Ikee Rikako: tudo o que você precisa saber da estrela japonesa da natação

Ikee Rikako nada em Tóquio 2020 no dia 24 de julho no revezamento 4x100m livre, uma história incrível para a nadadora japonesa, que recuperou de leucemia a tempo de competir nos Jogos Olímpicos. Saiba mais sobre a atleta de 21 anos de idade.

Foto: 2018 Getty Images

Primeiros passos

Ikee Rikako veio ao mundo para uma vida ligada à água.

Nascida em Edogawa, na Área da Grande Tóquio, em 2000, Ikee chegou ao mundo através de um parto na água. Com três anos de idade, começou a nadar, aos cinco anos já fazia os 50m em quatro estilos: livre, costas, borboleta e peito. No JOC Spring Swim Meet (para crianças entre 13-14 anos), em março de 2014, Ikee venceu a medalha de ouro nos 50 e nos 100m livre, cravando o novo recorde do Ensino Fundamental (junior high school, em inglês) em piscina curta. Ela também venceu a medalha de ouro nos 50m borboleta.

Com 16, Ikee fez a estreia nos Jogos Olímpicos na Rio 2016 e se classificou para nadar em sete distâncias distintas - o maior número entre os nadadores do Japão - onde foi 5ª em 100m borboleta.

Na 93ª edição do Japan Swim, em 2017, Ikee quebrou todos os recordes vencendo cinco medalhas de ouro. No ano seguinte cravou seis recordes do Japão em quatro eventos na edição 94 do Japan Swim. A nadadora também conquistou seis medalhas de ouro nos Jogos Asiáticos de 2018, a primeira nadadora a atingir tal feito.

Diagnosticada com câncer

Após uma ascensão meteórica, a vida de Ikee mudou da noite para o dia.

Após sentir dificuldades respiratórias durante uma concentração na Austrália, em fevereiro de 2018, a recordista nipônica foi diagnosticada com câncer, especificamente leucemia.

“O futuro que tomei como garantido foi transformado da noite para o dia em algo completamente diferente. Foi uma experiência amarga e dolorosa.”

Palavras de Ikee Rikako a um ano dos Jogos Olímpicos.

O que se seguiu foi um ano de luta contra o câncer que deixou Ikee perto do colapso físico.

"No meu ponto mais baixo quis morrer. Senti que estaria melhor morta do que ter que passar por esse tipo de dor. Mas olhando para trás, agora me arrependo de alguma vez ter pensado assim. Não penso nem por um segundo que foi bom estar doente, mas aprendi muito passando pela doença. Sei agora onde estou, como devo viver a minha vida. Isto vai ser um ponto de virada para o resto da minha vida."

Regressando na piscina

Em março de 2020, Ikee Rikako finalmente regressou à piscina. Foi a primeira vez que nadou em 406 dias.

Compreensivelmente, a atleta estava exultante:

"Finalmente fui autorizada pelo médico a cair na água depois de 406 dias! Nem posso descrever o quão feliz me sinto. Me sinto muito afortunada."

Ikee passou por uma longa e difícil jornada e o caminho de volta à natação de elite não foi menos complicado. Pelo que viveu, ela era a candidata perfeita a passar a mensagem emocional de esperança para um mundo em sofrimento pelos efeitos da pandemia de COVID-19, no evento que assinalou um ano para os Jogos Olímpicos.

A mensagem era clara: não tomar a vida como algo garantido.

“Passear na rua. Conhecer pessoas. Usar todo o meu corpo para nadar na piscina. Pequenos prazeres bem preciosos, que pela minha doença tomei como algo certo. Os outros atletas que perderam Tóquio 2020 devem sentir o mesmo. O objetivo para o qual trabalharam de repente desapareceu."

No evento que assinalou um ano para os Jogos, Ikee nos encorajou a todos na busca por esperança no futuro, começando com Tóquio 2020.

“Imaginem o mundo em um ano: um mundo onde a cortina está se abrindo para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Nesse momento, atletas de todo o mundo estão olhando para o futuro, se exercitando até ao limite. Nenhum esforço, por pequeno que seja, jamais será desperdiçado. A confiança que o esporte inspira, as ligações humanas nos ajudam a fazer são realmente insubstituíveis.

Dois anos após ser diagnosticada com leucemia, Ikee está chamada a competir nos Jogos Olímpicos em sua país natal, no dia 24 de julho no revezamento 4x100m livre. Poderíamos imaginar uma melhor história?