Petrus e Langaro do Barça lideram Brasil em Tóquio 2020

Seleção masculina de handebol tem missão difícil no grupo A, onde vai ter Superclássico das Américas! Confira os horários do handebol Olímpico em Tóquio 2020.

Gonçalo Moreira
Foto: Photo by Jörg Schüler/Getty Images

A chave da verde e amarela reúne algumas das mais fortes seleções da Europa e um velho conhecido como a Argentina.

Para chegar em Tóquio 2020, que acontece em 2021, com a tensão competitiva necessária e sobreviver em uma fase de grupos que se prevê complicada, o Brasil esteve concentrado em Portugal desde 14 de junho, realizando um amistoso com a estreante em Jogos Olímpicos e vencendo por 34:28. Depois viajou para a Alemanha onde jogou o Torneio de Nuremberg, levando na bagagem derrotas com os germânicos por 36:26 e com o campeão africano Egito por 32:25 – dois times que vão estar nos Jogos Olímpicos.

Pode conferir a convocação da seleção masculina de handebol clicando aqui.

Que rivais vai o Brasil enfrentar no grupo A em Tóquio 2020? Analisamos todas as seleções.

Brasil vs Noruega dia 24 de julho | 9:00 locais (dia 23 | 21:00 horário de Brasília)

País com menos tradição no handebol masculino do que as vizinhas Suécia e Dinamarca. Desde Munique 1972 que a Noruega não se classificava para os Jogos Olímpicos e Tóquio 2020 será apenas sua segunda presença. Algo tem vindo a mudar no na seleção masculina que jogou as finais do Campeonato do Mundo em 2017 e 2019 [perdidas para França e Dinamarca] e foi medalha de bronze no Campeonato da Europa – feito inédito no torneio masculino e que procura aproximar os homens do estatuto de estrelas que tem a equipe feminina bicampeã Olímpicas, tricampeã mundial e oito vezes vencedora da Eurocopa.

Desde a chegada do técnico Christian Berge, em 2014, tudo mudou no handebol da Noruega. A figura da seleção é o armador Sander Sagosen, craque do grande time alemão do THW Kiel, vencedor da Champions League 2020. Com 54 gols no Mundial, o armador Sagosen saiu do Egito como máximo goleador da Noruega, mesmo chegando com demasiados jogos nas pernas.

O rival gera sentimentos mistos. No Pré-Olímpico o Brasil perdeu com a Noruega por 32:20, mas foram os escandinavos que ao ganhar do Chile garantiram a presença da verde e amarela nos Jogos Olímpicos.

Brasil vs França dia 26 de julho | 9:00 locais (dia 25 | 21:00 horário de Brasília)

Uma França em reconstrução, como demonstra a derrota no Pré-Olímpico contra Portugal, não deixa de ser uma França igualmente perigosa. Em termos de histórico, a vice-campeã Olímpica tem vantagem no confronto direto contra todas as equipes do grupo, o que diz bem do poderia de “Les Bleus”. Contra a Alemanha, por exemplo, venceram por 29:28 nas semifinais na Rio 2016 e frente a rivais como Argentina e Brasil nunca perderam.

O técnico é Guillaume Gille, bicampeão Olímpico em Beijing 2008 e Londres 2012, a idade de ouro do handebol francês. Para a reconstrução do elenco conta com quatro vencedores da Champions League com o Barcelona: Tim N’Guessan, Ludovic Fàbregas, Dika Mem e Melvyn Richardson, companheiros de Haniel Langaro e Thiagus Petrus. O fator X é o craque dos craques, Nikola Karabatic (Paris Saint Germain), de 37 anos de idade, recuperado da grave lesão sofrida em outubro. O armador é um jogador de outro quilate, tem mais de 1200 gols pela seleção e em Tóquio 2020 aspira à quarta medalha Olímpica (além dos ouros em 2008 e 2012 também ganhou a prata na Rio 2016).

Brasil vs Espanha dia 28 de julho | 19:30 locais (dia 28 | 7:30 horário de Brasília)

De todos os times presentes no grupo, a Espanha foi a que melhor prestação conseguiu no Mundial, em janeiro, terminando com a medalha de bronze após perder com a campeã Dinamarca nas semifinais. O fator experiência é o mais chamativo na seleção do técnico Jordi Ribera, que em Tóquio 2020 terá um grupo com média de 33,18 anos pelas muitas temporadas ao mais alto nível de jogadores como os armadores Raul Entrerrios e Julen Aguinagalde. Ótima notícia para “Los Hispanos” é o facto de nos Jogos Olímpicos reverem velhos conhecidos como a Noruega, que eliminou nas quartas de final do Mundial, e a França, que os espanhóis eliminaram na disputa pelo 3º lugar.

Brasil vs Argentina dia 30 de julho | 9:00 locais (dia 29 | 21:00 horário de Brasília)

O ponto alto da participação brasileira na fase de grupos promete ser o Superclássico das Américas versão handebol. O Brasil tem vantagem com 16 vitórias sobre as 13 da Argentina, mas a tendência de partidas em grandes competições é favorável aos argentinos como vimos na decisão do Pan-Americano de 2018. A Argentina realizou um bom Mundial (11ª colocação) encerrando a participação com saldo positivo pela primeira vez (quatro vitórias e duas derrotas). Nos Jogos Olímpicos foram 10º em Londres 2012 e na Rio 2016.

A fase atual é fruto do trabalho de Manolo Cadenas, que acumula o cargo com a direção técnica do Ademar Leon da Liga espanhola. O futuro goleiro do Barcelona, Leonel Maciel, é uma das grandes figuras dos “Gladiadores”, mas a Argentina tem algo único em Tóquio 2020: duas duplas de irmãos no elenco! Os Simonet – Diego (campeão da Champions League 2018 com os franceses do Montpellier HB e eleito MVP dessa Final Four), Pablo (Cuenca - Espanha) e Sebastián (preparou os Jogos na Argentina) – e os Pizarro – Federico (Cuenca - Espanha) e Ignacio (UNLu – ARG).

"Temos que dar o máximo para eles tenham um mau dia. Contra o Brasil é o jogo que temos mesmo que ganhar, como o Brasil também tem que superar a Argentina. A partir daí aspiramos a ganhar a uma seleção europeia e passar. Vamos tentar fazer o jogo das nossas vidas contra o Brasil e contra os outro quatro, porque não nos podemos permitir o luxo de escolher a quem queremos ganhar.”

Sebastián Simonet, ao Olympics.com.

Brasil vs Alemanha dia 1 de agosto | 19:30 locais (dia 1 | 7:30 horário de Brasília)

O último rival da seleção brasileira na fase de grupos vem de um Mundial muito abaixo das expetativas (12º posto). Só por uma vez o Brasil bateu a Alemanha e logo com um épico 33:30 na Rio 2016, onde a campanha dos europeus terminou com a conquista do bronze. Bem diferente foi o desfecho no Mundial 2021 onde os germânicos se impuseram por 31:24 e também no torneio de preparação para Tóquio 2020 perdendo o Brasil por 10 gols de diferença.

Alfred Gíslason é a verdadeira estrela da seleção. Mais de 500 gols pela Islândia e enquanto treinador referência de uma década dourada no Kiel – sete campeonatos e três Champions League. Em 2020 Gíslason pegou na Alemanha pensando em preparar a equipe para dois eventos que vão organizar: Eurocopa 2024 e Mundial 2027.

Petrus e Langaro indispensáveis

Quando na final da Champions League o Barcelona deu uma masterclass defensiva condicionando o ataque dos dinamarqueses do Aalborg a 23 gols [o Barça venceu por 36:23], um brasileiro esteve em destaque.

Thiagus Petrus, mineiro de Juiz de Fora, 32 anos de idade, armador de 1,98m é um dos muros contra o qual o Aalborg bateu na final, um pilar da defesa campeã da Europa e primeiro brasileiro a atuar pela equipe principal do Barcelona, recordista da com 10 troféus da máxima prova europeia de clubes. Petrus tem longa trajetória na Europa onde chegou para jogar no La Rioja (Espanha), passando também pelo Pick Szeged (Hungria), mas está no melhor momento de sua carreira tendo sido considerado o melhor defensor da Champions League.

Um positivo por Covid-19 tirou Thiagus Petrus do último Mundial – a seleção perdeu ainda o goleiro Ferrugem, o técnico Marcus “Tatá” Oliveira e outros elementos da comissão técnica – por isso o mineiro está em Tóquio 2020 com vontade de recuperar o tempo perdido.

Para a missão Olímpica, Thiagus Petrus conta com um aliado importante: o armador Haniel Langaro, seu colega no Barcelona. Após chegar no início da temporada, proveniente do Dunkerque (França), o atleta de Umarama (Paraná) rubricou contrato com o Barcelona até 2022/2023 e tem vindo a brigar por um lugar na primeira linha do ataque. O atleta de 1,98m e 100kg não foi opção para a partida contra o Aalborg, mas desde a arquibancada animou os companheiros durante a final.

Na seleção o papel de Langaro é totalmente diferente. O armador é a principal arma desde a linha de nove metros, tendo terminado o último Mundial com 30 gols.

Langaro e Petrus são indispensáveis para Marcus “Tatá” Oliveira e trazem ao Brasil conceitos de um dos melhores times do mundo na atualidade, que cede 13 atletas a seis seleções presentes no torneio de handebol masculino, o que significa que apenas quatro jogadores da primeira equipa do Barcelona não estão nos Jogos Olímpicos (por lesão ou por não se terem classificado).