Ouro no individual geral em 2022, Rebeca Andrade terá como principal rival na defesa do título Simone Biles, vencedora do evento nos Jogos Rio 2016 e que busca outros recordes no evento. Brasil chega com time forte e de olho na vaga Olímpica por equipes para Paris tanto no masculino como no feminino.
(Laurence Griffiths / Getty Images)
Rebeca Andrade obteve um feito histórico para a ginástica artística do Brasil ao vencer no individual geral no Mundial da modalidade ano passado, em Liverpool. Um ano depois, a brasileira chega para a defesa do título tendo como uma das principais rivais a americana Simone Biles, que promete ser a atração do evento deste ano, que acontece entre 30 de setembro e 5 de outubro na cidade belga da Antuérpia.
Na primeira competição desde o Mundial de 2022, em que, além de campeã do individual geral, foi bronze no solo, Rebeca ganhou dois ouros no Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística, realizado em meados de agosto na cidade de Lauro de Freitas, na Bahia. Ela faturou as barras assimétricas e a trave (não disputou os outros eventos). Na Copa do Mundo de Paris, em meados de setembro, foi prata nas barras assimétricas.
Rebeca e o restante da delegação brasileira estão em busca das vagas aos Jogos Paris 2024 na disputa por equipes, tanto no masculino como no feminino. Para assegurar o Brasil na disputa, será preciso ficar entre os nove primeiros colocados na Bélgica, ou até abaixo disso caso os países que asseguraram vaga no Mundial do ano passado estejam à frente na classificação.
Ao menos na disputa feminina o Brasil não terá de se preocupar, pois os Estados Unidos já obtiveram a vaga por terem vencido em Liverpool. Aliás, se a equipe americana realmente ganhar de novo, conquistará o heptacampeonato.
O país já detém o recorde de triunfos consecutivos, mas caso Biles esteja na disputa, será sua quinta medalha - ela atualmente está empatada com Simona Amanar, da Romênia, e Huang Xu, Yang Wei e Chen Yibing, todas da República Popular da China, com quatro cada uma.
Detentora de 25 medalhas em outras participações no evento, Biles chega à Bélgica para sua sexta participação. A última vez que ela disputou o Mundial foi em 2019, com saldo de cinco ouros (individual geral, equipes, mesa, barras assimétricas e solo), desempenho que ela pode repetir na Bélgica.
No individual geral, Biles venceu em todas as cinco participações anteriores, entre elas em sua estreia em Mundiais, há dez anos, também na Antuérpia. Nenhuma ginasta na história conquistou cinco vezes o ouro nessa disputa, embora no masculino isso seja diferente: o japonês Uchimura Kohei, com seis vitórias, é o recordista.
Biles também chega como favorita em diversas disputas por aparelhos no Mundial, entre elas na mesa, em que venceu duas vezes, e no solo, evento do qual já saiu vencedora outras cinco. Nas barras assimétricas, foram três triunfos (2014-15 e 2019).
O desempenho de três ouros nas barras assimétricas e cinco no solo já são os melhores de uma ginasta em Mundiais, enquanto um terceiro triunfo na mesa a colocaria empatada com a chinesa Cheng Fei como a recordista do evento.
No total, suas 25 medalhas em Mundiais de Ginástica Artística já são um recorde. Se vier mais uma na Antuérpia, ela vai empatar com a marca de Vitaly Scherbo, que soma 34 entre o Mundial e os Jogos Olímpicos.
Na disputa Olímpica, Biles possui sete medalhas, sendo quatro ouros, uma prata e dois bronzes.
Com o objetivo de obter as vagas para as equipes masculina e feminina, o Brasil vai com os principais ginastas: além de Rebeca, estão na relação de convocados Arthur Zanetti, Arthur Nory, Flávia Saraiva e Jade Barbosa.
A lista feminina conta ainda com Lorrane Olveira, Julia Soares e Carolyne Pedro.
Entre os honens, a principal ausência será a de Caio Souza, que sofreu uma ruptura total do tendão de Aquiles e desfalcará o Brasil não só no Mundial, mas também nos Jogos Pan-Americanos de Santiago 2023. Ele foi o campeão do Individual Geral e por equipes em Lima 2019 e agora não poderá tentar o bicampeonato. Em Tóquio 2020, também se classificou para a final da mesa, terminando em oitavo.
Com isso, os pilares do Brasil no masculino esse ano na Bélgica serão Zanetti, campeão Olímpico nas argolas em Londres 2012 e que faturou o título do aparelho no Brasileiro da modalidade realizado esse ano, e Nory, medalhista Olímpico no solo e dono de duas medalhas em Mundiais na barra fixa.
Completam a lista Yuri Guimarães (vencedor do individual geral no Brasileiro desse ano), Diogo Soares, Tomas Florencio e Patrick Sampaio.
Em um dos primeiros testes para o Mundial da Antuérpia, o Brasil terminou a etapa de Paris da Copa do Mundo com cinco medalhas conquistadas: foram três de prata e duas de bronze em 17 de setembro.
As pratas vieram com Rebeca Andrade nas barras assimétricas, depois com Jade Barbosa, no solo, e com Arthur Nory, na barra fixa, aparelho em que Nory fez dobradinha com Bernardo Actos, que foi bronze. Antes disso, Flávia Saraiva foi bronze na trave.
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Além da busca de Biles pelos recordes de vitórias em Mundiais, a competição feminina promete ser mais emocionante do que nunca.
No evento por equipes, os EUA entram como grandes favoritos para mais um título, enquanto a equipe britânica deverá defender a prata obtida ano passado diante de sua torcida.
A batalha pelo bronze será intensa, tendo como principais candidatos Brasil, Itália, França, Japão, China e o Canadá, que ficou em terceiro em 2022.
No individual geral, a também americana Shilese Jones e a britânica Jessica Gadirova, respectivamente prata e bronze no individual geral ano passado, também estão na briga. Outra forte candidata é a francesa Melanie de Jesus dos Santos, que superou Rebeca na final do solo em Paris e ainda ganhou mais uma medalha, nas barras assimétricas. Também corre por fora a japonesa Miyata Shoko.
Biles é a grande favorita na mesa e no solo. Nas barras assimétricas, Rebeca e Jones têm chances, junto com Kaylia Nemour, da Argélia, e a chinesa Qui Qiyuan. Todas as quatro já obtiveram uma nota maior que 15.000 em uma competição no ano de 2023, de acordo com o portal Gymter.net.
Na trave, além de Biles, vale observar Ashikawa Uraua, campeã de 2021 do evento, Qui e Zhang Qingying, da República Popular da China.
Na competição masculina, o título por equipes prvavelmente será decidido entre Japão e República Popular da China.
A equipe japonesa tem como destaque Hashimoto Daiki, atual campeão mundial e Olímpico no individual geral, enquanto a China dividiu seus ginastas entre a disputa na Antuérpia e os Jogos Asiáticos desse ano, os quais sediam na cidade de Hangzhou. Com isso, um desfalque certo é Zhang Boheng, prata ano passado e campeão em 2021.
Como Zhang não vai à Belgica, Hashimoto surge como favorito ao bicampeonato. Outros fortes concorrentes são o também chinês Shi Cong, prata no individual geral da Universíade, e o japonês Chiba Kenta, que detém a terceira melhor marca no evento em toda a atual temporada.
Já o filipino Carlos Yulo, que fez história como primeiro ginasta de seu país a conquistar um ouro no Mundial com a vitória no solo na edição de 2019, também aparece como candidato a retornar ao pódio em diversos eventos.
O Mundial 2023 de Ginástica Artística é o principal evento qualificatório aos Jogos Paris 2024, com diversas vagas disponíveis para os Comitês Olímpicos Nacionais (CONs).
Em 2022, EUA, Grã-Bretanha e Canadá obtiveram as vagas para o evento feminino por equipes, enquanto República Popular da China, Japão e Grã-Bretanha o fizeram no masculino.
Esse ano, os CONs precisam ficar entre os nove primeiros colocados na Bélgica, ou até abaixo disso caso os que asseguraram vaga no Mundial do ano passado estejam à frente na classificação.
Além disso, uma vaga individual estará disponível para os três CONs melhor ranqueados que não se classificarem no evento por equipes.
As cotas individuais serão distribuídas aos CONs, de oito ginastas no masculino e 14 no feminino, sempre com base no ranking das classificatórias do individual geral.
Vagas por aparelho podem também ser asseguradas no Mundial de 2023, com o melhor atleta colocado em cada aparelho que não tiver se classificado nas competições anteriores garantindo vaga nominal para si. Serão seis homens e quatro mulheres.
Como os Comitês Olímpicos Nacionais têm autoridade exclusiva sobre a representação de seus respectivos países nos Jogos Olímpicos, a participação dos atletas nos Jogos de Paris depende de seus CONs selecioná-los para representar sua delegação em Paris 2024.
CONFIRA | O sistema Olímpico de classificação da ginástica artística em Paris 2024
A fase classificatória acontece entre 30 de setembro e 2 de outubro, com as primeiras medalhas sendo disputadas no dia 3.
Veja abaixo a programação completa (horários de Brasília):
Sábado, 30 de setembro
Classificatórias masculinas
5h-6h50 Subdivisão 1 – Turquia, Individual Geral 3, Grã-Bretanha, Cazaquistão, Brasil e Individual Geral 8
7h15-9h05 Subdivisão 2 – Especialista em Aparelho 1, Israel, Japão, Ucrânia, Bélgica, Especialista em Aparelho 2
11h-12h50 Subdivisão 3 – Austrália, Estados Unidos, Individual Geral 6, Individual Geral 5, Uzbequistão e Romênia
13h15-15h05 Subdivisão 4 – Espanha, Individual Geral 4, Países Baixos, República Popular da China, Individual Geral 10 e Alemanha
Domingo, 1 de outubro
Classificatórias masculinas
5h-6h50 Subdivisão 5 – Egito, Canadá, Individual Geral 9, Colômbia, Suíça e Individual Geral 7
7h15-9h05 Subdivisão 6 – Itália, República da Coreia, França, Individual Geral 1, Individual Geral 2 e Hungria
Classificatórias femininas
11h-12h20 Subdivisão 1 – Itália, Países Baixos, Especlaista em Aparelho 2, Especialista em Aparelho 1
12h45-14h05 Subdivisão 2 – Taipé Chinesa, Estados Unidos, Individual Geral 4 e Individual Geral 7
14h30-15h50 Subdivisão 3 – Individual Geral 2, Grã-Bretanha, República da Coreia e África do Sul
Segunda-feira, 2 de outubro
Classificatórias femininas
5h-6h20 Subdivisão 4 – Individual Geral 1, Espanha, Bélgica e Romênia
6h30-7h50 Subdivisão 5 – México, Individual Geral 9, Suécia e Individual Geral 3
8h-9h20 Subdivisão 6 – Individual Geral 6, Austrália, Brasil e Individual Geral 12
11h15-12h35 Subdivisão 7 – Individual Geral 10, Áustria, Individual Geral 5 e Canadá
12h45-14h05 Subdivisão 8 – Alemanha, Hungria, Finlândia e Individual Geral 13
14h45-16h05 Subdivisão 9 – Japão, Tchéquia, Argentina e Individual Geral 8
16h15-17h35 Subdivisão 10 – França, Individual Geral 14, Individual Geral 11 e República Popular da China
Terça-feira, 3 de outubro
14h30-17h45 Final masculina por equipes (Oito melhores das classificatórias)
Quarta-feira, 4 de outubro
14h30-17h05 Final feminina por equipes (Oito melhores das classificatórias)
Quinta-feira, 5 de outubro
14h30-17h40 Final masculina do individual geral (Disputada pelos 24 melhores das classificatórias, com um máximo de dois ginastas por país)
Sexta-feira, 6 de outubro
14h30-17h Final feminina do individual geral (Disputada pelas 24 melhores das classificatórias, com um máximo de duas ginastas por país)
Sábado, 7 de outubro
9h-13h Dia 1 das finais por aparelho (Oito melhores de cada aparelho das classificatórias, máximo de dois ginastas por país)
Masculino: solo, cavalo com alças e argolas; feminino: mesa e barras assimétricas
Domingo, 8 de outubro
9h-13h Dia 2 das finais por aparelho (Oito melhores de cada aparelho das eliminatórias, máximo de dois ginastas por país)
Masculino: mesa, barras paralelas e barra; feminino: trave e solo
No Brasil, a transmissão do Mundial ficará por conta do Sportv.