Idade de Daniel Alves é reforço para o Brasil em Tóquio 2020

Ganhou tudo na Europa com Sevilla, Barcelona, Juventus e Paris Saint-Germain, antes de voltar ao Brasil para jogar no São Paulo. Daniel Alves é o líder da seleção Olímpica em Tóquio 2020 aos 38 anos de idade. Retrospetiva e títulos de um atleta brilhante.

Gonçalo Moreira
Foto: 2019 Getty Images

O torneio Olímpico futebol tem matizes que não se aplicam a outras competições internacionais. O mais chamativo é o limite de idade dos participantes (no torneio masculino). Cada seleção deve selecionar jogadores com menos de 23 anos de idade, embora no caso de Tóquio 2020 a norma tenha sido adaptada aos sub-24 pelo adiamento dos Jogos Olímpicos. Há também exceções às regras: três jogadores com mais de 24 anos podem ser convocados. Assim se explica a presença de Daniel Alves na seleção Olímpica com 38 anos de idade.

Onde estava Daniel Alves com 24 anos? Para isso recuamos até 2007. Nesse ano já o jogador formado no Esporte Clube Bahia tinha saído do Brasil com destino à Europa. Foi no segundo semestre de 2002 que Daniel Alves chegou no Sevilla Fútbol Club e com a rodagem na Liga espanhola foi chamado para a Copa do Mundo sub-20 em 2003, sendo um de dois atletas convocados atuando na Europa – o outro era Alcides que jogava no Schalke 04 da Bundesliga.

Era uma geração talentosa, com destaque para os goleiros Jefferson e Fernando Henrique, o goleador Nilmar e os virtuosos Daniel Carvalho e Dudu Cearense (Bola de Prata do torneio) – que marcariam uma era no CSKA de Moscou. O meia Fernandinho, capitão do Manchester City, fez o gol do título contra a Espanha de Iniesta.

Daniel Alves foi Bola de Bronze na prova e talvez nem imaginasse que a Espanha marcaria seu futuro. Primeiro em Sevilha e mais tarde em Barcelona, em ambas experiências acompanhado pelo também lateral Adriano, outro craque dessa fornada de 2003 campeã mundial. No Sevilla venceram duas Europa League consecutivas (2006 e 2007) e no Futbol Club Barcelona repetiriam a dupla de sucesso, um pela lateral direita e o outro pela lateral esquerda, participando na época dourada do Barça de Pep Guardiola. Aí conquistaram títulos que davam para abrir um museu!

  • 4 campeonatos de Espanha
  • 3 Copas do Rei
  • 2 Champions League
  • 2 Mundiais de Clubes
  • 2 Supercopas da UEFA
  • 2 Supercopas da Espanha
Douglas, Dani Alves, Adriano, Rafinha e Neymar venceram a Champions League em 2015 
Foto: Photo by Laurence Griffiths/Getty Images

Os dois se reencontraram em campo no Brasileirão, em agosto de 2019, com Adriano no Athletico-PR e Daniel Alves no São Paulo. Por essa época já o baiano tinha passado por Juventus e Paris Saint-Germain.

Referência da seleção Olímpica dentro e fora do campo, Daniel Alves volta a mostrar para a molecada que no futebol a mentalidade é importante, bem como uma forte personalidade. O exemplo tem sido a maneira como tem encarado a pressão da torcida do São Paulo, muito critica com sua ausência em pleno Brasileirão.

Daniel Alves segue firme no compromisso com a canarinha, com quem venceu a Copa América 2007 e 2019, não participando na recente campanha que acabou com derrota para a Argentina. O que vale uma medalha de ouro em Tóquio 2020, aos 38 anos de idade? Nada se compara a uma vitória capaz de fazer sorrir mais de 200 milhões de pessoas.

  • Brasil vs Alemanha dia 22, quinta-feira, 1:30 (horário de Brasília)
  • Brasil vs Costa do Marfim dia 25, domingo, 5:30 (horário de Brasília)
  • Brasil vs Arábia Saudita dia 28, quarta-feira, 5:00 (horário de Brasília)

Um dos melhores negócios da história do Sevilha

Talento precoce, Daniel Alves fez a estreia na equipe principal do Bahia aos 18 anos na Série A do Campeonato Brasileiro. O menino natural de Juazeiro se assumiu como titular e foi sendo chamado para as seleções brasileiras de base.

Aí se cruza no caminho do jogador o olheiro Antonio Fernández, que após passar pela diretoria técnica de emblemas históricos do futebol espanhol como Valência e Málaga, torna-se um dos homens de confiança de Monchi no Sevilha. Monchi é um Deus na cidade, nascido em Cádiz, mas com profunda devoção ao clube da capital da Andaluzia e um dos mais brilhantes gestores do futebol mundial.

Antonio Fernández identifica potencial em Daniel Alves e comunica a Monchi que tem um futebolista com 18 anos que é espetacular e que por jogar no Esporte Clube Bahia podia ser um bom negócio. A pressão de contratar no encerramento da janela de transferências era enorme e o olheiro do Sevilha chega a dizer que se a contratação falhar, sai do clube.

O grau de certeza de Antonio Fernández viabiliza o negócio. O Sevilha paga 470 mil dólares e leva Daniel Alves por empréstimo por uma temporada, com opção de compra por 1,1 milhões de dólares, ao câmbio da época uns 970 mil dólares.

“Quatro anos depois foi vendido ao Barcelona por 42 milhões de dólares. Pensava que era um futebolista que ia triunfar no futebol espanhol, mas não ao ponto de ganhar absolutamente tudo e que tivesse essa trajetória tão brilhante. Trabalhou para isso e o que ganhou foi com mérito próprio.”

Antonio Fernández, olheiro do Sevilha, em entrevista ao El Desmarque, em 2016.

Craque dos pés à cabeça, Daniel Alves é ainda hoje considerado um dos melhores negócios da história do Sevilha e recordado com carinho no time da Andaluzia.