Alex Hall, medalhista nos Jogos Olímpicos da Juventude: "Dou o máximo para equilibrar minha agenda de treinos e de filmagem"

Estrela do slopestyle e esperança de medalhas em Beijing 2022, Alex Hall procura manter o astral enquanto segue com seus projetos de vídeo e produção de conteúdo.

Depois de faturar o ouro no torneio Real Ski no começo do ano, Alex Hall tornou-se o único esquiador de estilo livre a conquistar medalhas nas quatro diferentes disciplinas dos X Games.

Prata nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude Lillehammer 2016, o norte-americano agora parte em busca de somar à sua coleção a medalha dos Jogos Olímpicos de Inverno Beijing 2022.

Olympics.com (OC): Com menos de três meses até Beijing 2022, como está a sua preparação?

Alex Hall (AH): Tem sido fantástica. Recém começamos a nossa temporada na Europa, geralmente começamos no outono e vamos para Suíça ou Áustria para esquiarmos na geleira, desta vez nos apresentamos no meio de setembro. E eu estive muito por aqui desde então, entre Áustria, Itália e Suíça, praticando o esqui. Tem sido divertido até agora.

OC: Como você está se sentindo com vistas à classificação para os Jogos?

AH: Me sinto bem. Estou dando um passo de cada vez. Eu esquio o meu melhor quando não estou pensando demais nas coisas, e estou realmente curtindo o meu tempo nos esquis. Por isso estou tentando manter o foco em me divertir e em esquiar apenas com os meus amigos. Eu acho que isso vai trazer um bom resultado para mim, tenho esperanças. Tenho me sentido ótimo e tem sido um começo de temporada divertido.

OC: Pequim pode ser a segunda vez em que estará em Jogos Olímpicos de Inverno, depois de PyeongChang. Como hoje você vê aquela sua experiência anterior?

AH: Foi uma experiência bem bacana ter ido (para PyeongChang). Tive muita sorte em ser capaz de ir, mas, olhando pra trás, não fui tão bem como poderia ter ido ou gostaria. Era muito jovem na altura, tinha muito que aprender. Meus demais colegas da equipe americana eram mais velhos e tinham muito mais experiência do que eu e acabava por me sentir como um "estranho no ninho". Algumas coisas eu perdi talvez pelo fato de ser mais mais jovem (que os demais da equipe), e eu acho que eles todos estavam em distintos momentos das suas carreiras. Eles estavam todos ali para conquistarem medalhas e eu era apenas tive a sorte de classificar-me para aquela equipe. Por isso, acho que estávamos em momentos distintos, mas no geral foi tudo incrível. Foi bem divertido. Fui a tradicionais eventos dos Jogos, ou fiquei mesmo por lá na Vila Olímpica.

OC: Você também competiu nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude em 2016, em Lillehammer. Como foi aquela experiência?

AH: Ah, foi um evento legal. Novamente, eu era bem jovem, mas ali todos eram e foi uma experiência divertida. Já tinha ido para Lillehammer algumas vezes antes, então já era um lugar que eu conhecia e onde passei bons momentos. Participei do slopestyle em Lillehammer e também competi no halfpipe em Oslo. Terminei sendo prata (no slopestyle), o que foi uma bela "cereja no bolo".

OC: Você acha que foi capaz de aprender alguma coisa desta experiência com os Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude?

AH: Sim, foi legal. Acho que foram únicos em um sentido em que a camaradagem era muito forte no evento todo e você tem toda uma noção sobre os esportes no geral, com modalidades que antes você não prestava tanta atenção. Foi divertido seguir tudo isso e era bom ter um espírito de equipe. Foi bom ser parte de um evento desta magnitude, quando nunca pensei que pudesse fazer parte. Foi único por diversas coisas e me ajudou a abrir os olhos para o que estava por vir.

OC: Você tinha o costume de ver os Jogos Olímpicos pela televisão quando era mais jovem?

AH: Pelo menos para o esqui estilo livre e slopestyle, acredito que muitos com a minha idade ou mais velhos têm uma resposta semelhante sobre o porquê de assistirmos aos X Games, porque o slopestyle não esteve no programa Olímpico por muito tempo. A estreia foi em 2014. Dos 10 aos 16 anos, acredito que os X Games foi o máximo que assisti e era onde realmente queria estar, o que eu almejava, ser um atleta dos X Games, conquistar medalhas nos X Games e ser parte daquilo. E então, depois, quando vieram os Jogos, eu já estava com 16 anos, parei para assistir e foi muito bacana. Chegava da escola e não saía de casa, vendo os Jogos Olímpicos pela televisão. Os meus pais deixavam eu ficar assistindo. Houve o pódio americano do slopestyle, foi muito bom testemunhar, e atualmente sou amigo de todos que fizeram aquele pódio. Tudo isso foi inspirador, me estimulou a querer estar um dia nos Jogos Olímpicos.

OC: Você acha que ter sido incluído nos Jogos foi importante para o slopestyle?

AH: Acredito que muitos dos jovens com quem converso hoje, cresceram assistindo aos Jogos. Aqueles que hoje estão com 15 ou 16 anos, eles cresceram em um tempo em que os Jogos eram a principal competição do esqui estilo livre. Por isso, eu acho que para eles, é algo que os ajudou a entrarem no esporte. É bom termos alguns dias a cada quatro anos onde muitas pessoas param para ver o que estamos fazendo, pessoas que não estão necessariamente acostumadas ao esqui estilo livre. É mesmo bacana que conseguimos fazer isso em uma plataforma bem maior do que as em que estamos acostumados a fazer.

Alex Hall in action

OC: Recentemente vimos vários atletas se pronunciarem sobre o impacto das mudanças do clima, você inclusive mencionou sobre o derretimento de neve que tem testemunhado em alguns parques. É a mudança climática um tema que chama a sua atenção?

AH: Ao crescer, não sei se eu era realmente interessado sobre, mas eu sabia o que era e as suas implicações. Acho que aprendi sobre isso quando jovem, que era algo real e importante para ser tratado. Sendo um esquiador profissional, o tema influencia bastante no nosso esporte e no que fazemos. Até mesmo na minha vida, que é relativamente curta, eu me dei conta de bastante diferença ao longo dos anos. Justo agora eu tenho esquiado em uma geleira chamada Stubai, próxima a Innsbruck. Facilmente é a menor camada de neve já vista por lá nesta época do ano, a geleira parece tão derretida que estamos praticamente esquiando no gelo glacial. Não há neve fresca no topo. Desse jeito tudo é muito óbvio. Como esquiador, você acaba vivendo isso todos os dias em primeira mão. É maluco perceber o quanto mudou em tão pouco tempo, em uma linha do tempo bastante pequena dentro de um quadro muito maior.

OC: É este um tema que os esquiadores tem falado mais e mais sobre?

AH: Certamente. É uma conversa que muitos têm. Acredito que os esquiadores, especificamente, falam muito sobre. Especialmente sobre os impactos e as diferenças que temos visto. Mas, para ser honesto, não se fala muito sobre soluções. Existem pequenas coisas que você pode fazer pessoalmente, mas em uma escala maior há muitas coisas que influenciam nas soluções e são muito mais fáceis de falar do que fazer. Mas isso é algo que muitos, se não todos, os meus amigos e colegas atletas profissionais estão conscientes.

OC: Longe das competições, você também passa muito tempo fazendo vídeos das suas corridas de esqui, que também te levaram à vitória no primeiro "Real Ski" dos X Games. Você pensa em se dedicar mais para esses projetos no futuro?

AH: Eu quero continuar esquiando e me divertindo com isso. O que eu amo do esqui estilo livre é que uma boa parte do nosso esporte se trata da criação de projetos de vídeo e conteúdo. Tenho gostado muito disso ao longo da minha carreira, e dou o meu máximo para equilibrar a minha agenda de treinos, de competições e de filmagem. Além disso, só quero continuar me divertindo com isso. Eu acho que haverá um tempo em que talvez não mais me divirta. Fico bem com isso, tenho me divertido muito até agora.

SEJA OLÍMPICO, GANHE TUDO ISSO.

Eventos esportivos ao vivo gratuitos. Acesso ilimitado a séries. Notícias e destaques olímpicos sem igual