Cinderelas Olímpicas: o atleta de Fiji que competiu no esqui alpino nos Jogos de Inverno

Laurence Thoms participou dos Jogos Olímpicos de Inverno Salt Lake City 2002 graças a um anúncio de jornal. Ele competiu no esqui alpino, apesar de não haver neve em seu país natal.

Ilya Yashynin
Foto: 2002 Getty Images

Fiji, um arquipélago com menos de um milhão de habitantes na Oceania, manda atletas aos Jogos Olímpicos desde 1956. O maior sucesso da nação aconteceu no rugby sevens, um esporte em que equipes do Fiji ganharam ouro na Rio 2016 e em Tóquio 2020.

Apesar do clima tropical do país, Fiji tem muitos fãs de esportes de inverno. O pioneiro foi Rusiate Rogoyawa, cujo interesse em esqui veio quando ele estudou na Noruega. Em Calgary 1988 e Lillehammer 1994, ele competiu nos Jogos com um convite especial do Comitê Olímpico Internacional.

O primeiro representante de Fiji selecionado para os Jogos de Inverno por desempenho esportivo foi Laurence Thoms. O jovem jamais imaginara embarcar em uma carreira esportiva até um jornal local publicar uma oferta tentadora.

Tudo começou com uma festa de aniversário em dezembro de 1998. Tony Hauswirth, cujo aniversário estava sendo celebrado, veio para Fiji da Suíça e sentia muita falta do esqui alpino. No meio da festa, Hauswirth perguntou aos amigos, "vamos formar uma equipe de esqui aqui para competir nos Jogos Olímpicos?".

Durante o ano, a temperatura média em Fiji não fica abaixo dos 26 graus, então a princípio ninguém levou a ideia a sério. Mas depois, o que inicialmente pareceu uma piada cresceu para algo maior.

A equipe do Fiji com a medalha de ouro do rugby sevens em Tóquio 2020
Foto: 2021 Getty Images

Hauswirth escreveu em um jornal local um anúncio procurando candidatos. Para se candidatar, ela preciso preencher os seguinte critérios:

  • Experiência com esqui
  • Cidadania fijiana
  • Idade entre 16 e 25 anos
  • Não ter medo de frio

Na época, Thomas estava estudando em um colégio politécnico na Nova Zelândia, onde há neve. Ele se tornou fanático por esportes de inverno aos 15 anos, quando começou a praticar snowboard. Em seu tempo livre, Thoms trabalhava meio-período como instrutor, ensinando rafting de água branca no verão e esqui no inverno.

O anúncio no jornal chamou a atenção da tia de Thoms. Ela imediatamente ligou para a mãe dele e contou sobre a oportunidade única de fazer história. Até aquele momento, 153 pessoas responderam ao anúncio. Duas mulheres e três homens foram pré-selecionados.

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"Foi muito engraçado. Eles caíam o tempo todo", disse o treinador Adi Bernasconi ao Midland Daily News. Mas quando eles vieram Thoms na eve, as risadas pararam - ele era um ótimo atleta e tinha bastante talento. "Em temperaturas abaixo de 20 graus, as pessoas em Fiji se cobrem com blusas e casacos, mas eu estou de camiseta e bermuda!", disse Thoms em uma entrevista à BBC.

Por vários anos, Thoms treinou na Nova Zelândia, na República da Coreia e na Suíça. O novato rapidamente progrediu e acumulou os pontos necessários para se classificar aos Jogos de 2002 em Salt Lake City.

Thoms foi ao maior evento esportivo do mundo na companhia das pessoas que fizeram seu sonho se tornar realidade. Da plateia, ele foi apoiado pelo autor do anúncio, Hauswirth, e pelo australiano Phil Taylor, que incentivou a ideia do time no início e depois liderou a delegação do Fiji.

Tudo foi por um ótimo motivo - Thoms foi o primeiro atleta da região inteira do Pacífico a se classificar para os Jogos de Inverno somente por mérito esportivo. Para alguém que havia treinado por apenas alguns anos antes dos Jogos, ele teve um desempenho formidável.

Thoms parou na prova do slalom e não conseguiu a classificação para continuar na disputa, mas terminou a frente de atletas europeus no slalom gigante. Tendo em conta que outros 21 atletas também não avançaram, Thoms se tornou uma espécie de herói. Terminar em 55º pode não ser o sonho do atleta Olímpico, mas como disse o fundador do Movimento Olímpico moderno, Pierre de Coubertin, o mais importante não é ganhar, mas é participar.

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