Com Marta em campo, futebol do Brasil estreia em Tóquio 2020

Duas vezes vice-campeã Olímpica, seleção feminina inicia a corrida pelo ouro contra a China. Grupo tem ainda Zâmbia e os Países Baixos

Virgílio Franceschi Neto
Foto: 2016 Getty Images

O futebol do Brasil entra em campo nesta quarta-feira dia 21 em busca da medalha de ouro, quando a seleção feminina joga contra a China às 5:00 (horário de Brasília). Exatamente 25 anos depois do primeiro jogo de sempre em uma competição Olímpica, em Atlanta 1996. Aliás, naquele torneio há um quarto de século, foram as chinesas algozes das brasileiras na semifinal, em vitória por 3 a 2 com virada do Brasil e reviravolta da China com 2 gols de Wei Haiying nos últimos sete minutos.

Para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 em 2021 o Brasil está no grupo F, com China, Zâmbia e Países Baixos. Em junho, dois amistosos de preparação, com vitória sobre o ROC por 3 a 0 e empate sem gols diante do Canadá. Experiente em Jogos Olímpicos e Copas do Mundo FIFA, a técnica Pia Sundhage convocou algumas futebolistas que farão a estreia em torneios Olímpicos: Letícia Izidoro, Angelina, Júlia Bianchi, Giovana, Geyse, Ludmila, Maria Eduarda, Jucinara e Letícia Santos. Ao lado delas, grandes nomes como Formiga, Marta e Tamires.

Aos 29 anos, a atacante Debinha vai para a sua segunda edição de Jogos Olímpicos e fala sobre o momento que vive a equipe:

"Vemos o crescimento tanto dos clubes como da Seleção e acho que nossa briga diária é essa mesmo, fazer nosso melhor hoje para a próxima geração. Acredito que a gente vem ganhando nosso espaço, e é claro que a gente não vai parar por aí. Hoje, nosso foco é ganhar o ouro, é coroar as gerações que passaram por aqui, mas pensando também nas que estão para chegar".

-Debinha, para o site da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)

O olympics.com conta um pouco mais sobre as adversárias das brasileiras nesta primeira fase e traz o perfil de um dos principais nomes do Brasil, Marta.

China

As "Rosas de Aço" até hoje não repetiram o desempenho de Atlanta 1996, quando foram medalhistas de prata. Depois disso, caíram nas quartas-de-final em casa (Beijing 2008) e na Rio 2016, quando também enfrentaram a seleção brasileira - na estreia da competição inclusive -, com vitória das sul-americanas por 3 a 0. O Brasil já enfrentou a China em 11 ocasiões, tendo sido cinco vitórias, cinco empates e apenas uma derrota, com 22 gols marcados e 9 sofridos.

Comandada pelo treinador Xiuquan Jia, as chinesas têm um plantel com jogadoras experientes como a atacante Shanshan Wang - atleta com mais jogos pela China (141) -, mas também jovens talentos como Ying Wang e Qingtong Li. Nesta temporada de 2021 fizeram apenas 2 partidas, justamente as que classificaram o país para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 em 2021: em abril, contra a República da Coreia, vitória fora de casa por 2 a 1 e, na volta, empate em 2 a 2 na prorrogação após perder no tempo regulamentar - também - por 2 a 1.

Tendo como ponto forte o jogo coletivo, as "Rosas de Aço" querem escrever, no Japão, uma história diferente nos Jogos Olímpicos.

Zâmbia

O país se classificou para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 em 2021 depois de um longo torneio Pré-Olímpico na África, em que superou Angola, Zimbábue, Botsuana, Quênia e, na decisão, os Camarões. Uma final com placar apertado contra um rival mais de 50 posições melhor no ranking da FIFA (Federação Internacional de Futebol): Zâmbia é a 104ª colocada enquanto que os Camarões, 52º. Na decisão, derrota por 3 a 2 como visitante e vitória por 2 a 1 em Lusaka, 4 a 4 na somatória dos resultados. Entretanto os 2 gols fora de casa (contra 1 apenas dos Camarões) deram às "Rainhas de Cobre" (como são conhecidas) a vaga para os Jogos Olímpicos.

Treinada por Bruce Mwape, a equipe tem esperanças em fazer um bom torneio nos pés de Rachel Kundananji (que atua no Cazaquistão), de Grace Chanda (artilheira do Pré-Olímpico) e da capitã, Barbara Banda. Ao grupo foram incluídas 2 futebolistas da seleção sub-17 do país, Esther Siamfuko e Susan Katongo.

Assim como surpreenderam na África, as rainhas querem fazer o cobre brilhar no Japão.

Países Baixos

Vice-campeã mundial FIFA em 2019. Atuais campeãs da Europa, em 2017. No ranking mundial, estão em 4º lugar. Assim se apresentam as "Leoas Laranjas" para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 em 2021, treinadas por Sarina Wiegman.

Assim como a Zâmbia, os Países Baixos fazem a estreia em Jogos Olímpicos. A equipe tem no plantel a artilheira neerlandesa da última Copa do Mundo e uma das principais atacantes da liga inglesa (do Arsenal FC), Vivianne Miedema, além da melhor goleira naquele torneio, Sari van Veenendaal. Destaque também para a ponta-esquerda Lieke Martens, atual campeã da Europa de clubes, com o FC Barcelona (ESP).

Será o último - e vitorioso - trabalho da treinadora Sarina Wiegman à frente da seleção neerlandesa, que começou em 2016. Nada melhor do que uma conquista Olímpica para se despedir em grande estilo. Após os Jogos Olímpicos ela vai dirigir a Inglaterra. A Real Federação dos Países Baixos (sigla KNVB em neerlandês) já tem um substituto: o inglês Mark Parsons, que trabalhava nos Portland Thorns, dos Estados Unidos.

Marta, a "Rainha"

Eleita a melhor futebolista do mundo pela FIFA (Federação Internacional de Futebol) em seis ocasiões, um dos maiores nomes do futebol vai para a sua 5ª participação em Jogos Olímpicos. Na primeira vez, a alagoana de Dois Riachos tinha apenas 18 anos, em Atenas 2004. Busca a medalha de ouro, depois de haver conquistado 2 de prata (Atenas 2004 e Beijing 2008).

Detém um vasto palmarés: é entre mulheres e homens a maior artilheira em Copas do Mundo FIFA (18 gols), e que também marcou em mais edições da competição (em 5). Na seleção brasileira, também entre mulheres e homens é a artilheira, tendo feito 118 gols, tendo sido o primeiro, em 2003, contra o Peru pelos Jogos Sul-Americanos (a primeira convocação aconteceu em 2002).

São inúmeras as conquistas, quer seja com a camisa amarela do Brasil ou dos clubes pelo mundo em que atuou. Vieram pouco a pouco, resultado de bastante trabalho e dedicação. É voz ativa dentro do esporte e da sociedade. Genuína, Marta não se esquece das origens e passa uma mensagem aos mais jovens:

"As gerações futuras precisam entender quanta disciplina é necessária. O talento por si só não vai te levar muito longe".

-Marta, para o site da Federação Internacional de Futebol (FIFA)

A "Rainha" chega aos Jogos Olímpicos Tóquio 2020 em 2021 com muita experiência, mas com olhar e comportamento de uma aprendiz. Está ciente de que há muito para ser feito e animada com o desafio a ela colocado, em uma nova posição dentro dos ajustes em campo feitos pela treinadora Pia Sundhage:

"Essa edição (de Jogos Olímpicos) é especial não somente pelo momento que vivemos, mas porque é um objetivo que a gente vem buscando há bastante tempo. Uma atleta de alto nível sempre vai pensar em jogar as grandes competições e trabalhar constantemente para estar preparada quando a oportunidade chegar".

-Marta, para o site da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)

Para o conquistar o primeiro ouro Olímpico, é preciso ir além. Marta sabe disso e é com esta postura que ela vai entrar em campo nestes Jogos Olímpicos, para, quem sabe, poder sorrir no final.

A estreia do Brasil

O primeiro compromisso da seleção brasileira futebol dos Jogos Tóquio 2020 em 2021 é no torneio feminino:

  • Brasil x China
  • Data: 21 de julho (quarta-feira)
  • Hora: 5:00 (horário de Brasília)
  • Local: Estádio de Miyagi
  • Arbitragem: Kateryna Monzul (UKR); Lucie Ratajova (CZE) e Maryna Striletska (UKR)