Campeão Olímpico, Marcell Jacobs quer surpreender Christian Coleman no Mundial Indoor e separa roupa íntima especial

Uma das provas mais esperadas do Campeonato Mundial Indoor de Atletismo 2022 será os 60m rasos, com o campeão Olímpico dos 100m, o italiano Marcell Jacobs, diante do recordista mundial, o americano Christian Coleman.

Evelyn Watta
Foto: 2022 Getty Images

Dois dos homens mais rápidos do mundo estarão frente a frente no Campeonato Mundial Indoor de Atletismo em Belgrado.

Marcell Jacobs versus Christian Coleman é um dos duelos mais esperados do mundo do atletismo nos últimos anos.

Belgrado marcará a primeira vez que um campeão Olímpico dos 100m compete no Mundial Indoor. O dono de oito medalhas Olímpicas Usain Bolt nunca correu a distância de 60m em alto nível, prova que favorece quem larga melhor.

O atual campeão é Coleman, que retorna após uma suspensão de 18 meses. O americano é apenas do segundo campeão mundial dos 100m a competir no Mundial Indoor, seguindo seu compatriota Maurice Greene em 1999.

O italiano Jacobs, que surpreendeu o mundo ao levar o ouro em Tóquio 2020, está animado para "fazer algo que ninguém mais fez" nesse confronto com Coleman, recordista mundial dos 60m indoor.

"Não serei o homem a ser batido. Adoro a posição de ser um outsider", ele disse à Gazetta dello Sport antes da corrida de sábado.

“Christian Coleman é o homem a ser batido. Tentarei ficar o mais perto possível dele e tomara que eu chegue com a cabeça na frente dele." - Marcell Jacobs

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Jacobs e Coleman em ótima forma

Coleman ficou fora dos Jogos de Tóquio por não estar no local que havia indicado em três oportunidades, perdendo três testes antidoping. A suspensão terminou em novembro de 2021.

O americano teve um forte retorno às competições em 27 de fevereiro em Spokane, Washington, ganhando o Campeonato Americano de Atletismo nos 60m.

Ele conquistou seu terceiro título nacional com 6,45s, o tempo mais rápido do mundo nesta temporada.

Jacobs também está embalado, vencendo quatro corridas na temporada indoor na Europa.

"Depois do 6,45s dele há algumas semanas nos 60m do campeonato americano, mandei uma mensagem para dar parabéns. Não imaginava que ele [Coleman] fosse me responder. Ele escreveu: 'Muito obrigado, cara. Te admiro e parabéns pelos seus resultados'. Estamos nos seguindo agora nas redes sociais", disse Jacobs, que fez 6,49s na Copa Orlen em Lodiz, na Polônia, em 11 de fevereiro, para a Gazetta.

A última vez que eles se enfrentaram foi na Liga Diamante em Roma em 2018. O americano Ronnie Baker ganhou os 100m, Coleman foi quarto e Jacobs, que ainda focava mais no salto em distância, foi sétimo.

Marcell Jacobs comemora título dos 100m em Tóquio 2020.
Foto: 2021 Getty Images

Coleman tem os três tempos mais rápidos dos 60m, com o recorde mundial de 6,37s de 2018, que continua firme após seis anos.

Ele ganhou o título bienal em 2018 e a edição de 2020, em Nanjing, na República Popular da China, foi adiada para 2023.

Jacobs sabe que o currículo de Coleman é mais extenso, mas acredita em suas chances.

"Não sou favorito, mas não poderia ficar o inverno inteiro sem competir. É um prazer para mim. Adoro estar por aí, desafiando a mim mesmo e meus adversários, conhecendo novos lugares. Não serei o homem a ser batido, mas gosto de ser o outsider. Trabalhei muito na largada, nos primeiros 20 metros. Posso surpreender Coleman", afirmou o italiano.

"Com o trabalho duro que coloquei nos treinos e com a competição dos outros velocistas aqui, nada é impossível", acrescentou.

Ele acrescenta que contará com muito mais do que sua força física durante as eliminatórias, que podem levá-lo à final no sábado, 19.

“A roupa íntima: precisa ser branca para as eliminatórias e preta para a final. Eu fiquei sem a branca e tive que comprar na quarta-feira no aeroporto de Roma." - Marcell Jacobs à Gazetta dello Sport.

Jacobs fala sobre momentos difíceis em torneios indoor

O ex-saltador em distância, que mudou para a velocidade devido a uma lesão, tentará encerrar uma maré de azar que o prejudicou em suas viagens anteriores a Belgrado.

Em 2017, ele era favorito para o título europeu no salto em distância, mas nem chegou à final.

Em 7 de março deste ano, ele queimou uma largada pela primeira vez na Arena Stark, a mesma do Mundial deste ano.

"Lembro que costumava assistir às entrevistas coletivas, sem ser convidado, e estou feliz por ter sido convidado. Isso que é virar o jogo. Foi muito tempo de espera por isso", ele disse com um sorriso na coletiva em Belgrado.

"Quando eu estive aqui em Belgrado no Campeonato Europeu de 2017, foi um momento muito difícil para mim, na minha vida pessoal e esportiva. Depois disso, eu me lesionei várias vezes e por isso decidi mudar meu foco do salto para a velocidade", contou.

"Sou grato por aquela lesão [no joelho], porque por causa dela agora sou bicampeão Olímpico nos 100m e no revezamento 4x100m. Tudo acontece por um motivo!", comemorou.

"A respeito desta temporada, estou feliz, bem satisfeito. Estou me sentindo bem na pista, mas sei que ainda não estou no meu melhor. De certa forma, fico feliz por queimar a largada em Belgrado semana passada, porque isso me fez ficar ainda mais focado nessa corrida de agora", disse o italiano.

Esses seis segundos em Belgrado prometem dar o tom para uma temporada outdoor competitiva, que culminará com o Campeonato Mundial em Oregon, nos EUA, de 15 a 24 de julho.

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