Grandes rivalidades Olímpicas de inverno: Hanyu Yuzuru e Nathan Chen na patinação artística

O japonês de 27 anos e o americano de 22 são os principais concorrentes a ganhar a medalha de ouro no individual masculino em Beijing 2022. Nos últimos tempos, Chen tem superado Hanyu. Mas ele conseguirá vencer seu oponente no maior palco do esporte? O Olympics.com traz a história desta rivalidade.

Indira Shestakova
Foto: 2017 Getty Images

Os melhores patinadores artísticos dos últimos anos competiram pela primeira vez contra o outro em competições grandes durante a temporada de 2016/17. Nathan Chen batalhou muito contra Hanyu Yuzuru na sua estreia na final do Grand Prix, saindo com a medalha de prata. Apesar de Hanyu ter levado o ouro, ele perdeu para seu oponente americano por 10 pontos no programa longo.

No ano seguinte, no Campeonato dos Quatro Continentes que aconteceu em Gangneung, na República da Coreia, Chen derrotou Hanyu pela primeira vez. No entanto, apenas um mês depois, Hanyu venceu seu segundo ouro de Campeonato Mundial. Chen terminou a competição 31 pontos atrás de seu rival, na sexta colocação.

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Antes do surgimento de Chen, o único patinador artístico que conseguia chegar perto de Hanyu era o espanhol Javier Fernandez, que derrotou o japonês duas vezes no Mundial em 2016 e 2017. Parecia que a temporada Olímpica de 2017/18 seria mais acirrada do que nunca.

No início da temporada, Chen provou seu enorme potencial na Copa Rostelecom em Moscou, ficando em primeiro no programa curto e em segundo no longo. Ele derrotou o então atual campeão mundial e Olímpico Hanyu, que só ficou com a vitória no longo.

O segundo duelo de Hanyu e Chen na temporada seria na final do Grand Prix em Nagoya, mas Chen venceu sem precisar enfrentar Hanyu, que se lesionou no Troféu NHK em Osaka. Antes dos Jogos de Inverno PyeongChang 2018, o americano foi considerado a verdadeira ameaça ao atual campeão Olímpico. No entanto, Chen não apresentou o seu melhor no programa curto e ficou apenas em décimo sétimo. Durante o programa longo, ele se recuperou, tornando-se o primeiro homem a tentar seis saltos quádruplos. No entanto, apesar de ser o melhor do programa longo - quase nove pontos acima de Hanyu - as falhas anteriores de Chen fizeram com que ele terminasse em quinto.

Hanyu, pelo contrário, fez um programa curto impecável, ficando em primeiro, e foi o segundo melhor no programa longo. Ele ganhou sua segunda medalha de ouro Olímpica consecutiva e se tornou o primeiro desde Dick Button a defender o título Olímpico (1948, 1952).

Hanyu decidiu desistir do Mundial após os Jogos Olímpicos para que seu pé lesionado se recuperasse, deixando Chen sem seu maior competidor. O americano foi a Milão e se tornou campeão mundial. A próxima competição em que ambos participaram foi o Mundial de 2019 em Saitama depois de Hanyu machucar novamente seu tornozelo em um treino para a Copa Rotslecom em 2018.

Chen ganhou seu segundo mundial consecutivo com uma vitória fácil na casa de Hanyu. O americano quebrou o recorde mundial no programa longo e na pontuação total, terminando quase 23 pontos na frente de Hanyu. Em uma competição empolgante, Hanyu estabeleceu dois recordes mundiais que foram logo superados por Chen.

Na última Grand Prix Final na temporada 2019/20, que aconteceu em Turim, Chen também superou o rival. Novamente, ele estabeleceu um novo recorde mundial no programa longo e pontuação geral. Desta vez Hanyu perdeu por mais - 44 pontos. No entanto, depois de ganhar a prata ele disse estar motivado por sua rivalidade com Chen.

"Nathan está realmente subindo mais e mais o nível na patinação artística. Então é meio 'Por que tornar isso mais difícil?'. Eu sou bem mais velho! Mais velho que ele", brincou Hanyu.

"Mas eu adoro competir com ele. Se conseguir passar dos 300 para a pontuação geral, parece realmente solitário e não poderei encontrar motivação para patinar. Então é como se ele fosse minha motivação".

Chen também admitiu que gosta de competir com Hanyu que, em sua opinião, é o G.O.A.T (Greatest of All Time em inglês, Melhor da História em português).

"Ele é o melhor de todos os tempos, mesmo. Um dos melhores a pisar no gelo. Então ter a oportunidade de compartilhar o gelo com alguém assim, alguém que eu admiro há tanto tempo, alguém que eu vi crescer desde o juvenil quando eu era um bebê. É bem legal vê-lo agora. É legal até poder vê-lo pessoalmente", afirmou Chen.

No Mundial de 2021, o americano novamente ganhou com longa margem. Apesar de Hanyu ficar em primeiro no programa curto, ele foi terceiro no geral, 31 pontos atrás de Chen. Ele também foi superado pelo compatriota Kagiyama Yuma. Na última temporada, Chen novamente levou a melhor sobre Hanyu no World Team Trophy em 2021 (este resultado fez os EUA ficarem com a prata e o Japão foi bronze).

Se forma é algo a se levar em consideração, parece que o "Rei do Quad", como Chen é chamado, será o favorito ao ouro Olímpico. Porém, na temporada Olímpica, o japonês mostrou que tem uma arma secreta que pode ajudá-lo a manter a coroa Olímpica. Por lesão, Hanyu não foi ao Grand Prix, mas no Campeonato Japonês em dezembro ele se tornou o primeiro patinador a tentar o Axel quádruplo em competição. O salto não foi validado pela aterrissagem ter sido com os dois pés, mas em Beijing 2022 ele poderá apresentar o salto mais difícil do mundo com mais confiança.

"Vou a Pequim porque quero completar o Axel quádruplo", Hanyu disse depois de ser confirmado na equipe japonesa. "Quero ganhar usando o Axel".

Para Chen, o começo da temporada Olímpica foi um desafio. Em outubro, ele perdeu seu primeiro torneio desde PyeongChang 2018, terminando em terceiro no Skate America, mas depois se redimiu com uma vitória no Skate Canadá.

Indo para os Jogos Olímpicos, os dois patinadores têm uma motivação forte para escrever seus nomes na história: Hanyu pode se tornar o primeiro patinador masculino desde Gillis Grafström (1920, 1924, 1928) a ganhar três ouros Olímpicos seguidos. Nathan Chen pode adicionar a única coisa que falta em sua coleção de prêmios. Não importa como a rivalidade deles acabe, com certeza será uma das narrativas mais interessantes dos Jogos Olímpicos de Inverno Beijing 2022.

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