O que aprendemos com a temporada do esqui alpino até agora

Às vésperas dos Jogos Olímpicos de Inverno Beijing 2022, tem sido uma temporada intensa do esqui alpino, com a realização de diversas provas da Copa do Mundo FIS nas distintas disciplinas, que já passou por cinco países em pouco mais de dois meses. O Olympics.com faz um resumo sobre o que aconteceu até aqui.

Virgílio Franceschi Neto
Foto: 2021 Getty Images

O esqui alpino é uma das modalidades que mais simbolizam os Jogos Olímpicos de Inverno, tendo feito a estreia na edição de Garmisch-Partenkirchen 1936, tanto no masculino quanto no feminino. Além de simbólico e tradicional, o esporte é um dos mais aguardados dos Jogos.

A temporada 2021/2022 da Copa do Mundo FIS (sigla em francês para Federação Internacional de Esqui) - a 56ª - começou no final de outubro, na Áustria. Em pouco mais de dois meses, foram várias provas nas distintas disciplinas que compõem a modalidade, em vários países e em dois continentes. As etapas na América do Norte voltaram ao calendário após terem ficado de fora no ano anterior por conta da pandemia da Covid-19.

Uma agenda intensa e com muitas provas já realizadas, que têm servido de preparação para Beijing 2022, que acontece em menos de um mês. Alguns nomes já despontam e chamam a atenção para os Jogos. O Olympics.com faz um balanço sobre o que aconteceu até agora, o que aprendemos e se é possível tratar a temporada como prenúncio dos Jogos que começam em 4 de fevereiro.

Shiffrin e Vlhová despontam entre as mulheres

As duas lendas da modalidade são líder e vice-líder no total geral da temporada até agora, respectivamente. Bicampeã Olímpica, a norte-americana Mikaela Shiffrin faturou a prova inaugural no slalom gigante, em Sölden, na Áustria. Manteve bons resultados nas etapas seguintes de Copa do Mundo FIS, com poucas ocasiões fora do pódio e vitórias em Killington (Estados Unidos), em novembro, no slalom, e em Courchevel (França) no slalom gigante, em dezembro.

Apesar de ter sido contaminada pela Covid-19 e ficado de fora de Lienz (Áustria), no último fim de semana de 2021, Shiffrin lidera com 830 pontos, além de estar na ponta da classificação do slalom gigante.

Logo atrás está a eslovaca Petra Vlhová. A atual campeã geral 2020/2021 venceu as provas do slalom em Levi (Finlândia), e ficou em segundo em Killington (Estados Unidos). Entretanto, não foi tão bem no mês de dezembro, só voltando ao pódio depois do Natal, com a prata no slalom gigante e duas vitórias no slalom, tudo isso em Lienz (Áustria).

Em 2022, Vlhová começou com tudo ao vencer nesta terça-feira (4 de janeiro) a etapa da Copa do Mundo FIS de slalom em Zagreb, na Croácia. Foi sua 24ª vitória em Copas do Mundo. Shiffrin ficou em segundo.

"Quis me concentrar em esquiar somente porque sei que minhas colegas tiveram alguns problemas recentemente. As condições não são perfeitas. Não é fácil vencer tantas provas em uma sequência. Há muita pressão de fora, mas venci novamente e estou feliz," disse a eslovaca para o Olympics.com.

Marco Odermatt é o destaque entre os homens

Já no masculino existe um interessante duelo entre Marco Odermatt (SUI) e Aleksander Aamodt Kilde (NOR). Depois de ter ficado de fora de PyeongChang 2018, o suíço de 24 anos quer chegar em Beijing 2022 na melhor forma e tem feito por onde. É o atual vice-campeão geral, no slalom gigante e no super G.

Na atual temporada, Odermatt faturou o slalom gigante em Sölden, Val d'Isere e Alta Badia. Além disso, obteve pódios que ajudaram-no a manter a liderança no total geral ao longo de toda a temporada, com 745 pontos, tendo a dividido por poucos dias em novembro, com o austríaco Christian Hirschbühl, que hoje sequer aparece entre os cinco primeiros da classificação.

"Não é possível fazer melhor do que isso agora, é inacreditável o que está acontecendo neste momento. Quero aproveitar," disse Odermatt para o canal da FIS nas redes sociais após vencer prova de slalom gigante em Alta Badia (Itália).

Com duas participações em Jogos, o norueguês Kilde tem se revelado como um dos fortes nomes para Pequim. Espera um ano esportivo bem diferente do que foi o último. Com uma lesão no joelho, teve que se afastar do restante da temporada, em 2021.

Recuperado, demorou um pouco para conseguir o pódio, que aconteceu no primeiro fim de semana de dezembro, em Beaver Creek (Estados Unidos). Desde então, tem sido protagonista no "circo branco", com uma vitória no downhill e três no super G, que fazem dele líder parcial desta categoria e vice-líder geral, com 469 pontos.

Marco Odermatt (SUI) no Super G da Copa do Mundo FIS de esqui alpino em dezembro de 2021, em Bormio (Itália).
Foto: 2021 Getty Images

O que está por vir

Muitas provas vão acontecer até o final de janeiro, quando então as atenções se voltam para Beijing 2022. Após os Jogos, etapas na Suíça e na Suécia até o encerramento da Copa do Mundo FIS, em Méribel (França), entre 16 e 20 de março.

O próximo compromisso para as mulheres é dias 8 e 9 de janeiro no slalom e slalom gigante, em Kranjska Gora, na Eslovênia; para os homens, nos mesmos dias as mesmas disciplinas, mas em Adelboden, na Suíça.

Há muito por vir, é verdade.

No feminino, apesar do domínio e favoritismo de Shiffrin e Vlhová, é preciso ficar de olho em Sofia Goggia (ITA). A atual campeã Olímpica no downhill teve um mês de dezembro impressionante, quando somou vários triunfos. É terceira colocada na classificação geral, atrás da norte-americana e da eslovaca. A italiana nesta temporada é líder parcial em duas disciplinas: downhill e super G.

No masculino, nada parece ameaçar Odermatt no total geral e no slalom gigante. Entretanto, um forte adversário que esbanja regularidade e representa - por enquanto - séria ameaça para o norueguês Kilde (vice-líder geral), é o austríaco Matthias Mayer.

Medalha de ouro em Jogos em duas ocasiões (Sochi 2014 no downhill e PyeongChang 2018 no super G), Mayer tem 447 pontos no geral e é o vice-líder parcial no downhill e no super G, não muito distante de quem está na liderança.

Você deve estar sentindo a falta de um nome, favorito em Beijing 2022, inclusive.

Acertou se você pensou em Alexis Pinturault (FRA). Vencedor do Grande Globo de Cristal em 2021, a temporada está bem diferente para o três vezes medalhista em Jogos, tendo conquistado apenas dois pódios até agora. É o atual quinto colocado na classificação geral. Quem sabe o francês não está guardando as energias para os Jogos Olímpicos de Inverno que começam no próximo dia 4 de fevereiro?

Muito ainda pode acontecer, por isso Beijing 2022 tem tudo para ser emocionante!

Mikaela Shiffrin (USA) durante prova na Croácia, em janeiro de 2022
Foto: 2022 Pixsell/MB Media

O esqui alpino em Beijing 2022

A competição Olímpica da modalidade será realizada entre 6 e 19 de fevereiro, no Centro Nacional de Esqui Alpino, em Yanqing. A pista é considerada uma das mais íngremes do mundo, com uma área de largada que possui inclinação máxima de 68 graus.

Serão ao todo 11 eventos, somadas as categorias masculina e feminina. São eles:

  • Downhill
  • Super-G
  • Slalom gigante
  • Slalom
  • Combinado alpino
  • Equipes mistas

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