Os próximos passos de Diego Hypolito e Arthur Nory 

Medalhistas na mesma prova do solo na Rio 2016, os ginastas brasileiros começam novas fases em suas vidas seis anos depois. Enquanto Hypolito inaugura um instituto de ginástica no Rio, Nory mira Paris 2024, voltando a focar em mais aparelhos. Confira as entrevistas deles para o Olympics.com.

Sheila Vieira e Scott Bregman
Foto: 2016 Getty Images

Em 14 de agosto de 2016, Diego Hypolito e Arthur Nory viveram a glória de conquistar uma medalha Olímpica no seu próprio país. Prata e bronze, respectivamente, no solo da Rio 2016, os ginastas de gerações diferentes se uniram em torno da bandeira brasileira. Quase seis anos depois, ambos traçam novos objetivos.

Já aposentado da ginástica profissional, Hypolito quer devolver à ginástica o que ela lhe deu. Aos 35 anos, ele inaugurou o Instituto Hypolito no bairro da Penha, no Rio de Janeiro, com apoio do BV e da prefeitura da cidade, que dará aulas do esporte a crianças de 4 a 12 anos, além de prestar apoio às famílias delas.

“Quero que a gente consiga também de alguma forma contribuir para os pais, para a cidade, para o entorno do local, com o colégio aqui do lado. A gente vive muito o esporte no Rio, mas às vezes sem locais apropriados e oportunidade”, contou Hypolito ao Olympics.com.

Além do instituto, Hypolito também tem feito apresentações de circo grátis em Santa Cruz, com sua irmã Daniele. "Amo dar oportunidade com aquilo que foi me dado, porque de nada seria o Diego ou qualquer pessoa se você consegue resultados e fica com aquilo para si. Acho que a fatia do bolo tem que ser dividida com todos”, disse.

Diego Hypolito inaugura instituto de ginástica no Rio de Janeiro.
Foto: Leo Queiroz

Hypolito: ‘Rebeca lida bem com a pressão’

Mesmo envolvido em outros projetos, Hypolito continua de olho na ginástica brasileira. Ele acredita que haverá uma renovação na equipe brasileira masculina, mas Arthur Zanetti (medalhista Olímpico de ouro e prata nas argolas) e Nory seguem como líderes. “Continuam sendo a esperança do Brasil, porque têm muito talento ainda a oferecer”.

Bicampeão mundial, Hypolito lidou por muito tempo com as altas expectativas do público brasileiro. Esse papel agora é de Rebeca Andrade, medalhista de ouro e prata Olímpica e campeã mundial.

“É até difícil me colocar no lugar dela, porque eu tinha chance de uma medalha, ela tem chance de quatro medalhas”, afirmou Hypolito. “Acho que ela lida muito bem com a questão de pressão. Ela toma as melhores decisões. No Mundial, ela não competiu no individual geral e ela era a melhor da competição. Ela se poupa quando tem que ser poupada e tem uma equipe muito boa."

Sobre Simone Biles, Hypolito acredita que a americana já é plenamente realizada e precisa entender o que quer para o futuro. “O patamar que ela colocou a ginástica é algo inexplicável. Mas temos que ver no dia a dia o que esse período vai dizer a ela”, comentou.

Trabalho duro recompensado

Como Hypolito definiria os Jogos Olímpicos Rio 2016? A resposta veio mesmo antes do fim da pergunta: superação. “Não foi diferente da vida do brasileiro. Somos persistentes, passamos por tantas dificuldades, caímos e levantamos, temos que lutar, com trabalho duro”, lembrou.

O ginasta lembrou de uma conversa que teve com Bruno Fratus antes de Tóquio 2020. Assim como o nadador, Hypolito subiu ao pódio em sua terceira participação Olímpica, após muitos anos entre os melhores do mundo. Os dois compartilham o sentimento de que a medalha Olímpica foi a recompensa de todo o sacrifício que fizeram.

"Você fica eternizado na sua modalidade, em um evento com todas as modalidades. Você vê os seus ídolos competindo. É muito diferente. Os Jogos Olímpicos são a consagração de um atleta”, disse Hypolito.

Arthur Nory recomeça após dias difíceis

Desde aquele dia de glória no Rio, Arthur Nory viveu uma montanha-russa de emoções. Foi campeão mundial da barra fixa em 2019, mas ficou fora das finais em Tóquio 2020. Antes do Mundial de 2021, sua mãe, Nadna, sofreu um AVC (acidente vascular cerebral).

“O processo todo de Tóquio foi muito, muito difícil, especialmente mentalmente”, disse Nory ao Olympics.com. “Fiquei muito triste, porque eu me preparei para chegar à final”.

Atualmente, Nory tem ajudado sua mãe a retomar sua rotina. “Estou aqui com ela, ajudando ela a voltar a escrever, com a mão esquerda, a andar. Ela está fazendo fisioterapia”, contou o atleta de 28 anos.

Para o ciclo Olímpico de Paris, Nory deve voltar a fazer séries mais difíceis em aparelhos além da barra fixa.

“No Rio eu estava fazendo todos os aparelhos, todas as competições. Sabia que meu corpo não seria mais o mesmo, eu já lesionei pé, joelho e ombro. Em Tóquio, focamos mais em ser especialista na barra fixa e fazer os outros aparelhos sem tanta dificuldade. Agora estou mudando novamente. Fico feliz em disputar mais aparelhos, como o cavalo com alças e as barras paralelas. O mais importante é estar saudável e competitivo”, revelou.

Paris 2024 pode ser mais uma chance de sucesso Olímpico, mas a prioridade de Nory é a sua família. “Vou lutar todos os dias para estar com a minha equipe e com a minha mãe em Paris, que ela me veja competindo lá.”

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