Quatro atletas latinos (além dos brasileiros) para ficar de olho em Beijing 2022

A América Latina estreou nos Jogos Olímpicos de Inverno em St. Moritz 1928 e desde então o envolvimento dos países latinos com o evento só cresceu. O Olympics.com apresenta alguns deles que vão representar a região em menos de duas semanas, em Pequim.

Virgílio Franceschi Neto
Foto: 2021 Getty Images

A segunda edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, a de St. Moritz 1928, foi a primeira que contou com a presença de delegações de países da América Latina: Argentina e México, que viajaram com 10 e cinco atletas, respectivamente, todos eles no bobsled, que naquela altura tinha o trenó com lugares para cinco atletas. Inclusive foi quando os argentinos obtiveram o melhor resultado da história em Jogos de Inverno, com a quarta e a quinta colocação. Os mexicanos ficaram em 11º.

Ao longo dos anos a participação dos países de toda a América Latina nos esportes de gelo e da neve em Jogos só cresceu, e o Brasil é exemplo disso. Alguns têm mais tradição nessas modalidades, outros nem tanto, mas conseguiram enviar vários representantes.

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Não será diferente em Beijing 2022 e o Olympics.com fez uma lista de atletas latinos para ficar de olho nos próximos Jogos a partir de 4 de fevereiro.

Roberto Tamés (piloto) e Miguel Elizondo da equipe México-2 durante a competição de bobsled do trenó de 2 atletas nos Jogos Olímpicos de Inverno Albertville 1992.
Foto: Chris Cole/Getty Images

Laura Gómez - Colômbia, patinação de velocidade

Primeira mulher nascida na Colômbia a disputar os Jogos de Inverno, a antioquenha de 31 anos de idade começou na patinação de velocidade apenas em julho de 2017, por diversão. Pouco mais de seis meses depois, conseguiu o índice e se classificou para PyeongChang 2018. Apesar de saber da classificação para os Jogos a apenas uma semana do evento, ficou na 10ª posição na semifinal da largada em massa, por pouco não se classificando para a final.

Beijing 2022 se aproxima e ela estará uma vez mais nos Jogos de Inverno, quando garantiu a vaga durante a etapa de Calgary da Copa do Mundo ISU (sigla em inglês para União Internacional de Patinação) de patinação de velocidade. "Trabalhei duro muitos meses, sei muitos sonhavam com isso e não ia ser fácil. É um tanto incrível, nós colombianos nos caracterizamos por ter determinação e muita garra, no fim é isso que vai fazer a diferença," disse Laura Gómez para o jornal "El País".

Franco dal Farra - Argentina, esqui cross-country

Nascido em San Carlos de Bariloche, região sul-americana conhecida pelos esportes de inverno, Franco dal Farra é filho de Ines Adler, esquiadora cross-country que competiu nos Jogos Albertville 1992: "Comecei com o cross-country porque a minha mãe me ensinou. A primeira vez que experimentei eu tinha dois anos e quando tinha cinco ou seis, comecei em uma escola fazendo esqui alpino," disse dal Farra para o site "Xinhua" em espanhol.

Em 2010 especializou-se no esqui cross-country e desde 2019 compete profissionalmente. Na América do Sul ele é praticamente imbatível. Fora do continente, coleciona excelentes resultados, como a prata na Copa Balcânica em fevereiro de 2021 e o 15º lugar no Campeonato Nacional da Áustria, resultados que fizeram-no ter bons pontos FIS (sigla em inglês para Federação Internacional de Esqui) e estar habilitado como o melhor da Argentina e assegurar a vaga em Beijing 2022.

Sobre as expectativas para os Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim, dal Farra é sucinto: "Não quero colocar nenhuma meta numérica, porque se eu não cumprir, vou ficar chateado."

Dominique Ohaco - Chile, esqui estilo livre

Vinda de uma família de esportistas, a chilena de 26 anos de idade vai para a sua terceira edição de Jogos Olímpicos de Inverno. Dominique Ohaco é um dos grandes nomes do esporte em seu país. Em seu currículo um terceiro lugar na Copa do Mundo em 2017, na Alemanha. Mais recentemente, obteve a 12ª colocação na Copa do Mundo de Font Romeu, na França. Em Jogos de Inverno, em Sochi 2014 ficou em 13º lugar no slopestyle do esqui estilo livre. Quatro anos mais tarde, em PyeongChang 2018, o 20º lugar.

Este ciclo Olímpico foi marcado para a chilena por conta de uma grave lesão no joelho, em agosto de 2018. Só voltou a treinar em oito meses e só regressou à neve em 11! Uma recuperação lenta, não apenas para desenvolver a musculatura, mas para adquirir confiança novamente.

Sobre estar nos Jogos Olímpicos de Inverno, Ohaco disse para o jornal El Mercurio: "Foi uma preparação diferente percorrendo o mundo enquanto uma pandemia fazia com que tudo fosse incerto, eventos cancelados, países fechados, mas apesar de tudo seguimos em frente e acabou sendo um grande ano esportivo este último."

LEIA MAIS: Cinco curiosidades sobre a esquiadora chilena Dominique Ohaco (em espanhol)

Donovan Carrillo - México, patinação artística

Desde Guadalajara vem Donovan Carrillo, primeiro patinador artístico do México em três décadas (o último tinha sido Riccardo Olavarrieta em Albertville 1992). Treina em um rinque instalado em um shopping center, condições que não são as ideais em relação aos países referência na modalidade.

O começo no esporte foi uma casualidade, ao seguir a irmã e depois uma menina por quem se apaixonou. Pouco a pouco a patinação foi se tornando algo sério e desde 2013 estabeleceu-se em León, na província de Guanajuato, para poder dedicar-se mais aos treinos. Era para passar uma ou outra temporada, mas a já são quase nove anos fora de casa, quase a metade da vida dele, que conta com a ajuda dos pais, Diana e Adolfo: "Não há dinheiro que pague para vermos os nossos filhos felizes," falou Adolfo Carrillo, pai do patinador mexicano.

Mesmo durante a pandemia não deixou de treinar, sobretudo a parte física, mas não deixou de lado a preparação mental: "Visualizar você mesmo em espaços diferentes, grandes, com público, fazendo a sua rotina, a sua apresentação...é algo que sempre fiz desde muito pequeno. A mente é super poderosa," comentou Carrillo. Com uma impressionante vigésima colocação no mundial de Estocolmo em março de 2021, teve a classificação para os Jogos de Inverno confirmada pela União Internacional de Patinação (sigla ISU em inglês) no mês seguinte.

"Fazer histórias com as melhores apresentações que conseguir fazer...ver a minha bandeira nos Jogos Olímpicos de Inverno Beijing 2022 será muito especial, porque por trás disso tem um sonho de um garoto que nunca se rendeu," concluiu o patinador mexicano.

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