O que esperar enquanto Tóquio se prepara para receber os Jogos Olímpicos em 2021

Com poucos dias para a Cerimônia de Abertura em 23 de julho de 2021, confira o que você precisa saber sobre Tóquio 2020 no momento em que o Japão se prepara para receber os melhores atletas do mundo para 17 dias de competição

Foto: 2016 Getty Images

Faltam apenas quatro dias para a largada dos aguardados Jogos da XXXII Olimpíada.

De 23 de julho a 8 de agosto de 2021, os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 distribuirão medalhas em 339 eventos em 33 esportes compostos por 46 disciplinas.

Adiado por um ano para 2021 devido à pandemia de COVID-19, Tóquio 2020 será a segunda vez que a cidade sediará os Jogos Olímpicos, depois de tê-los recebido em 1964.

Confira um guia do que esperar dos Jogos Olímpicos em 2021, incluindo os novos eventos de medalha.

O que acontece nesta semana no Japão?

As convocações dos atletas foram feitas e as equipes estão chegando em todo o país, preparando-se para fazer parte dos 33 esportes dos Jogos Olímpicos, incluindo ginástica artística, atletismo, natação e basquete.

Apesar de a Cerimônia de Abertura significar o início dos Jogos em 23 de julho de 2021, a ação na verdade começa dois dias antes em 21 de julho, com a Austrália encarando os anfitriões do Japão no softbol (de 09:00 JST/21:00 BRT em Fukushima) e a Grã-Bretanha contra o Chile no futebol feminino no Domo de Sapporo às 16:30 JST/4:30 BRT.

Onde posso encontrar a programação de Tóquio 2020?

Durante os Jogos, você pode encontrar informações Olímpicas completas sobre programação e resultados, além de explorar a lista de atletas que competirão nos Jogos e aprender mais sobre os Comitês Olímpicos Nacionais (CONs) que farão parte de Tóquio 2020.

Quais estrelas Olímpicas estão perto de fazer história?

O velocista Usain Bolt e o nadador Michael Phelps podem ter se aposentado, mas há vários atletas que estão indo para os Jogos Olímpicos com o potencial de fazer história. Aqui estão alguns deles que o que eles pretendem alcançar...

Simone Biles, dos EUA, se apresenta na trave na Rio 2016
Foto: 2016 Getty Images

Simone Biles (EUA), Ginástica

A melhor ginasta do mundo ganhou quatro medalhas de ouro e um bronze na Rio 2016 e tentará se tornar a primeira mulher a vencer dois títulos seguidos do individual geral desde Vera Caslavska em 1968.

O campeão Olímpico Teddy Riner da França comemora após vencer na categoria +100kg do judô na Rio 2016
Foto: 2016 Getty Images

Teddy Riner (França), Judô

O decacampeão mundial disputa a competição de +100kg do judô como atual bicampeão (2012 e 2016). Invicto pela maior parte da década com 154 vitórias consecutivas até fevereiro de 2020, o judoca francês está de olho em uma terceira medalha Olímpica de ouro na categoria peso-pesado do judô, um feito inédito.

Katie Ledecky, dos EUA, comemora o ouro e o novo recorde mundial nos 400m livre na Rio 2016
Foto: 2016 Getty Images

Katie Ledecky (EUA), Natação

Seria uma grande surpresa se Katie Ledecky não aumentasse sua coleção de seis medalhas Olímpicas em seus terceiros Jogos. A atleta de 24 anos deve competir em até seis eventos, incluindo o 1500m feminino, que estreia nos Jogos Olímpicos. Ledecky é virtualmente invencível nesse evento e possui o recorde mundial, junto a outros.

Shelly-Ann Fraser-Pryce, da Jamaica, compete nos 100m na Rio 2016
Foto: 2016 Getty Images

Shelly-Ann Fraser-Pryce (Jamaica), Atletismo

A segunda mulher mais rápida da história, atrás de Florence Griffith-Joyner, que já faleceu, Shelly-Ann Fraser-Pryce é a atleta a ser batida nos 100m. Em uma disputa sem Sha’Carri Richardson (USA), a campeã de 2008 e 2012 dos 100m pode se tornar a primeira mulher a vencer três títulos Olímpicos nesta prova.

Eliud Kipchoge, do Quênia, comemora após vencer a maratona em Enschede, na Holanda, em abril de 2021
Foto: 2021 Getty Images

Eliud Kipchoge (Quênia), Atletismo

Eliud Kipchoge se tornou o primeiro homem a correr uma maratona em menos de duas horas em 2019. Em Tóquio, ele está defendendo o título. Se vencer, será a terceira pessoa da história a ganhar a maratona Olímpica duas vezes, depois de Abebe Bikila, da Etiópia (1960, 1964) e de Waldemar Cierpinski, da Alemanha Oriental (1976, 1980).

Caeleb Dressel, nadador americano, compete nos 100m livre no Mundial de Gwangju em 2019
Foto: 2019 Getty Images

Caeleb Dressel (EUA), Natação

Caeleb Dressel, o primeiro homem a nadar em menos de 40 segundos nos 100m livre, não é recordista nos Jogos Olímpicos nesta prova (suas duas medalhas na Rio 2016 vieram nos revezamentos 4x100 livre e 4x100 medley), mas ele é recordista no 100m borboleta, 50m livre e 100m medley individual. Se a preparação para Tóquio é um indício, ele vai superar recordes novamente agora. Outro potencial recordista na piscina é o britânico Adam Peaty. Considerado o maior nadador de peito da história, Peaty tem os cinco melhores tempos dos 100m peito da história e é o favorito não só para defender o título em Tóquio, mas também para quebrar o recorde mundial.

Allyson Felix, dos EUA, compete no revezamento 4x400 na Rio 2016
Foto: 2016 Getty Images

Allyson Felix (EUA), Atletismo

Allyson Felix retorna para sua quinta (e última) edição dos Jogos Olímpicos. A velocista americana já possui seis ouros Olímpicos e três pratas, o que a torna a atleta feminina mais bem-sucedida da história. Se ganhar mais uma, ela igualará o recorde de Carl Lewis entre os atletas dos Estados Unidos.

UCHIMURA Kohei, do Japão, compete na barra fixa no Campeonato Nacional de Ginástica do Japão em junho de 2021
Foto: 2021 Getty Images

UCHIMURA Kohei (Japão), Ginástica

Tricampeão Olímpico, UCHIMURA Kohei está competindo nos Jogos Olímpicos pela quarta vez. Conhecido como “Rei” Kohei depois de se tornar o primeiro ginasta homem em 44 anos a defender seu título do individual geral, o ginasta japonês não está defendendo os títulos em seu país natal. Desta vez, ele tentará uma primeira medalha de ouro Olímpica no seu único evento, a barra fixa.

Jason Kenny e Laura Trott, da Grã-Bretanha, comemoram ouros na Rio 2016
Foto: 2016 Getty Images

Laura e Jason Kenny (Grã-Bretanha), Ciclismo de pista

O casal 20 do ciclismo de pista, Laura e Jason Kenny, são dois quebradores de recordes por si só. Jason igualou o recorde britânico de Chris Hoy de seis títulos Olímpicos nos Jogos do Rio, enquanto sua esposa Laura venceu sua quarta medalha de ouro. Em Tóquio, o casal é capaz de várias vitórias.

Veja Funky Fred e Pavarotti em ação

Em cada esporte, os atletas não seriam nada se não fosse por seus companheiros de viagem.

Os queridos itens que atletas não podem ficar sem na competição incluem de roupas íntimas da sorte a pranchas de surfe (outro equipamento que é essencial em outros esportes também). Ainda por cima, alguns deles possuem ótimos nomes.

O principal exemplo são os melhores e mais especializados companheiros dos esportes Olímpicos – os cavalos nas disciplinas de hipismo.

Dentre os que estarão em ação no Parque de Hipismo estão Blue Movie (que compete com a australiana Rowan Willis), Funky Fred (do alemão Marcus Ehning), Hot Chocolat (da francesa Isabelle Pinton) e Pavarotti (da canadense Jessica Phoenix).

Você pode ver a lista completa de cavalos, seus cavaleiros e conjuntos no site de Tóquio 2020 e no app.

Novos esportes e novas estrelas Olímpicas chegam a Tóquio 2020

Surfe

Os maiores nomes do surfe estarão na Praia de Tsurigasaki com medalhas Olímpicas em disputa pela primeira vez.

A estreia do surfe nos Jogos Olímpicos inclui um line-up de campeões mundiais, veteranos do circuito da World Surf League (WSL) e novatos prontos para deixar sua marca no esporte.

Na história moderna do surfe, os principais surfistas profissionais são da Austrália e dos EUA, mas os brasileiros têm crescido muito nos últimos anos.

A competição será disputada em quatro dias, se as ondas permitirem, com dois os dois surfistas em cada eliminatórias avançando para a próxima rodada.

Os que não conseguirem terminar entre os dois primeiros vão disputar uma repescagem para decidir quem avança às rodadas finais e para os confrontos diretos que decidem os medalhistas.

A brasileira Leticia Bufoni é uma das favoritas na prova de street do skate.
Foto: 2019 Getty Images

Skate

Há duas categorias para cada gênero neste esporte: street e park. O street é disputado em uma pista reta completa com escadas, corrimãos, bancos e paredes.

Os atletas são julgados por sua originalidade, execução e número de truques que apresentarem.

Nyjah Huston está entre os nomes que devem ir bem em Tóquio 2020.

O americano Huston é um dos melhores skatistas de street da história. Ele foi nomeado para o ilustre prêmio da Thrasher Magazine de ‘Skatista do Ano’ diversas vezes, mas ainda não ganhou.

Uma das melhores amigas de Huston, a brasileira Bufoni, é uma das favorias na disputa feminina do skate. Uma fanática por academia, Bufoni tem sido uma atleta muito consistente nos campeonatos da World Skate e da SLS desde que venceu o título em 2015.

O skate park será disputado em uma pista com declive, com uma série de curvas e mergulhos.

Assim como Rayssa Leal, que terá apenas 13 anos quando competir no Parque Esportivo Urbano Ariake, a britânica Sky Brown será uma das competidoras mais jovens no evento feminino e é uma das grandes atrações do park.

Heimana Reynolds (USA) terminou 2020 como o número 1 do ranking do park, enquanto Tom Schaar também está em alta.

Janja Garnbret, da Eslovênia, compete em Hachioji, Tóquio, Japão.
Foto: 2019 Getty Images

Escalada esportiva

As primeiras medalhas Olímpicas da escalada esportiva serão distribuídas em Tóquio nas competições masculina e feminina.

Para cada gênero, 20 atletas farão parte das três disciplinas da escalada – speed, bouldering e lead.

Seus resultados então são multiplicados – por exemplo, uma escaladora que termina em primeiro, quinto e segundo será uma pontuação de 10 (1x5x2). Os seis primeiros escaladores com a pontuação mais baixa avançam para a final.

Estes seis então competem novamente, com a pontuação mais baixa decidindo os medalhistas. Janja Garnbret da Eslovênia será uma das estrelas para ficar de olho no torneio feminino. A hexacampeã mundial é uma das melhores escaladoras do mundo. “Quando estou na parede, nada mais importa”, ela disse em 2019.

Adam Ondra, da República Tcheca, é um dos favoritos entre os homens. Ele foi o primeiro escalador a escalar uma rota 9C+ de bouldering, considerada a rota mais difícil do mundo, na formação ‘Silence’ na Noruega.

Karatê

Nippon Budokan, a casa espiritual da tradicional arte marcial japonesa, sediará a primeira competição Olímpica de karatê em 2021.

Há seis eventos de kumite em Tóquio 2020 – três para cada gênero em diferentes categorias de peso – na qual dois competidores se enfrentam em um combate. As categorias são 67kg, 75kg e +75kg no masculino e 55kg, 61kg.e +61kg no feminino.

Também há duas competições de kata – uma por gênero – em que os oponentes se revezam apresentando uma rotina que consiste em uma série de socos e chutes.

É no kata que a nação sede tem chances de ir muito bem. Kiyuna Ryo é uma grande favorita e Damián Quintero da Espanha é o homem a ser batido, enquanto Shimizu Kiyou será testada pela espanhola Sandra Sánchez no evento feminino.

Beisebol/Softbol

Beisebol e softbol retornam aos Jogos Olímpicos após terem saído depois de Beijing 2008.

Os anfitriões japoneses estarão entre os favoritos em ambos os esportes e podem se inspirar na última final do softbol.

Os Estados Unidos ganharam todas as três medalhas de ouro anteriores, começando em Atlanta 1996 uma série invicta de 22 jogos que durou até antes da final de 2008.

No entanto, UENO Yukiko cedeu apenas uma corrida e o Japão surpreendeu as favoritas por 3-1 para conquistar o primeiro ouro.

No beisebol, os Estados Unidos tentarão o primeiro ouro desde Sydney 2000, o único até hoje. Em Pequim, a República da Coreia derrotou Cuba na final.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio contarão com o BMX Freestyle pela primeira vez.
Foto: 2010 Getty Images

Esportes conhecidos, disciplinas novas

Vários esportes contam com disciplinas ou eventos novos em Tóquio 2020. A motivação é atrair torcedores mais jovens ou também ir em direção a maior igualdade de gênero nos Jogos Olímpicos.

No basquete, países competirão pela primeira vez no 3x3.

BMX freestyle é uma nova disciplina dos Jogos, enquanto o Madison foi reintroduzido ao programa do ciclismo de pista.

Há três novos eventos na natação – os 1500m livre feminino, o 800m livre masculino e o revezamento misto 4x100 medley.

Outro revezamento misto foi incluído no programa do atletismo, que também terá um 4x400m misto.

No tiro esportivo, três novos eventos mistos por equipe serão disputados: fossa Olímpica misto, pistola de ar 10m misto e carabina de ar 10m misto.

No tiro com arco, também haverá uma nova competição mista.

Estádio Olímpico

Onde os atletas competirão nos Jogos Olímpicos em 2021?

O novo Estádio Olímpico de Tóquio será o ponto focal dos Jogos em 2021 e receberá as Cerimônias de Abertura e Encerramento, o atletismo e vários jogos de futebol.

O estádio foi construído com madeira híbrida e estrutura de aço, com a madeira da estrutura do teto originária de 47 prefeituras do Japão.

O conceito do Parque Urbano, que provou ser um sucesso nos Jogos Olímpicos da Juventude Buenos Aires 2018, também estará em operação. O BMX e o skate serão disputados no Parque Esportivo Urbano Ariake com o Parque Esportivo Urbano Aomi recebendo a escalada esportiva e o basquete 3x3.

Há também quatro locais de competição que foram usados nos Jogos Olímpicos de 1964: o Ginásio Metropolitano de Tóquio (tênis de mesa), o Estádio Nacional Yoyogi (handebol), o Nippon Budokan (judô e karatê) e o Parque Equestre.

Tóquio é o centro, mas há vários eventos sediados em locais diferentes.

O beisebol e o softbol serão disputados no Estádio de Beisebol Fukushima Azuma, no leste do Japão, na prefeitura mais afetada pelo Grande Furacão do Leste Japonês em 2011.

Ao norte de Fukushima está Miyagi, outra cidade atingida pelo tsunami, que receberá jogos preliminares do futebol e as quartas de final.

O local mais distante dos Jogos é Sapporo, 850km ao norte da capital, que sediará jogos da fase de grupos do futebol, além das marchas atléticas e das maratonas no atletismo.

Kashima, na costa leste da ilha principal de Honshu do Japão, a 100km a leste de Tóquio, também verá vários jogos do futebol, incluindo as semifinais e a disputa do bronze do feminino.