Martine Grael e Kahena Kunze em uma nova missão: ‘Temos muito para fazer juntas ainda’

Integrantes de uma das duplas mais vitoriosas do esporte brasileiro, as bicampeãs Olímpicas na classe 49erFX da vela disputam o Mundial da categoria a partir de 31 de agosto. Elas contam ao Olympics.com que os principais desafios rumo a Paris 2024 são a mudança de treinador e a alta competitividade da categoria.

Sheila Vieira
Foto: 2021 Getty Images

Nos últimos seis anos, as velejadoras brasileiras Martine Grael e Kahena Kunze viveram o que a maioria dos atletas busca durante toda a carreira. Bicampeãs Olímpicas, em uma parceria com a sintonia perfeita.

Um passo importante para um possível tricampeonato nos Jogos Olímpicos Paris 2024 é o Campeonato Mundial de 2022 da classe 49er FX, que acontece entre 31 de agosto e 5 de setembro na Baía de St. Margarets, na Nova Escócia, Canadá.

“Tem várias meninas que estão chegando agora no circuito. Mas elas competem em casa, têm um potencial bom para ganhar medalha. Estamos fazendo nosso dever de casa, estamos preparadas fisicamente e tecnicamente”, disse Kahena ao Olympics.com em junho deste ano.

As brasileiras tentam o bicampeonato mundial na categoria. Elas foram ouro em 2014, prata em quatro edições e bronze na última, em 2021.

“Sempre achamos que dá para melhorar um pouco, mas estamos contentes com os resultados. Mas nossa classe não está nada fácil. Vai ser tudo difícil até as Olimpíadas. Temos que nos concentrar bastante”, completou Martine.

Confira a entrevista exclusiva com a dupla dourada da vela brasileira.

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Martine Grael e Kahena Kunze comemoram o bicampeonato Olímpico em Enoshima.
Foto: 2021 Getty Images

Novo treinador e novas regras

O bicampeonato Olímpico não acomodou Martine e Kahena. Elas sentiram que precisavam fazer mudanças e deixaram de trabalhar com o treinador Javier Torres, começando este ciclo ao lado do também espanhol Pepe Lis.

“Temos essa mudança de técnico, que tem sido motivacional para nós duas. É uma pessoa que tem muito para trazer e nos ensinar. Já notamos algumas diferenças, e é como se a gente estivesse reaprendendo a velejar. Isso é muito interessante, porque nos faz querer sempre mais e chegar melhor. Sempre tem o que melhorar e isso nos motiva muito para seguir até Paris”, afirmou Kahena.

A classe 49erFX teve suas regras de equipamento atualizadas para o ciclo de Paris 2024, algo que obviamente afeta a preparação das brasileiras.

“Deu uma nivelada na classe. Se alguém tinha vantagem, agora não tem mais. Estamos entendendo se pode afetar o peso da tripulação, se vamos precisar ficar mais fortes ou não”, comentou Martine.

A vela em Paris 2024 será em Marselha. O conhecimento da sede foi fundamental para a vitória das brasileiras em Tóquio 2020, e elas sabem que precisam fazer o mesmo desta vez.

“Tivemos um mês de treinamento lá, foi bom para se habituar e já se sentir um pouco em casa, mas ano que vem devemos ter um evento-teste e fazer uma preparação maior”, disse Kahena.

‘Queremos incentivar a nova geração’

Recentemente, Martine e Kahena comemoraram os aniversários de seis e um ano de suas vitórias na Rio 2016 e em Tóquio 2020, respectivamente. Duas campanhas que não poderiam ter sido mais diferentes.

“No Rio, nós éramos duas novatas. Eu via tudo como ‘se der deu, se não der, demos o nosso máximo’. Foi em casa, mais fácil. Já em Tóquio tivemos que ultrapassar muitas barreiras, da pandemia, de ser um país muito diferente. Foi um desafio pessoal também. Tínhamos a pressão de já sermos campeãs Olímpicas. Foi uma campanha bem mais psicológica”, lembra Kahena.

Essa história construída pelas duas, segundo Martine, é reflexo da cultura da vela brasileira.

“É um esporte em que nós construímos histórias. Compartilhamos momentos. Ainda cultivamos isso bastante. Temos uma amizade grande e vemos nossa trajetória como uma coisa muito bonita. Temos muito para fazer juntas ainda”, disse.

Para Kahena, os outros países têm mais rotatividade entre as duplas por terem mais praticantes.

“Claro que nós temos muita química, mas faltam mais meninas novas velejando no Brasil para ter essa troca. Queremos incentivar a nova geração feminina na vela.”

Martine Grael e Kahena Kunze ao vencerem a competição da classe 49er FX na Rio 2016
Foto: 2016 Getty Images

Por mais que a amizade seja um componente importante do sucesso da dupla, Martine e Kahena também aprenderam com o passar do tempo que é importante separar o trabalho da vida pessoal.

“São quase 10 anos juntas. Fomos aprendendo ao longo da nossa trajetória. A gente hoje se conhece tão bem, que sabemos também o momento de nos distanciarmos, de cada uma fazer a sua coisa. Isso faz parte da nossa evolução. Temos esse equilíbrio muito bem administrado. É natural, nada forçado”, afirmou Kahena.

Martine também destacou a importância das pessoas ao redor da dupla para manter essa harmonia.

“A gente profissionalizou muito a nossa relação. Isso também ajudou a lidar com certas frustrações. Nossa equipe também nos ajudou a distinguir as coisas profissionais das pessoais.”

Brasileiros no Mundial de Vela 49er, 49erFX e Nacra-17

A competição no Canadá acontece de 31 de agosto a 5 de setembro.

As bicampeãs Olímpicas Martine Grael e Kahena Kunze são as representantes do Brasil na 49erFX.

Já no evento masculino 49er, serão duas duplas brasileiras: Dante Bianchi com Thomas Low-Beer e Marco Grael (irmão de Martine e também filho de Torben) com Gabriel Borges.

Já a categoria mista Nacra-17 conta com João Siemsen ao lado de Marina Arndt e Samuel Albrecht com Gabriela Nicolino de Sá pelo Brasil.

Confira as informações atualizadas sobre o evento no site oficial.

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