Debinha vira referência da renovada seleção brasileira feminina de futebol

O Brasil conquistou sua oitava Copa América Feminina graças a um gol de pênalti de Debinha aos 39 do primeiro tempo. A classe da atacante, que falou com exclusividade ao Olympics.com após a final, deu o tom a um duelo disputado contra a Colômbia.

Elisa Revuelta
Foto: Conmebol

Um estádio lotado torcendo pelo rival. Uma equipe embalada pelo apoio de seu povo, sem a pressão do favoritismo. Após os 30 primeiros minutos de jogo, as coisas não pareciam muito favoráveis ao Brasil na final da Copa América Feminina.

Mas o futebol premia quem aproveita as chances. Debinha se infiltrou na área da Colômbia, e a central Manuela Venegas cometeu o pênalti.

A camisa 9 da seleção teve sangue frio para esperar a goleira colombiana Carolina Pérez cair para um lado para chutar no outro. Foi o gol que deu o oitavo título continental ao Brasil.

Na comemoração, Debinha pedia concentração para suas colegas. Mente fria, que ela compartilha em entrevista exclusiva ao Olympics.com em Bucaramanga.

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"Estou muito feliz pela vitória. Acho que o pênalti foi a única grande chance que tivemos e estou bem feliz de ter aproveitado", comentou Debinha, após toda a tensão e o alívio da comemoração, com direito a selfies na zona mista, de seu segundo título de Copa América.

Em uma equipe imersa em renovação e pela primeira vez em 15 anos sem suas três maiores referências - a lesionada Marta e as aposentadas da seleção Formiga e Cristiane, o papel atual de Debinha no vestiário é de liderança, junto à capitã Rafaelle e a Tamires. Por qualidade e por hierarquia, como demonstrou no pênalti.

"No final, nós, as veteranas, tentamos fazer as jovens manterem a calma. Estão fazendo um grande trabalho e é preciso seguir assim. Para as jovens, só quero dizer que elas venham para a seleção para se divertirem, curtirem e darem o melhor de si mesmas. As coisas vão dando certo, como foi hoje".

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Um dia feliz para o futebol feminino

Se é preciso assumir responsabilidade, a jogadora do North Carolina Courage, da NWSL dos EUA, está preparada. Com 30 anos, Debinha já disputou duas edições dos Jogos Olímpicos e esteve na última Copa do Mundo, sabendo muito bem o que é jogar em estádios lotados.

Mesmo assim, ela reconhece que o que viu neste 30 de julho em Bucaramanga, com 25 mil pessoas torcendo sem parar desde antes do início da partida, foi emocionante.

"Para o futebol feminino, é muito legal ver estádios assim, cheios. É incrível para nós, para a seleção colombiana. Hoje, quando cantaram o hino da Colômbia, foi um momento muito emocionante. Senti orgulho pelo futebol feminino e estava muito feliz de ver os colombianos apoiando tanto seu time. Espero que isso continue".

Se esta Copa América demonstrou algo, foi que o crescimento exponencial do futebol feminino em termos de qualidade e competitividade não passou batido pela América do Sul. "Sabíamos que a Colômbia seria o rival mais difícil", reconheceu. "O passo seguinte é jogar com potências como Inglaterra, França... a chave para a evolução do futebol feminino sul-americano está em melhorar fisicamente e a mentalidade. Se conseguirmos isso, vai ser incrível".

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Jogo bonito com rigor tático

Esta Copa América foi mais um capítulo do trabalho da treinadora sueca Pia Sundhage, que tem trazido mais disciplina tática à seleção. "É justamente o que precisávamos nesse momento", comentou Debinha. "Pia incorporou o rigor tático e a fortaleza física da escola europeia ao futebol que nós jogamos. É o tipo de partida que jogamos hoje e é disso que precisamos".

Após a conquista da Copa América, aparecem no horizonte a Copa do Mundo em 2023 e París 2024.

"Hoje, demonstramos que temos muito talento. É questão de seguir assim, trabalhando e dando nosso melhor".

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