para o placar e ver que eu tinha batido o recorde mundial, do meu próprio ídolo (o portorriquenho Jesse Vassalo), foi um sentimento de missão cumprida. Por mim, pelos meus pais, minha irmã, meu irmão...de todos que se envolveram na minha conquista", disse prado em depoimento para o Esporte Ponto Final.

Dois anos depois ele foi medalhista de prata, na mesma prova, nos Jogos de Los Angeles.

César Cielo: hexacampeão mundial

Depois do ouro no Equador, o Brasil foi ao pódio várias vezes, mas o ouro só se repetiu em 2009, em Roma. Campeão Olímpico no ano anterior, César Cielo venceu as provas dos 50m e 100m livre. No evento dos 100m ele terminou a final com 46s91 e estabeleceu recorde mundial que permanece até hoje.

"Em dois anos dei um grande salto na minha carreira. Uma prova tradicional como essa...cresci assistindo ao Gustavo (Borges) nadar essa prova, não tem coisa igual. É um sonho sendo realizado", comentou Cielo após a prova para o Sportv.

Ele se tornaria tricampeão do mundo nos 50m, ao repetir as conquistas nos Mundiais Xangai 2011 e Barcelona 2013. Além disso, foi bicampeão no estilo borboleta dos 50m nessas mesmas duas edições.

Frederick Bousquet (FRA), César Cielo e Amaury Leveaux (FRA) durante a cerimônia de premiação dos 50m livre no Mundial FINA de Esportes Aquáticos em Roma, em 2009. 
Foto: 2009 Getty Images

A trajetória dourada de Ana Marcela Cunha

Em Xangai 2011 a baiana Ana Marcela Cunha levou o seu primeiro ouro em águas abertas, na distância de 25km. Desde então nenhuma outra nadadora conseguiu superá-la nesta prova em Mundiais, sendo a atual tetracampeã. Vencedora dos Jogos na maratona aquática, ela também venceu a prova dos 5km do último Mundial, realizado em Gwangju, na República da Coreia, em 2019.

Sobre sua primeira conquista, em 2011, Cunha falou para o 'Diário do Grande ABC': "Deixei todo mundo nadando à vontade e fiquei ali no pelotão principal. Acho que fui zebra e estou muito feliz. Treinei bastante para representar o melhor possível para o Brasil."

Poliana Okimoto também em águas abertas

O Brasil foi bem no Mundial de Esportes Aquáticos em Barcelona 2013, também em águas abertas, com a conquista de Poliana Okimoto na prova de 10km. Dias antes ela tinha sido medalhista de prata nos 5km. Anos depois ela se tornaria a primeira mulher a obter uma medalha na natação para o Brasil em Jogos, com o bronze na maratona aquática na Rio 2016.

"Essa prova de 10km é muito difícil. Vale muito a pena quando a gente consegue o objetivo, estou muito feliz", declarou Okimoto após a cerimônia de premiação, para o portal 'Terra'.

Ana Marcela Cunha comemora a vitória na final dos 5km da maratona aquática do Mundial FINA de Esportes Aquáticos em Gwangju, na República da Coreia, em 2019.
Foto: 2019 Getty Images

Etiene Medeiros campeã em Budapeste

A capital da Hungria poderá ver daqui alguns dias alguns brasileiros triunfarem nas competições do Mundial de Esportes Aquáticos, que será lá realizado. Antes disso, a cidade magiar é 'casa conhecida' da recifense Etiene Medeiros, que venceu por um centésimo os 50m costas da edição também organizada em Budapeste, em 2017.

Medeiros foi a primeira mulher do Brasil a ser campeã mundial em piscina longa. Dois anos antes ela já havia faturado a prata no Mundial e o ouro nos Jogos Pan-americanos na mesma prova, feito que se repetiu com o bicampeonato em Lima 2019.

"Que prova! Acho que tive várias pessoas ao meu lado. Foi uma temporada diferente, estava relaxada desde o início do ano. Fiquei um pouco nervosa na hora, mas foi engraçado, todas as nadadoras me desejavam boa sorte. Estou muito feliz! Foi por pouco, ela (a chinesa FU Yuanhu, medalhista de prata) é uma ótima adversária. Muito obrigada mesmo", disse Medeiros logo após a prova, para o Sportv.

Etiene Medeiros comemora o título nos 50m costas do Mundial FINA de Esportes Aquáticos em julho de 2017, em Budapeste, na Hungria.
Foto: 2017 Getty Images

O título de Felipe França

Prata nos 50m peito no Mundial de Roma 2009, o paulista Felipe França foi para a edição de Xangai 2011 determinado ao título da mesma prova. Não foi diferente. Na semifinal, avançou com o segundo melhor tempo, atrás do sul-africano Cameron van der Burgh, seu algoz em Roma.

Na final, fez 27s01 e chegou em primeiro, 16 centésimos de segundo à frente do segundo colocado, o italiano Fabio Scozzoli. Van der Burgh (RSA) terminou em terceiro.

"Não tenho muita coisa para falar, apenas dou graças a Deus por ganhar essa medalha de ouro. Treinei bastante para isso...desde o começo do ano temos trabalhado na performance de cada centímetro na piscina para melhorar o desempenho de cada segundo, de cada centésimo, a cada dez metros, a cada cinco metros", disse França sobre o ouro para o globoesporte.com.

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