As recuperações mais extraordinárias da patinação artística nos Jogos Olímpicos

Todos nós erramos em alguma situação das nossas vidas. Quanto mais decisivos esses erros, mais difícil é retornar. No entanto, algumas performances na patinação artística nos mostram como podemos ser mentalmente mais fortes.

Chiaki Nishimura
Foto: 2018 Getty Images

A patinação artística é dividida em dois segmentos: o programa curto e a patinação livre. A pontuação final, vinda de cada uma das apresentações, determina as posições. Muitas vezes o desempenho no programa é capaz de afetar o comportamento e a mente do patinador prestes a competir no estilo livre.

Como os principais patinadores lidam as falhas que acontecem durante a apresentação do primeiro segmento, o programa? Como eles aproveitam, fazem uso da experiência para benefício próprio no futuro? Aqui estão quatro exemplos de grandes recuperações no programa livre da patinação artística após desempenhos ruins no programa curto.

Nathan Chen - PyeongChang 2018

Nathan Chen parecia contrariado após a apresentação do programa da patinação artística
Foto: 2018 Getty Images

"Honestamente, foi ruim. Cometi muitos erros, todos os possíveis que poderia cometer."

Nathan Chen (USA) participou pela primeira vez dos Jogos Olímpicos em PyeongChang 2018, como favorito ao ouro depois de haver vencido o individual masculino da Final do Grand Prix, realizado meses antes. No entanto, o estadunidense de 18 anos cometeu uma série de erros no programa curto e acabou ficando na 17ª colocação. Obteve 82.27 pontos, 20 abaixo da sua melhor pontuação da temporada e quase 30 atrás do rival, YUZURU Hanyu (JPN).

Depois da decepção do desempenho no programa curto, ele optou em fazer seis em vez de cinco saltos quádruplos, e conseguiu. Apesar de não ter conseguido o pódio, com o quinto lugar geral, ele fez história com essas seis tentativas.

Chen então olha para trás e comentou sobre essa experiência em uma entrevista após o Mundial de março de 2021.

"Acho que ter a experiência de não ir nada bem e ainda tentar encontrar maneiras de dar a volta por cima tem sido bastante importante nos treinos e nas competições. Não penso 'Oh, estou no meu melhor.' As coisas podem não ser tão bem assim."

Em Beijing 2022 podemos esperar grandes apresentações de Chen, que venceu seu terceiro mundial consecutivo, e do seu rival Hanyu, que vai buscar o tricampeonato Olímpico, depois de vencer em Sochi 2014 e PyeongChang 2018.

ASADA Mao - Sochi 2014

ASADA Mao (JPN) após a apresentação no programa feminino da patinação artística nos Jogos Sochi 2014
Foto: 2014 Getty Images

Foi um início chocante, não apenas para ASADA Mao (JPN), mas também para vários de seus torcedores em seu país natal. No programa curto feminino em Sochi 2014, a medalhista de prata em Vancouver 2010 e tricampeã mundial, caiu na tentativa de um axel triplo - sua marca registrada -, além dos erros que se seguiram. A japonesa de 24 anos ficou em 16º lugar, no meio da tabela entre os competidores.

Menos de 24 horas depois da realização do programa, Asada voltou ao rinque para a patinação estilo livre. Fácil imaginar que ela estava sobrecarregada com pensamentos alusivos ao desempenho ruim do dia anterior. Ela começou a apresentação de maneira bem calma e realizou oito saltos triplos, inclusive um axel triplo, tendo obtido 142.72 pontos, muito mais que sua melhor marca pessoal, de 136.33.

Tão logo completou essa apresentação emocionante, Asada caiu em lágrimas, acenou com a cabeça - como se fosse para se acalmar ou dizer a ela mesma 'muito bem' - e então sorriu, ao som da vibração da torcida.

Apesar de Asada haver terminado em sexto lugar, quando perguntada sobre seu desempenho mais memorável, durante a conferência de imprensa sobre a sua aposentadoria em 2017, ela não hesita em dizer sobre Sochi e complementa:

"(Depois da realização do programa) me senti tão mal e tão triste...mas fui capaz de mostrar a minha resiliência através da apresentação seguinte e mais, eu fiz isso durante os Jogos Olímpicos, o que foi ainda melhor."

Evan Lysacek - Turim 2006

Evan Lysacek durante a apresentação do programa na patinação artística
Foto: 2006 Getty Images

Evan Lysacek (USA), que conquistou a medalha de ouro no individual masculino da patinação artística em Vancouver 2010, tem uma memória amarga sobre sua estreia Olímpica, quatro anos antes, em Turim 2006. Naqueles Jogos, o então atleta de 21 anos de idade e medalhista de bronze no Mundial, caiu em sua primeira tentativa de um axel triplo, além de outros erros que cometeu na apresentação. Terminou em 10º lugar.

Além do desempenho frustrante, Lysacek sofreu de gripe estomacal e em certa altura pensou-se que teria que desistir da competição. No entanto, recebeu fluidos intravenosos e participou do programa livre, em que foi capaz de realizar uma das maiores apresentações da sua carreira e terminar no quarto lugar geral.

Foi uma lembrança áspera para ele, mas uma experiência que ajudou a torná-lo campeão mundial e Olímpico. Após a sua aposentadoria em 2013, ele fez uma reflexão sobre a carreira, entre Turim 2006 e Vancouver 2010 - quando foi medalhista de ouro -, em uma entrevista para a Team USA.

"Estabeleci meu foco para 2010, sabendo que muito poderia acontecer em quatro anos. A lembrança da falha em Turim estava na minha mente o tempo todo. No dia do meu programa em Vancouver, tive problemas em não me esquecer da falha que cometi quatro anos antes. Então disse para mim mesmo que cabia a somente a mim não querer sentir isso novamente."

Aljona Savchenko e Bruno Massot - PyeongChang 2018

Aljona Savchenko e Bruno Massot durante a apresentação de pares da patinação artística
Foto: 2018 Getty Images

PyeongChang 2018 foi a quinta edição dos Jogos para Aljona Savchenko (GER), ucraniana de nascimento, no evento de pares ao lado de Bruno Massot, nascido na França, seu parceiro desde 2014. A dupla estava em boa forma, tendo sido medalhista de prata no mundial de 2017 e vencido o Grand Prix dois meses antes dos Jogos. Entretanto, Massot dobrou seu salchow triplo no programa e eles acabaram terminando na quarta posição.

No programa livre eles deram a volta por cima. Um desempenho sem precedentes deu a eles a medalha de ouro e o recorde mundial nesse segmento da patinação em pares. Depois da vitória, Massot comentou:

"Ontem eu disse que não queria que ela (Savchenko) voltasse com outra medalha de bronze. Ela merecia esta medalha de ouro".

Savchenko havia revelado em seu instagram que ela e Massot não competiriam novamente na temporada seguinte. Entretanto, é bom mencionar que o par chinês formado por Sui Wenjing e Han Cong (medalhistas de prata em PyeongChang 2018 e no Mundial de 2021) é esperado para estar em Beijing 2022, uma vez que perderam o ouro nos Jogos passados por 0.43 pontos e irão em busca do tão sonhado título Olímpico.

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