Bruna Moura supera doença cardíaca e depressão em busca de redenção Olímpica 

Esquiadora brasileira do cross-country teve uma jornada de muitos obstáculos. O que sempre a fez seguir em frente? O sonho de ser uma atleta Olímpica. Confira a entrevista da atleta ao Olympics.com.

Sheila Vieira
Foto: 2017 Getty Images

“Qual é o ápice de ser atleta? Participar dos Jogos Olímpicos. Então eu decidi que ia para os Jogos Olímpicos.”

A esquiadora brasileira Bruna Moura, 27, simboliza a determinação indestrutível do sonho Olímpico. Após ter sua promissora carreira no ciclismo encerrada por um problema cardíaco, ela precisou lidar com a depressão e com o luto, enquanto recomeçava a vida com esquis na neve.

Tentando a classificação para os Jogos de Inverno Beijing 2022, que começam em 4 de fevereiro, Bruna conversou com o Olympics.com sobre a sua jornada.

Bruna Moura no Campeonato Mundial de 2021 de esqui. cross-country em Oberstdorf, na Alemanha.
Foto: 2021 Getty Images

Gratidão a Jaqueline Mourão

Vinda da cidade praiana de Caraguatatuba, em São Paulo, Bruna tinha tudo para dar certo no ciclismo mountain bike. Chegou a ser bicampeã brasileira, treinada por Jaqueline Mourão – recordista de participações Olímpicas pelo Brasil (sete), entre ciclismo, biatlo e esqui cross-country.

Porém, o caminho de Bruna no ciclismo foi interrompido em 2011 após um diagnóstico de comunicação interatrial, uma condição cardíaca congênita. Ela precisaria de uma cirurgia caríssima, com fila de anos no sistema público de saúde.

“Depois que eu tive o diagnóstico, eu entrei em depressão. Eu não conseguia olhar ciclistas treinando na rua, eu virava a cara. O médico me falar que eu não podia praticar esporte porque eu poderia ter uma morte súbita tirou o meu chão”, lembrou Bruna.

Em 2013, Mourão mudou a vida de Bruna duas vezes: primeiro, conseguiu colocá-la em uma pesquisa que cobriu os custos da cirurgia de Bruna. Segundo, apresentou à ex-pupila o rollerski (esqui com rodas), que os atletas do cross-country usam para treinar no verão. A Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) deixou Bruna levar o rollerski para casa.

“A Jaque foi fundamental no meu início no esporte e no meu recomeço no esporte.”

- Bruna Moura

Bruna Moura comemora vitória no Circuito Brasileiro de Rollerski 2021, em São Carlos/SP

Após tentar novamente o ciclismo, com dificuldade de ter patrocínios, Bruna recebeu o convite da CBDN para entrar oficialmente no esqui cross-country. “Fiquei tão feliz com isso, porque eu estava com tanta dificuldade de ter apoio no mountain bike. Eles (CBDN) me ajudaram a lidar com a depressão. Foi uma decisão fácil”, comentou Bruna, que domina o Circuito Brasileiro de Rollerski desde 2015.

O Brasil já tem duas vagas asseguradas no cross-country feminino em Beijing 2022. Portanto, há uma briga interna entre Bruna e Jaqueline Mourão, Mirlene Picin e Duda Ribera por esses lugares. As duas que tiverem o melhor desempenho nas provas desta temporada irão à China.

“Se nós duas (Bruna e Jaqueline) nos classificarmos será incrível, porque ela trouxe meu sonho de volta, que era a participação nos Jogos Olímpicos”, afirmou Bruna.

O caminho para Pequim

A equipe brasileira de esqui cross-country já participou de dois eventos na Europa, em Santa Caterina, na Itália, e em Elrichen, na Suíça. Bruna teve o segundo melhor desempenho entre as brasileiras (atrás de Mourão) na neve italiana, mas sofreu uma queda na Suíça.

A próxima etapa será nos dias 11 e 12 de dezembro, em Seefeld, na Áustria. Toda a equipe brasileira está dividindo o mesmo apartamento nas cidades dos eventos, mas Bruna garante que o clima está bem amigável, apesar da disputa interna pelas vagas Olímpicas.

“Está todo mundo conseguindo lidar bem com essa pressão. Estamos todos tensos, tudo mundo aqui tem chance, mas isso não tem influenciado no nosso relacionamento, o que é muito legal”, afirmou.

A força da saudade

Além do apoio de Mourão, Bruna também ressaltou a importância de seu namorado, o neerlandês Pascal Liuten, que sempre a incentivou no esqui.

“Passei por muitas coisas ano passado, problemas pessoas sérios. Quase parei com o esporte, mas ele me apoiou demais”, disse Bruna, que atualmente vive com Liuten nos Países Baixos.

Quando as fronteiras se abriram em 2020, Bruna conseguiu passar mais tempo com sua avó no Brasil. “Eu sempre visitava ela, mas não abraçava, eu tinha medo de passar COVID para ela porque eu tinha estado na Itália”, lembrou a atleta.

Poucas semanas após o reencontro, a avó de Bruna faleceu e a depressão retornou. “Não queria fazer nada. Não tinha forças. Não conseguia sair de casa”, contou.

A saudade enfraqueceu Bruna, mas também a fortaleceu. “Precisava voltar ao esporte, porque minha vó tinha tanto orgulho de mim. Ela sabia o quanto eu queria essa vaga”.

E assim Bruna segue, transformando lágrimas em suor.

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