'Só se vive uma vez', diz a esquiadora recordista italiana Federica Brignone 

O Olympics.com conversou com a detentora da melhor marca do esqui alpino italiano sobre o que ela espera na nova temporada Olímpica, seus objetivos para Beijing 2022 e sobre sua saúde mental.

Michele Weiss e Gisella Fava
Foto: 2021 Getty Images

Federica Brignone fez história no último domingo (12 de dezembro) com seu triunfo no super-G na Copa do Mundo em St. Moritz.

Seu primeiro pódio (e vitória) da temporada fez dela a esquiadora italiana com mais vitórias (17) na Copa, superando a lenda italiana dos anos 90 Deborah Compagnoni.

Em 2020, ela também se tornou a primeira italiana a ganhar o título geral da Copa do Mundo (o globo de cristal). A jornada de Brignone começou em 2015, quando venceu na Copa do Mundo pela primeira vez - no slalom gigante em Soelden. Agora ela tem sete vitórias nesta prova, além de cinco no super-G e o mesmo número no evento combinado.

Federica Brignone (Itália) vence a Copa do Mundo de esqui alpino em Soelden, Áustria, em 2015. 
Foto: 2015 Getty Images

Com sua última vitória no super-G, ela também superou Karen Putzer and Sofia Goggia (ambas com quatro vitórias) como a esquiadora italiana com mais vitórias no super-G.

Ela também tem três medalhas em Campeonatos Mundiais (dois no juvenil e um no adulto) e um bronze Olímpico, no slalom gigante em PyeongChang 2018.

Federica Brignone compete na Copa do Mundo de esqui alpino em St Moritz em dezembro de 2021. 
Foto: 2021 Getty Images

O Olympics.com conversou com Brignone em outubro em Milão, onde ela falou sobre suas colegas, saúde mental e opiniões sobre esta temporada. Levando em conta o que aconteceu depois, ela estava bem certa.

Olympics.com (OC): Sofia Goggia falou sobre você e suas colegas usando metáforas. Ela (Goggia) é uma guitarra elétrica, Bassino é um violino e você (Brignone) é uma flauta, porque tem a habilidade de trabalhar de forma harmoniosa e consistente.

Federica Brignone (FB): Sim, isso é legal. Gosto desse instrumento musical, mas amo a guitarra também, então não é justo! Eu diria que o violão é o meu favorito.

OC: Você faz parte do time feminino de esqui mais forte da história da Itália. Como isso faz você se sentir?

FB: Acho que somos uma equipe forte, porque somos três pessoas que trabalham duro. Ter uma competição tão forte dentro de casa elevou o nível dos treinamentos. Esquiei tanto tempo com grandes campeãs e aprendi muito com elas. Depois peguei a fase de Emanuela [Moelgg], Denise [Karbon], Chiara [Maj] e Nicole [Gius]... elas me ajudaram muito e me inspiraram bastante. Elas foram um exemplo para mim porque passei os primeiros anos de minha carreira com elas.

OC: Você alcançou seu pódio de número 44, alcançando uma 'certa' Deborah Compagnoni…

FB: Com tantas vitórias. É insano como conseguimos ter o mesmo número de vitórias. Obviamente meu primeiro objetivo desta temporada é ganhar uma prova... Eu me sinto honrada porque, para mim, a Deborah foi uma grande campeã, então é incrível. Não consigo acreditar nisso.

Deborah Compagnoni

OC: Apesar de você ter ido bem temporada passada, você disse que não foi tão legal. Como se sente agora?

FB: Definitivamente, eu me sinto mais serena. Durante a primavera e o verão eu estava fazendo esportes diferentes e me divertindo. Em vez de dar uma pausa, trabalhei bastante. Porém, pela primeira vez estava fazendo coisas de que eu gostava, e eu adoro a adrenalina que vem junto. Acho que só se vive uma vez e isso é verdade. O esporte é muito importante, esquiar é a minha vida, mas há muitas outras coisas que eu precisava para encontrar paz e felicidade de novo... mesmo nos esquis.

OC: Seu mantra este ano é 'Só se vive uma vez'?

FB: Sempre!

Federica Brignone (Itália) vence o super-G na Copa do Mundo de St Moritz em 2021.
Foto: 2021 Getty Images

OC: O que você acha do novo formato da Copa do Mundo FIS?

FB: No verão, eu não me preocupei muito. Meu primeiro objetivo era ganhar uma prova. Depois, vamos olhar para o objetivo da temporada no geral, que é a classificação para os Jogos Olímpicos no maior número possível de disciplinas. Obviamente, meu maior sonho era ganhar o título geral da Copa do Mundo - e eu consegui. Claro, se eu fosse (para os Jogos Olímpicos), seria meu maior sonho.

Porém, há tantas competições e acho que é justo fazer o número de provas igual, porque sempre teve menos eventos de super-G do que de downhill e não acho correto...

É verdade que as mulheres são melhores nas quatro provas [do esqui alpino], ou pelo menos em duas delas. Há mais competitividade no feminino do que no masculino desse ponto de vista. Para os que buscam o título geral da Copa do Mundo, seria melhor se fosse como no biatlo, em que há pelo menos uma diferença por prova, porque é praticamente impossível competir todo fim de semana e ir bem. Seria melhor para a segurança dos atletas.

OC: Beijing 2022 está perto e você irá para lá já tendo um pódio. Nas últimas duas temporadas, parece que seu foco tem sido o super-G. Isso é verdade?

FB: Não sei. Ganhei medalhas no slalom gigante no Mundial e nos Jogos Olímpicos, e acho que o slalom gigante é a mãe de todas as provas do alpino. Claro, o super-G é meu favorito, o que eu mais gosto... mas eu gostaria de ganhar medalha em qualquer um deles. Não me importa qual! (risos)

OC: Você falou sobre o estresse que os atletas de alto nível passam. Tóquio 2020 foi um momento crucial para atletas que falaram sobre saúde mental...

FB: Sim, isso acontece com muitos atletas. Tivemos Simone Biles em Tóquio, também a [Naomi] Osaka, muita gente em vários esportes. Acho que todos os atletas de elite estão no limite. Cada atleta tem que lidar com muitas coisas e estar no limite para atingirem o seu melhor - e isso é difícil quando você está sob os holofotes. Durante os anos, muitos de nós tivemos que esconder nossas fraquezas porque não poderíamos revelá-las. O que tem acontecido nos últimos anos tem nos afetado. Continuamos treinando e nos preparando, mas a que custo? Isso adicionou uma pressão extra na gente da elite e tivemos um teste decisivo que nos tornou muito mais vulneráveis.

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