A hora e a vez de Nathan Chen, ouro no individual masculino da patinação artística em Beijing 2022 

Americano domina competição e enfim ganha seu primeiro título Olímpico. Japoneses Kagiyama e Uno fecham pódio, enquanto Hanyu foi para o tudo ou nada e terminou na quarta colocação.

Foto: 2022 Getty Images

Após anos de espera e uma decepção há quatro anos, o tricampeão mundial Nathan Chen, dos EUA, é enfim campeão Olímpico.

Chen, 22, ao som de "Rocketman", de Elton John, conquistou o título do individual masculino da patinação artística em Beijing 2022, nesta quinta-feira, 10 de fevereiro, com nota total de 332.60.

"Nunca imaginei que poderia chegar tão longe na minha carreira. Claro que sempre sonhava em disputar os Jogos Olímpicos e em ganhar, mas pensava que era difícil, não sabia que poderia fazer acontecer", revelou Chen.

Esta é a terceira medalha Olímpica de Chen, mas a primeira vez que ele sobe ao topo do pódio. Também é o oitavo ouro dos EUA no individual masculino, recorde entre todos os países. Em PyeongChang 2018, ele ficou na quinta posição após ter falhado no programa curto.

Desta vez, Chen chegou a Pequim decidido a não deixar outra chance escapar e já bateu o recorde mundial no programa curto. No longo, marcou 218.63.

"Estou feliz que fiz o que precisava para vencer. Claro, ainda estou pensando naquele toe flip. Eu me apressei um pouco e fui muito de frente nele, então não conseguiu puxar os três giros. Mas no geral estou feliz que consegui fazer o Axel triplo depois disso", afirmou Chen.

Prata e bronze com o Japão

Kagiyama Yuma, de apenas 18 anos, conquistou a medalha de prata, com 310.05 na soma dos programas. O jovem já havia sido prata no Mundial de 2021 e impressionou novamente, desta vez nos Jogos Olímpicos.

Curiosamente, Kagiyama faz aniversário na mesma data de Chen, 5 de maio, mas é quatro anos mais jovem. Seu pai, Kagiyama Masakazu, competiu em Albertville 1992 e Lillehammer 1994, terminando em 13º e 12º, respectivamente.

"Estou muito feliz. Mas ao mesmo tempo acho que poderia ter feito mais na apresentação de hoje", afirmou Kagiyama. "Essa medalha de prata significa algo grande para mim e para meu futuro".

Apesar da pouca idade, Kagiyama mostra a mentalidade de quem sempre busca mais. "Eu não desisto. Quero crescer mais", contou. "Fiquei nervoso no programa longo porque tudo seria determinado por ele. Meu corpo estava um pouco rígido pela tensão, mas consegui terminar com um sorriso 100%, porque não queria me sentir mal por nada".

Fechando o pódio, outro japonês, Uno Shoma, que conquista sua segunda medalha Olímpica neste evento. Em PyeongChang 2018, ele havia ficado com a prata. O patinador de 24 anos também é vice-campeão mundial duas vezes, em 2017 e 2018.

"Se eu tivesse outra chance, provavelmente terminaria com o mesmo resultado", disse Uno. "Foi uma boa experiência. Acho que vai me levar a [experiências] melhores. Quem sabe eu possa apresentar um lindo programa como o do Nathan Chen".

Hanyu arrisca e fica fora do pódio

Bicampeão Olímpico em Sochi 2014 e PyeongChang 2018, o japonês Hanyu Yuzuru ficou fora do pódio, na quarta colocação. Ele tentou em seu primeiro salto o inédito Axel quádruplo, mas não conseguiu completar o elemento. O japonês também sofreu uma queda no segundo salto, teve nota 188.06 e somou 283.21 na soma dos dois programas.

"Acho que eu quebrei barreiras hoje", disse Hanyu. "Não importa quão difícil ou inimaginável, quero sempre forçar um pouco mais pelos que têm expectativas por mim", acrescentou.

Com a oitava colocação no programa curto, Hanyu precisava ir para o tudo ou nada para ter chances de pódio. Mesmo sem acertar, o japonês mostrou a coragem de fazer história em uma temporada complicada para o patinador, que lutou contra uma lesão no tornozelo. Hanyu tentava ser o primeiro tricampeão consecutivo no individual masculino Olímpico.

"Eu faço o Axel quádruplo bem melhor agora. Falhei no sonho de completá-lo nestes Jogos Olímpicos, mas trabalhei muito duro para isso", comentou o bicampeão Olímpico. "Foi difícil para mim no gelo. Se não fizesse o Axel quádruplo, poderia ter feito uma combinação melhor. Mas tentar o Axel quádruplo era o meu orgulho. Eu faria as pessoas se sentirem mais completas. Por isso eu fiz. A pressão me dá mais energia para patinar".

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