O que os atletas de inverno do Brasil estão fazendo neste fim de ano

Geralmente as festas de fim de ano representam um período de descanso para muitos atletas brasileiros, mas não àqueles que se preparam em busca de um lugar nos Jogos Olímpicos de Inverno Beijing 2022 daqui a pouco mais de um mês. Em meio a uma intensa preparação, há um (pequeno e importante) espaço para descanso.

Virgílio Franceschi Neto
Foto: 2021 Getty Images

O fim de ano no hemisfério sul é marcado pelo calor e por um período de descanso para a grande maioria das pessoas, atletas ou não. Talvez as tradicionais festas como o Natal e a passagem de ano sejam ainda mais celebradas abaixo do equador, por caírem em época de férias escolares, pausa em competições, treinos e recesso no trabalho.

Não é assim para aqueles atletas brasileiros dos esportes do gelo e da neve, que se preparam para Beijing 2022, daqui a pouco mais de um mês. Ainda há um bom trabalho a ser feito em muito pouco tempo até lá. As celebrações de fim de ano aproximam amigos e familiares, mas a agenda de preparação exige completa dedicação. Mesmo assim, há um pequeno - porém importante - espaço para descanso. O Olympics.com falou com três brasileiros rumo a Pequim para saber como é lidar e passar por esse período que cai praticamente às vésperas do evento mais importante de toda uma vida: os Jogos Olímpicos de Inverno.

Augustinho Teixeira sem descanso

O snowboarder brasileiro está na briga por um lugar nos Jogos e tem vários eventos pela frente a fim de fazer os pontos necessários para estar em Pequim (precisa ter uma média de 50 pontos da Federação Internacional de Esqui, sigla FIS em francês). Atualmente com 82.10 pontos, ele ficou em 30º lugar na etapa da Copa do Mundo que disputou em Copper Mountain, no Colorado (Estados Unidos).

Em preparação para as competições de janeiro, permaneceu em território americano para treinos, tendo voltado somente para casa, em Calgary, no Canadá, na noite do dia 23. No dia 24 treinou, descansou no feriado e ,do dia 26 em diante, não terá descanso. Voltará para Copper Mountain no dia 27, com agenda cheia de treinamentos até o dia 3, quando viajará para Mammoth, na Califórnia, para mais uma etapa da Copa do Mundo FIS. Na semana seguinte, embarcará para a Suíça, em mais uma prova da Copa do Mundo, desta vez na cidade de Laax. A Federação Internacional divulgará a lista de classificados dia 16 de janeiro.

"Cheguei em casa no dia 23 à noite, tinha treinado no mesmo dia. Treinei ontem também aqui em Calgary. Hoje (dia de Natal), depois de muito tempo, não pensei no snowboard, descansei. Fiquei com a minha mãe e meu irmão. Mas amanhã volta tudo. É assim, tem que ser assim," disse o jovem brasileiro para o Olympics.com.

Bindilatti: "treino todos os dias"

Depois de encerrar a participação na Copa América de bobsled no fim de semana de 18 a 20 de fevereiro, com dois quartos lugares e uma quinta colocação na última corrida, a equipe brasileira teve pouco tempo livre para curtir antes de retornar ao Brasil para passar as festas com suas famílias.

Diferente de outros atletas, o quarteto voltou ao país para alguns dias e viajará logo depois para mais provas, desta vez em território europeu, a fim de cumprir os critérios que a Federação Internacional de Bobsled e Skeleton (sigla IBSF em inglês) exige para a classificação para Beijing 2022.

Edson Bindilatti, capitão do time, disse para o Olympics.com sobre como vai ser este curto tempo no Brasil: "O final de ano vou passar com a família, descansando, mas todos os dias vamos treinar, porque a gente já viaja para a Europa no dia 5 e o nosso objetivo sequer ainda foi conquistado. Estamos focados ao máximo, mas por esses dias com a família por perto."

Erick Vianna: "recarregar as energias"

Bindilatti fala em descansar, mas com treinos diários. Em um primeiro momento, talvez nos salte uma pergunta de como descansar se os treinos seguem acontecendo.

Não há dúvidas de que a preparação para uma edição de Jogos Olímpicos exige muito do corpo e da mente. Do físico e do mental. Com isso, a vinda da seleção de bobsled - depois de mais de dois meses - para o país a fim de passar as datas comemorativas perto da família significam descansar e preparar a mente, sem se descuidar da parte física.

Para o Olympics.com, Erick Vianna, colega de Bindilatti na equipe de bobsled, falou sobre: "Acabei de chegar no Brasil, após a conclusão da Copa América. O objetivo com essa vinda nossa para o Brasil, é justamente recarregar as energias com a família, descansar um pouco a mente, mas o treinamento físico continua a todo vapor. Vamos ficar basicamente 13, 14 dias aqui. Esses dias no Brasil serão essenciais para a nossa preparação tanto mental quanto física."

Os Jogos Olímpicos de Inverno sugerem uma preparação bem distinta àquela que os atletas brasileiros estão acostumados. Enquanto no hemisfério sul é verão e encerram-se vários ciclos (não apenas o ano, mas o calendário letivo e a temporada de trabalho), no lado norte ela caminha para o auge é nele que acontecem os Jogos.

É preciso, portanto, se adaptar.

Claro, existem os que vivem fora e estão habituados ao inverno nessa época do ano. É indiscutível e perceptível o nível de disciplina em relação à parte física que a preparação para os Jogos exige. Ao mesmo tempo, é tão importante quanto poder descansar e cuidar da mente, não importa o tamanho do tempo para isso que lhes é proporcionado.

Já diz o ditado: "Mente sã em corpo são".

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