Carol vive seu melhor momento na seleção: 'Fico feliz por estar aqui e contribuir'

Destaque do Brasil no vice-campeonato da Liga das Nações, central falou com exclusividade para o Olympics.com às vésperas de mais um Mundial feminino, suas expectativas para a conquista de um título inédito em torneio que começa nesta semana.

Virgílio Franceschi Neto
Foto: 2021 Getty Images

Nesta semana o vôlei do Brasil começa a busca de um troféu que ainda falta à repleta galeria: o Mundial Feminino. Assim como foi o masculino, a Polônia será sede do torneio, compartilhada com os Países Baixos.

As brasileiras ficaram de fora do pódio na última edição, há quatro anos. Em 2014, a última medalha, a de bronze. Era o primeiro ano da central Carol na seleção adulta. Já se vão quase dez, viveu altos e baixos com a equipe. Ficou de fora por lesão na Rio 2016, disputou o Mundial de 2018 e foi um dos grandes nomes na prata dos Jogos de Tóquio, em 2021. 

Mais recentemente, voltou a se destacar no plantel vice-campeão da Liga das Nações, torneio importante dentro do processo de renovação com vistas aos Jogos Paris 2024: "A equipe está de parabéns e temos que entender o processo. Estamos em um caminho de evolução no pessoal e no coletivo", comentou a central para as redes da Confederação Brasileira de Vôlei.

Importante também para a própria Carol, escolhida ao lado de Gabi uma das seis jogadoras da seleção da competição.

É nesta senda que ela vai para o seu terceiro Mundial, cujas expectativas compartilhou com o Olympics.com em entrevista exclusiva. Confira.

Gabi e Carol, premiadas por terem sido escolhidas para a seleção da Liga das Nações de Vôlei 2022.
Foto: FIVB

Vice-campeonato da Liga das Nações: 'uma boa surpresa'

No universo do esporte de rendimento, cada espaço de tempo é muito importante.

Diante de um trabalho de renovação em curso dentro da equipe feminina, que começou há não muito, Carol manifesta-se satisfeita em como ela percebe o time, às vésperas do principal torneio do ano: "O grupo está bastante focado para o Mundial. Foi uma boa surpresa jogar a final da Liga das Nações, um time em formação mas que mostrou muito potencial."

Sobre a renovação do plantel, ela é sucinta e bem clara: "É um processo importante e natural. Fico feliz por estar aqui e contribuir com isso. As meninas são queridas e dedicadas e isso facilita o trabalho das mais experientes."

Se existe cobrança, Carol não desvia da resposta e explica: "Chamamos a atenção algo aqui, algo ali, mas é normal, coisas do treino e do jogo. Elas são comunicativas e sempre perguntam. O importante é persistirmos, treinando e evoluindo porque tudo vai vir naturalmente para todas."

Depois de uma pausa na resposta, lembrou-se dos tempos quando era a novata da seleção: "Quando eu fui (novata), me receberam super bem. A Gabi estava no grupo e me ajudou bastante. Havia a Dani Lins, a Fabi, a Fabiana, a Thais, a Adenízia."

Para a central, o trabalho diário proporciona o entrosamento necessário e que o convívio gera um bom ambiente, fundamentais para um bom trabalho. "(O grupo está) focado nos pontos que temos que melhorar, para dar um passo à frente em relação à Liga das Nações."

Carol #15 comemora com o time ponto contra a República Dominicana, pelo torneio feminino de vôlei dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020.
Foto: 2021 Getty Images

Os pontos fortes da seleção feminina de vôlei

Em recente entrevista, Gabi mencionou que a força da seleção feminina está no grupo. Carol concorda e acrescenta: "É uma seleção alta. Uma boa média de altura que aumenta nosso potencial de ataque e bloqueio. Mas eu concordo que o nosso diferencial é o grupo."

Relembre | Entrevista: Gabi assume a liderança da seleção brasileira de vôlei

Ao falar sobre as companheiras, ela refletiu: "Não temos alguém muito diferente como a Egonu (Itália), uma Boskovic (Sérvia), que decidem jogos, mas a força do nosso grupo demonstra muita qualidade e acho que podemos surpreender uma vez mais."

O que esperar do Mundial: 'Os times crescem quando jogam contra o Brasil'

Podem surpreender, mas não querem ser surpreendidas. Por isso, é parte importante do treino analisar e estudar as outras equipes. No entanto, o Mundial consiste de um apanhado de momentos, leva muitos dias, como se fossem vários campeonatos dentro de um.

Sobre a competição e as adversárias, ela analisa: "O Mundial é longo e depende muito das fases. No primeiro, a República Popular da China sempre vem forte e contra o Japão sempre dá grandes jogos. A Colômbia surpreende, está empolgada, a gente acabou perdendo o sul-americano para elas, vem renovada também."

Em caso de classificação para as fases seguintes, ela destaca algumas equipes: "Não posso deixar de mencionar os Estados Unidos com suas duas opostas, uma canhota e uma destra. A Turquia sempre demonstra muita vontade, tem um sistema tático muito interessante. A Tailândia oferece um jogo muito veloz."

No entanto, para não serem surpreendidas, tem a receita: "Com todas precisamos ter atenção. Os times crescem quando jogam contra o Brasil porque é contra o Brasil. Isso é bom pra gente, que faz com que estejamos ligadas o tempo todo."

Olho no Mundial, olho também em Paris

A central está com a seleção em território europeu, onde se prepara com a equipe para o Mundial. No sábado (17 de setembro), derrota por 3 sets a 2 em amistoso contra a Alemanha. Carol fez 16 pontos, sendo seis de bloqueio, fundamento em que ela é referência.

"O bloqueio é um dos fundamentos que mais gosto de fazer. Acho tendo mais facilidade, mas é preciso mencionar o tempo de bola, invasão, velocidade...sempre treinei bastante o bloqueio, então é algo que gosto e que acontece naturalmente", comentou.

Em seguida, resgatou a força do grupo e completou: "Mas não existe bloqueio se a minha base não marcar corretamente. O conjunto conta muito."

Um conjunto que tem como objetivo os Jogos Paris 2024. "Penso em Paris 2024. Faltam muitos dias, mas passam muito rápido. Quero ter o privilégio de defender o país em mais uma edição de Jogos. Nossa preparação começou quando a última bola de Tóquio caiu, como o Zé (o treinador José Roberto Guimarães) diz. Temos que ter esse foco e a dedicação é diária."

Os próximos Jogos para ela são importantes, no entanto termina com o que será sua principal realização: "O meu maior sonho é sempre poder estar aqui, jogando e feliz. Estar com a vontade que tenho e sempre tive que é a de contribuir de alguma maneira, com o meu melhor."

Foluke Akinradewo #16 (USA) disputa bola com Carol, durante partida entre as duas seleções pelos Jogos Olímpicos Tóquio 2020.
Foto: 2021 Getty Images

Os jogos do Brasil no Mundial Feminino de Vôlei 2022

A seleção brasileira feminina está no grupo D, com sede em Arnhem, nos Países Baixos, ao lado de Argentina, Colômbia, Japão, República Popular da China e República Tcheca, contra quem fará a estreia, dia 24.

Confira os jogos:

  • Brasil x República Tcheca - 24/9 (sábado) - 15:30 (horário de Brasília)
  • Brasil x Argentina - 26/9 (segunda-feira) - 13:30 (horário de Brasília)
  • Brasil x Colômbia - 28/9 (quarta-feira) - 10:00 (horário de Brasília)
  • Brasil x Japão - 30/9 (sexta-feira) - 14:15 (horário de Brasília)
  • Brasil x República Popular da China - 1/10 (sábado) - 9:00 (horário de Brasília)

As jogadoras da seleção brasileira feminina para o Mundial de Vôlei 2022

  • Levantadoras: Macris e Roberta;
  • Opostas: Kisy e Lorenne;
  • Ponteiras: Gabi, Rosamaria, Pri Daroit e Tainara;
  • Centrais: Carol, Carol Gattaz, Julia Kudiess e Lorena;
  • Líberos: Nyeme e Natinha.

Onde assistir ao Mundial Feminino de Vôlei 2022

O evento terá a transmissão ao vivo para o território brasileiro pelo canal Sportv2.

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