Argentino Enrique Plantey conquista melhor resultado da América Latina nos Jogos Paralímpicos de Inverno, quarto lugar no Para esqui alpino

O argentino ficou a apenas 2,22 segundos do pódio no slalom gigante sentado em Beijing 2022. Plantey superou a marca do brasileiro Cristian Ribera, que foi sexto em PyeongChang 2018. Saiba mais sobre o esquiador que fez história para o esqui latino-americano e que tem um livro sobre sexualidade de pessoas com deficiência.

Andrés Aragón
Foto: 2022 Getty Images

Uma tragédia familiar aos 11 anos

Enrique Plantey nasceu em 29 de agosto de 1982, em Neuquén, na Argentina. Sua vida mudou aos 11 anos, em uma excursão familiar ao campo. No caminho, encontraram com uma família amiga e começaram a conversar. Nesse momento, uma caminhonete perdeu o controle e os atropelou.

"Me acordaram quatro dias depois. No acidente, perdi meu pai, meu irmão [Nicolás], mas Deus me deixou a minha mãe", contou em entrevista à Asociación ALPI.

Enrique sofreu uma lesão medular que o tornou cadeirante. "A primeira vez que vi uma [cadeira de rodas], tive vontade de subir nela. Queria sair da cama. Era uma diversão para mim, como uma bicicleta. Eu era pequeno", lembrou.

Ele passou por um programa de reabilitação em Cuba com sua mãe (oito horas diárias de treinamento durante quatro meses). "Foi um antes e depois, porque voltei muito motivado com o esporte", Enrique disse ao La Nación.

Um convite irrecusável

Antes do acidente, Enrique Plantey praticava futebol e rúgbi, os mesmos esportes que seus colegas. Porém, aos 16 anos, ele descobriu ao acaso a modalidade que o conquistou.

Em uma viagem a San Martín de los Andes, alguns amigos foram esquiar e Plantey ficou na cafeteria.

"Então uma instrutora veio a mim, Claudia Vega, e disse 'Gostaria de aprender a esquiar? Estamos dando uma semana de aulas de esqui adaptado. Pessoas dos EUA virão até aqui para nos ensinar para que possamos instruir cadeirantes", ele disse no podcast Está mal, pero no tan mal. "Nem sabia que isso existia. Me parecia uma loucura. Mas disse que sim, me candidatei, fiquei uma semana e comprei uma cadeira específica. Não parei mais".

Melhor resultado da América Latina

A princípio, o argentino esquiava por prazer, mas em 2010, durante uma viagem de trabalho a Colorado, nos EUA, descobriu o mundo do Para esqui alpino profissional.

Ele começou no esporte competitivo em 2010 e estreou nos Jogos Paralímpicos de Inverno em Sochi 2014. Foi 19º colocado no slalom gigante e não parou de crescer. Em PyeongChang 2018, foi 11º no slalom. Agora, em Beijing 2022, deu um salto para a quarta colocação, conquistando o melhor resultado da América Latina em Jogos Paralímpicos de Inverno.

Plantey superou o sexto lugar do brasileiro Cristian Ribera, nos 15km do Para esqui cross-country em PyeongChang 2018.

O vencedor do slalom gigante foi o norueguês Jesper Pedersen, a prata ficou com o italiano Rene de Silvestro e o bronze com o chinês Liang Zilu.

Derrubando tabus sobre sexualidade de pessoas com deficiência

Enrique Plantey e sua parceira, Triana Serfaty, lançaram o livro "Sexistimos", além de uma conta em redes sociais com o mesmo nome, para discutir a sexualidade de pessoas com deficiência e responder dúvidas.

"Em Sexistimos, falamos muito de sexo e confiança. Tive uma acidente aos 11 anos e nunca encontrei informação desse tipo. O que existia era muito diferente do que queríamos colocar neste livro", explicou Plantey ao Paralympic.org.

"Muita gente tem perguntas realmente básicas, como: 'Se quero dormir com uma mulher, como fazer isso?' ou mencionam medos sobre sua deficiência. Por exemplo, 'Como posso passar da cadeira de rodas para a cama?'. Coisas simples que podemos responder baseados no que fazemos ou o que outras pessoas fazem", explicou o esquiador.

Juntos, eles compartilham experiências, oferecem conselhos e entrevistam especialistas.

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