Estrelas de Pequim: Mikaela Shiffrin enfrenta forte concorrência

Norte-americana vai para Beijing 2022 em busca da terceira medalha de ouro em Jogos de Inverno, mas a campeã da atual temporada, a eslovaca Petra Vlhová, quer a sua primeira medalha Olímpica e promete ser forte adversária. O Olympics.com fala deste duelo que vai agitar o esqui alpino em Pequim.

Virgílio Franceschi Neto
Foto: 2018 Getty Images

Mikaela Shiffrin (USA) é um dos grandes nomes do esqui alpino mundial. Aos 26 anos, vai para a sua terceira participação em Jogos Olímpicos, em Beijing 2022. Foi a mais jovem atleta a conquistar o primeiro ouro Olímpico no esqui alpino, aos 18, no slalom em Sochi 2014. Quatro anos depois, em PyeongChang 2018, faturou mais um ouro (desta vez no slalom gigante) e uma de prata (no combinado).

Desta vez terá como principal concorrente Petra Vlhová (Eslováquia), também com 26 anos, ouro no slalom nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude Innsbruck 2012 e, assim como Shiffrin, com participações em Sochi 2014 e PyeongChang 2018.

Há poucos dias, Vlhová ficou com o título da temporada 2021/2022 no slalom, enquanto que Shiffrin bateu o recorde de vitórias em Copas do Mundo FIS na disciplina: 47. Em busca do terceiro ouro Olímpico, a norte-americana terá pela frente em Pequim a concorrência de uma eslovaca que cresce a cada ano e ainda não tem uma medalha em Jogos Olímpicos de Inverno.

O Olympics.com fala deste duelo que tem dado o que falar no esqui alpino internacional e que promete "incendiar a neve" de Beijing 2022.

Um ciclo de autoconhecimento

Não restam dúvidas em relação ao talento e a capacidade da norte-americana no esporte, seja no slalom ou no slalom gigante. Seus pódios e títulos em Copas do Mundo FIS e as medalhas Olímpicas dizem tudo. No entanto, o último ciclo Olímpico colocou Mikaela Shiffrin à prova e onde ela talvez sequer esperava.

Fora da neve.

Ela queria ter repetido a conquista de Sochi 2014 no slalom, mas ficou em quarto lugar em PyeongChang 2018. Não houve uma segunda chance naqueles Jogos. Tirou muitas lições e precisou lidar com isso. "Os Jogos Olímpicos se tratam disso...se você sai dele com medalha ou não sai, sempre tem algo que você aprende. Os Jogos podem te fazer sentir um herói, mas eles têm a mesma habilidade de, no mesmo dia, em 60 segundos, de levar embora tudo aquilo em que você acreditava, sobre você mesmo e toda a sua carreira," disse Shiffrin em declaração para o Olympics.com.

Em fevereiro de 2020 perdeu o pai, Jeff, o que a fez cogitar em se retirar das competições: "Quando meu pai faleceu, foi como uma lesão, mas uma que ninguém consegue ver. Você não pode consertar com cirurgia, é aquela lesão que não há prazo, não há instruções. Você só tem dor."

Este ciclo tem exigido muito da norte-americana, para além das rivais da neve, o que a fez amadurecer e ter um outro olhar em relação àquilo que é mais importante para ela: "No último ano e meio, acho que a maior coisa que cresceu foi a apreciação que tenho pelo que ainda está aqui versus a opressão que eu sinto pelo que perdi," comentou.

Saber valorizar o que se tem e a deixar de lado o que não teve e não mais tem, a ajudou a identificar a sua essência e o que a deixa feliz. Para o Olympics.com, Shiffrin acrescentou: "Aprendi algumas coisas no caminho como atleta. Eu me sinto mais consciente nestes Jogos Olímpicos (Beijing 2022) a respeito das possibilidades, as boas e as ruins. Medalhas não me definem como eu sou. Podem me fazer feliz, mas não decidem a minha felicidade."

Além disso, o tempo deu a ela a consciência sobre o que está e o que não está ao seu alcance: "Você só tem o controle sobre como você compete," completou.

Vlhová em excelente momento

A temporada atual é a décima em Copas do Mundo para a eslovaca. Sua primeira vitória só foi acontecer três anos após a sua estreia, em dezembro de 2015, em Are (Suécia). No total até hoje soma 53 pódios e 25 vitórias, sendo 17 delas no slalom. Bicampeã nessa disciplina (2019/2020 e 2021/2022), seus resultados crescem em um grande ritmo.

Mais uma vitória em etapas da Copa do Mundo (que serão disputadas após os Jogos de Inverno em Pequim), e ela se iguala ao seu número recorde, de seis, obtido na temporada 2020/2021, quando levou para casa o Grande Globo de Cristal, pelo título geral.

"Quando cruzo a linha de chegada e vejo aquela luz verde, significa tudo. Eu faço o que eu amo e para mim isso é importante. Tenho o melhor emprego," disse Petra Vlhová para o Olympics.com.

Apesar da projeção que teve com os resultados recentes, diz não sentir pressão, prefere ficar quieta e focar apenas em esquiar. Com cautela, Vlhová opta em não se antecipar, em agir com prudência e concentrar-se no momento atual: "Vai ser o mesmo lugar para todos, então acho que ninguém vai ter vantagem naquelas montanhas (da República Popular da China)...quando chegar a hora (dos Jogos Olímpicos), estarei pronta para lutar," ela disse em entrevista para o Olympics.com, em dezembro.

Com uma coleção de triunfos e títulos internacionais cada vez mais vasta, ainda lhe falta a medalha Olímpica e, de preferência, a de ouro. Isso faz dela ser a grande concorrente de Shiffrin em Pequim.

Respeito e admiração

Em dois momentos bem distintos, quer seja na vida ou na carreira, o certo é que Shiffrin e Vlhová farão um emocionante duelo no esqui alpino dos próximos Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim.

Uma rivalidade bastante saudável, de admiração e muito respeito entre as duas esquiadoras.

"Fiquei em quinto, cometi um erro, fiquei muito triste. Ela (Shiffrin) veio, me deu um abraço e foi um gesto bonito, porque muitas vezes é apenas disso que você precisa. Foi bacana e sempre tivemos boas disputas na neve. Tenho um grande respeito por Mikaela porque, para mim, ela é uma verdadeira campeã," disse Vlhová sobre Shiffrin para o Olympics.com.

Enquanto Vlhová é a maior adversária de Shiffrin no slalom, a italiana Sofia Goggia pode ser a pedra no sapato da americana no downhill. Goggia ganhou quatro das cinco etapas de Copa do Mundo que disputou nesta temporada.

O esqui alpino em Beijing 2022 acontece de 6 a 19 de fevereiro, no Centro de Esqui Alpino de Yanqing.

Beijing 2022 começa no dia 4 de fevereiro e você acompanha toda a ação ao vivo em território brasileiro no Olympics.com.

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