Alerta de medalha: Natalie Geisenberger tricampeã Olímpica no individual no luge em Beijing 2022

Germânica é a melhor luger da história dos Jogos Olímpicos de Inverno e em Beijing 2022 confirmou o domínio da Alemanha no evento feminino que dura desde Nagano 1998. Anna Berreiter (GER) e Tatyana Ivanova (ROC) levaram a prata e o bronze.

4 minPor Gonçalo Moreira
Natalie Geisenberger of Team Germany celebrates winning gold in the women's singles luge

(Getty Images)

O Centro Nacional de Esportes de Pista em Yanqing, o primeiro circuito construído na República Popular da China para bobsled, skeleton e luge, viveu uma noite para a história na conclusão do evento feminino individual de luge.

Pela terceira edição consecutiva dos Jogos Olímpicos de Inverno, Natalie Geisenberger venceu a prova, batendo a colega Anna Berreiter. Beijing 2022 assistiu à continuação de uma história de êxito da Alemanha no esporte, já que as últimas sete campeãs Olímpicas foram todas germânicas (incluindo a atual edição).

Geisenberger, a experiência, e Berreiter, a aposta de futuro, viram suas tarefas ficarem mais fáceis com os vários incidentes que aconteceram ao longo das quatro descidas que as atletas puderam realizar na pista e que colocaram nomes importantes longe da briga pelas medalhas.

A austríaca Madeleine Egle, por exemplo, chegou em Pequim com cinco vitórias na Copa do Mundo, mas logo na primeira abordagem à pista sofreu um acidente, recuperando até à 4ª posição, mas a três décimos do bronze. Situação parecida com a da germânica Julia Taubitz, outra das atletas acidentadas e que terminou 7ª.

Quem aproveitou os imprevistos das rivais foi Tatyana Ivanova (ROC), que manteve a consistência ao longo do evento e subiu ao pódio final.

Quanto à campeã Geisenberger, sua trajetória nos últimos dois anos é toda uma história de superação. A bávara, vencedora de oito globos de cristal da Copa do Mundo, foi mãe e temporariamente pendurou o sled. Cinco meses depois de dar à luz voltou ao esporte para atacar com sucesso o terceiro ouro em Jogos Olímpicos. Para colocar a cereja no topo do bolo, a campeã ainda cravou o recorde da pista na terceira descida: 58,226s atingindo uma velocidade máxima de 128,4km/h!

Amor pelo luge é passado de geração em geração

Quem assistiu à prova feminina individual do luge quase pode viajar no tempo, já que vários apelidos contêm muita história.

Talvez o mais sonante seja o de Nina Zoeggeler, filha do lendário Armin Zoeggeler, bicampeão Olímpico em Salt Lake City 2002 e Torino 2006, além de ter ganho outras quatro medalhas em Jogos de Inverno. Il Cannibale, atualmente treinador da seleção italiana, viu como a filha fechou o evento feminino de luge na 15ª posição.

Igualmente nervoso deve ter ficado um dos grandes rivais de Armin Zoeggeler, atualmente também treinando atletas do ROC, Albert Demchenko. Uma de suas atletas é Victoria Demchenko, filha do vice-campeão Olímpico em Torino 2006 (derrotado por Zoeggeler) e repetindo o 2º posto em Sochi 2014. O quatro vezes campeão da Europa viu Victoria Demchenko terminar sua participação na prova individual no 28º lugar, não tendo passado o corte do top 20 onde estiveram as melhores atletas que avançaram para a descida final.

Na Áustria tivemos outra cara conhecida: Hannah Prock está pela segunda vez nos Jogos. A filha de Markus Prock, bicampeão mundial individual e três vezes medalhista Olímpico (prata individual em Albertville 1992 e Lillehammer 1994, e bronze Salt Lake City 2002) acabou 5ª. E a ligação dos Prock aos esportes de inverno vai além do luge, já que Hannah é prima do saltador de esqui Gregor Schlierenzauer.

No entanto, aquele que terminou mais contente foi Norbert Loch, o lendário selecionador da Alemanha (que em Pequim está também treinando a Suíça). Loch celebrou em dose dupla na prova feminina a dobradinha de Geisenberger e Berreiter, mas também o top 10 da suíça Natalie Maag que recuperou várias posições para fechar no 9º lugar.

Loch é o pai do tricampeão Olímpico Felix Loch e desde os 21 anos que se converteu num dos melhores técnicos do luge mundial. Como atleta representou a Alemanha de Leste em Sarajevo 1984 obtendo a 13ª posição, nada a ver com as dezenas de medalhas que coleciona como treinador.

Como em tantos esportes, também aqui o amor pelo luge é passado de geração em geração.

(Julian Finney/Getty Images)

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